Grito de Guerra da Mãe-Tigre (Amy Chua)

GRITO DE GUERRA DA MÃE-TIGRE
AMY CHUA
Intrínseca

Antes de começar a falar desse livro, quero dizer que sempre fui apaixonada pelos filmes japoneses e chineses, assim como pela cultura, apesar de discordar em alguns pontos.

Muitos filmes e alguns desenhos marcaram-me demais, entre eles: "Memórias de uma Gueixa" (nunca li o livro, mas pretendo ler), "Casa da Harmonia" (que é lindo e apaixonante), "Heidi" e "Marco: Dos Apeninos aos Andes", além da minissérie em oito capítulos, que passou há alguns anos na BAND, "Haru e Natsu: As Cartas que não Chegaram". Apesar de diferentes, todos tem em suas histórias algo em comum: dramas familiares e também amorosos, mas mesmo assim não deixam de ser emocionantes. Bem, chega de divagações... (risos).

A primeira vez que ouvi falar deste livro, foi através de uma matéria no programa "Mais Você", da Ana Maria Braga, no mesmo dia do seu lançamento em 23 de março de 2011 e, durante a leitura, fiquei impressionada com a história de Amy, uma mãe radical, suas duas filhas, Sophia e Lulu, e suas duas cadelas, Coco e Push, em uma história instigante e, ao mesmo tempo, engraçada de como os pais chineses são mais competentes como educadores do que os pais ocidentais, mostrando um choque e constraste cultural, um momento fugaz glorioso e a humilhação sofrida de uma mãe por sua filha de treze anos, pela decisão de educá-las à moda chinesa, porque percebi que eles sonham alto demais para os filhos, além de ter consideração pelo fato de acreditar o quanto eles podem ser pressionados, pois presumem força, não fragilidade, por isso são capazes de progredir para ter sucesso na vida, mesmo à custa de muitos sacrifícios, já que os chineses julgam saber o que é melhor para os filhos ignorando seus desejos e preferências, preparando-os para o futuro, munindo-os de habilidades e hábitos de trabalho e segurança, já que acham que os filhos devem sempre retribuir obedecendo-os e enchendo-os de orgulho, por se opor de maneira drástica à indulgência dos pais ocidentais, que respeitam a individualidade dos filhos.

Amy é uma mulher bem sucedida profissionalmente, casada com o professor de Direito Jed, mas teve uma educação rígida dos pais onde sempre teve o apoio e a confiança de sua peculiar família chinesa.

(...) minhas irmãs mais novas e eu sempre soubemos que éramos diferentes (...). Passávamos a vergonha de levar comida chinesa em marmitas térmicas para a escola. Como eu desejava comer um sanduíche de mortadela como todo mundo! Exigia-se que falássemos chinês em casa - o castigo era um golpe com os hashