Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros - Seth Grahame-Smith

ABRAHAM LINCOLN: CAÇADOR DE VAMPIROS
SETH GRAHAME-SMITH
Intrínseca

Título Original - Abraham Lincoln: Vampire Hunter

Para quem não sabe, esse livro foi lançado no dia 19 de janeiro de 2011 e, a primeira vez que o vi, fiquei interessada, porque sempre fui fascinada pela história desse presidente americano, desde que assisti a um episódio da série televisiva "Toque de um Anjo" na minha adolescência e, a partir daí, comecei a ver alusões a ele em outros livros. O que realmente me instigou foi que falava sobre o período histórico da Guerra Civil Americana que eu adoro, desde que li "...E o Vento Levou", da Margaret Mitchell.

Em segundo lugar, depois que li-o, entendi perfeitamente a capa e a contracapa que, a princípio, achei "horripilante", já que sou medrosa (risos), mas depois achei bárbara, porque aumentou o clima de suspense e terror no decorrer da leitura, o que lhe deu um ar ainda mais sinistro! (Quando vocês a virem, saberão do que realmente estou falando!).

Adorei essa frase do Edgar Allan Poe (que também é um dos personagens mencionado na narrativa) que consta
no início do livro, porque tem tudo a ver com a história:

"As fronteiras entre a Vida e a Morte são sempre vagas e sombrias. Quem dirá onde termina uma e começa a outra?"

Aos 27 anos, Henry comprou um casarão e tinha um exército de faz-tudo da região, já que era rico, de cabelo desgrenhado, jeans e óculos escuros caríssimos. Gentil e calado, frequentava um mercado onde o próprio autor Seth Grahame-Smith, um dos personagens, era o balconista e escritor nas horas vagas. Só que Seth nunca chegou a ver os olhos dele. Até que um dia, Henry trouxe um pequeno pacote - embrulhado em papel pardo e amarrado com um barbante. Era de natureza extremamente delicada e na carta dizia que não podia ser compartilhado com ninguém e pedia que Seth escrevesse algo sobre o assunto, já que era escritor e estava em busca do sucesso e seria bem recompensado. Depois, ele fica estupefato ao ver que o dono daqueles diários espalhados era ninguém mais, ninguém menos do que Abraham Lincoln.

... quem me dera desaparecer da face da terra, pois não existe mais nenhum amor por aqui. Ela foi tirada de mim, e com ela toda minha esperança de...

Pág. 21

Abraham teve uma infância relativamente pobre, passando as maiores necessidades, já que
nasceu em circunstâncias humildes. Thomas, seu pai, era indolente e analfabeto. Não tinha ambição nem o menor interesse de mudar de vida e proporcionar à família mais do que o necessário. Mas, aparentemente, era um provedor confiável e generoso, apesar de ter uma vida cheia de sofrimentos. Nancy, sua mãe, era delicada, habilidosa com as palavras, apesar da timidez, e tinha um talento inato. Mais tarde, Abe herdaria de seu pai, o talento de um exímio contador de histórias, já que desde pequeno ficava fascinado com as histórias dos seres imortais. Na época, achavam que isso era crendice popular com o intuito de assustar as crianças.

Havia muitas disputas de terras e as famílias juntavam seus recursos e talentos para aumentar suas chances de sobrevivência, plantando e colhendo, trocando bens e trabalho e ajudando nos momentos de dificuldades ou doenças.

Abe era uma criança excepcional! Odiava caçar e, como castigo, começou a rachar lenha para ajudar seu pai, que era carpinteiro e, mais tarde, esse machado viria a ser extremamente útil em sua vida. Viveu uma infância feliz em meio aos folguedos com os irmãos e à pobreza e, no decorrer da vida, sobreviveu à muitas perdas.

(...) um tipo de sofrimento ao qual as palavras não podem fazer justiça. (...) uma angústia da qual uma pessoa nunca se recupera. Uma morte em vida.

Pág. 34

Houve uma época que os assassinatos cresceram drasticamente deixando a população em pânico onde as cenas das vítimas eram sem trauma, sem sangue, olhos arregalados e corpo rígido. O rosto era uma máscara de terror.

Um dia, em 1818, sob o luar que se insinuava por entre a densa floresta, uma pequena cabana se destacava, onde o pequeno Abraham Lincoln, com apenas nove anos, está ajoelhado ao lado da cama em que a mãe agoniza, acometida do que os antigos chamavam de “doença do leite”, um lento envenenamento por beber leite contaminado. Era uma doença intratável e sem cura.

- Meu garotinho - sussurrou Nancy.

Pág. 42

Sua mãe era sua alma gêmea, que sempre lhe deu amor e estímulo. Ela era a luz de sua vida e, quando morreu, ele não suportou e chegou a fugir de casa.

A situação ficou insustentável para a família Lincoln após a morte de Nancy e, com seu bom senso, Thomas deu-se conta que não conseguiria cuidar deles sozinho. Um ano depois, casaria novamente com Sarah, mãe de três filhos, mulher bondosa e sensível, que encorajava Abe estimulando sua paxão pelos livros.

Anos mais tarde, magoado, ele descobriria que o mal que vitimou sua mãe foi, na realidade, obra de um vampiro, depois de ouvir uma história contada por seu pai.

"A verdade", contou-me meu pai um dia, sussurrando, "é que seu avô não foi morto por seres humanos."

Pág. 51
(...) visão dele despertou em mim (...). Ódio do meu pai. De tudo. Ele me revoltava. (...). Minha ira me manteve longe de casa por três dias e três noites. (...). Eles haviam tirado minha mãe de mim. (...). Odiei-me por ser pequeno demais para protegê-la. (...) por meu pai ter contado aquelas coisas impossíveis, indizíveis. (...) sabia que eram verdade. (...). Meu pai era um bêbado indolente e sem amor. Mas não era um mentiroso. Durante aqueles três dias de fúria e luto, cedi à loucura e admiti uma coisa a mim mesmo: eu acreditava em vampiros. (...) e os odiava profundamente.

Pág. 59

Então, quando a verdade se revela ao jovem Lincoln, ele registra em seu diário uma frase que alteraria radicalmente o rumo de sua vida e levaria todo um país à beira do colapso:

Juro matar todos os vampiros da América.

Pág. 59

Aos 11 anos, Abe teve a sua fé arruinada e por isso escreve:

Como eu poderia reverenciar um Deus que permitia que existissem [vampiros]? Um Deus que deixara minha mãe cair nas garras deles?

Pág. 60
(...) minha vida será rigorosamente [sic] estudar e me dedicar. Aprenderei tudo. Tornarei-me [sic] um guerreiro maior do que Alexandre. Minha vida terá um único propósito. O propósito de matar o maior número de vampiros que eu puder. (...)”

Pág. 61

Anos mais tarde, com as nuvens da Guerra Civil despontando no horizonte, Abe faz um retrospecto de sua juventude.

Só existem dois tipos de homens que desejam a guerra: aqueles que não têm a menor intenção de participar eles mesmos da luta e aqueles que não fazem ideia do que seja uma guerra. (...)

Pág. 62

Dotado de impressionantes altura, força e habilidade com a machadinha, Abe traça um plano de vingança que acabará por levá-lo à Casa Branca.

Um dia, nauseado ao olhar Henry, Abe não importava se ele era generoso ou se salvara-lhe a vida, quem ele era ou o que ele era.

E isso significa que meu destino está traçado? Não tenho a mente de um homem? Não tenho as mesmas necessidades? De comer, de me vestir e de ter conforto? Não julgue que somos todos iguais, Abraham.

Pág. 78

Abe queria aprender tudo sobre esses seres imortais e, finalmente, a oportunidade chegara:

Como eles conseguiam viver só de sangue. Se tinham uma alma. Qual era sua verdadeira origem afinal.

Pág. 81

Henry mostrou a Abe que existiam vampiros do bem e também o lado obscuro do sobrenatural.

Fiquei impressionada e chocada com algumas coisas no livro, especialmente em relação à escravatura, onde os senhores compravam todas as espécies de escravos com um propósito. Qual seria? De liberdade? Será que eles seriam tratados com compaixão?
Fiquei arrasada quando soube! É estarrecedor ver isso sob o ponto de vista real e ficcional!

Como todos já sabemos e aprendemos na escola, os escravos com "sorte" de trabalhar eram poupados de morrer no campo, mas tinham uma vida difícil, pois eram açoitados quando transgrediam e as escravas ficavam à mercê dos caprichos inomináveis de seus senhores. Mas aqui nesse livro, mostra um outro lado, que nunca imaginei que pudesse ser assim. Tanto que o próprio Abraham escreveu em 25 de junho de 1818, depois de constatar uma verdade que ele não enxergou antes e pela sua impotência diante de um fato que presenciou:

Enquanto este país for amaldiçoado pela escravidão, também será amaldiçoado por vampiros.

Pág. 117

Além dos dramas e vicissitudes no decorrer da narrativa, também há um pouco de romance e felicidade que paira sobre esse mundo sombrio na vida de Abraham Licoln.

(...) Ann Rutledge. (...) Jamais criatura tão perfeita adornou esta terra! Jamais houve homem tão apaixonado quanto eu! (...).

Pág. 152

A história desse romance é muito bonita, mas também repleta de obstáculos que ameaçava a felicidade do casal e, por fim, o mundo desaba mais uma vez sobre Abe.

- (...) uma coisa é você se alimentar de sangue de velhos, doentes e traidores; outra muito diferente é raptar crianças dormindo em suas camas; outra ainda é fazer homens e mulheres caminharem acorrentados para a morte, (...).

Pág. 165
- A maioria dos homens não tem outro propósito senão simplesmente existir, Abraham; passam calmamente pela história como personagens secundários sobre um palco que não chegam sequer a ver. São joguetes nas mãos de tiranos. Mas você... você nasceu para combater a tirania. É o seu propósito, Abraham. Libertar os homens da tirania (...).

Pág. 165

Ele tornou-se advogado, com habilidade e ambição equivalentes. Digno, era estimado por todos. De forasteiro sem tostão com um cavalo emprestado e membro da elite da capital, encantava todos com sua sociabilidade rústica e impressionava seus colegas legisladores com sua facilidade de entendimento sobre os mais variados assuntos, até que conhece Mary Todd. Apesar do abismo econômico e cultural que os separava, sentiu-se atraída e intrigada por ele não ser nada refinado, mas ambos tinham muito em comum.

Estou nervoso com a perspectiva de ser julgado por um homem de tanta influência e tamanhas realizações. E se ele me achar um tolo ou um camponês? O que será de nosso amor?

Pág. 178

Depois de uma descoberta surpreendente e estarrecedora a respeito do seu futuro sogro, Abe coloca tudo a perder. Será que esse amor e seu propósito de vingança deram certo? Será que Abraham vai encontrar a felicidade e ter um pouco de paz em sua vida tão sofrida? Isso você só saberá lendo o livro, é claro! (risos).

A história mistura fatos históricos verídicos e ficcionais. Em alguns momentos, a narrativa ficava monótona, mas, mesmo assim, adorei cada momento de ação, suspense, adrenalina e emoção.

- Há uma guerra pela frente, Abraham - continuou então. - Não será uma guerra do homem, mas será o homem quem derramará seu sangue ao lutá-la, pois será uma guerra por seu direito à liberdade. (...).

Pág. 227

Achei alguns discursos morais de Abraham belíssimos, entre eles:

(...) - o negro não é igual a mim em muitos aspectos - certamente que a cor é um deles, talvez também até não tenha os mesmos dotes morais e intelectuais. Mas no direito a comer, sem pedir permissão a ninguém, do pão que suas próprias mãos ganham, ele é igual a mim (...), e igual a qualquer outro homem vivente sobre a terra.

Pág. 233

Para quem ainda não leu, a história é dividida em três partes, sendo que cada uma delas representa uma fase na vida de Abraham: Menino, Caçador de Vampiros e Presidente.

Seth Grahame-Smith reconstitui a história real do maior presidente da história norte-americana e desvenda todos os segredos da Guerra de Secessão, além de revelar o papel crucial que os vampiros desempenharam no nascimento, na ascensão e no (quase) declínio dos Estados Unidos.

Esta empolgante história estará na tela dos cinemas, com produção de Tim Burton, diretor de “Alice no País das Maravilhas” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.


Recomendo esse livro para quem gosta de História e vampiros, mais ainda porque, nas entrelinhas, ele traz uma grande e inspiradora lição, já que, apesar dos dissabores, sofrimentos, percalços e perdas que a vida impôs a Abraham Lincoln, ele soube perseverar e triunfar.

Só para concluir, todos nós temos o livre arbítrio para decidirmos onde devemos ir em busca dos nossos anseios, proceder ou retroceder em nossa caminhada. A decisão é nossa!

17 comentários:

  1. A verdade é q esses livros, tantos os lançados lá fora como os daki, naum me atraem em nada...

    http://conversandocomdragoes.blogspot.com/

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  2. Até tu Abraham?!?!? Neh possivel uma coisa dessa, mais uma de vampiro!!??!? kkkkkkkk
    valeu pela dica Carlinha!
    xeru de Aju!

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  3. Oi, Carlinha!!

    Achei interessante a história, por mais que eu não conheça muito desse homem, além do básico, kkkk

    Gostei da sua frase no final, você tem razão em suas palavras.

    Bjs

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  4. Nossa parece ser legal, bem interessante!!

    Adorei a resenha.

    Beijos& Abraços

    Blog Apaixanada por Romances

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  5. As fronteiras entre a Vida e a Morte são sempre vagas e sombrias. Quem dirá onde termina uma e começa a outra?"

    Adorei essa frase.

    Parece ser um livro bom, não esta na minha lista amiga, pois estou mais que saturada de livros de vampiros (EU ADORO Vampiros) confesso. Mas essa mistura de personagens históricos com o sobrenatural não é muito o meu estilo.
    A resenha ficou ótima (como sempre) muito atrativa, vc sabe vê o lado bom do livro e consegue transmite-lo.
    Que bom o que seu bloqueio terminou! kkkkk

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  6. Olá, Carla!
    Que linda resenha! Amei! O livro parece ser maravilhoso!
    Adorei o que você disse no último paragrafo!
    Bjus,
    Náh

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  7. Meu marido está enchendo as minhas orelhas de tanto falar desse livro >.< Preciso comprá-lo logo!

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  8. Oo ate ele colocaram na historia, não sei não... nõ curti muito essa ideia. mas pretendo ler!

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  9. Ei Carla,

    Não curti estas adaptações para sobrenatural, eu gosto muito de história mas não sei se ia gostar deste livro. Gostei das citações ^^

    bjo

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  10. Pela resenha parece realmente ser muito bom, apesar da capa deixar a desejar. Bjs, Rose:D

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  11. "Juro matar todos os vampiros da América." #morri
    E eu que não tinha dado nada por esse livro =O
    Achei que era só mais uma modinha e tals, mas, Dels, o negócio parecer ser bom demais!
    Gostei muitoooo das citações, elas me deixam bem curiosa sobre o livro.
    Beijos
    CKS Books

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  12. Adorei o trabalho da capa desse livro e tbm das citações que vc inseriu no post.

    Quero ler, com certeza!

    @thaorteg

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  13. Ahhhh fiquei com vontade de ler.
    Livros assim dão uma bagunçada na história. rsrsrs

    Bjs

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  14. Oi Carla!
    Não li, a Pri disse que é muito interessante, ótima resenha!!!

    Feliz dia da mulher!

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  15. Muito legal seu blog e otimo, e muito criativo, se depois vocês quiser olhar o meu blog e dar a sua opnião eu ficarei muito grato: http://derlandreflexivo.blogspot.com/

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  16. Gostei muito da temática do livro, sai do comum e vem com uma história inédita!
    A resenha está ótima CArla, parabéns!
    cheirinhos
    Rudy

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  17. Há produções suficientes de vampiros, a partir de alguns que são muito fantasioso, para outros é assim vale a pena para ver a história eo elenco, como True Blood em su septima temporada , a história em si é vale a pena verificar em cada capítulo.

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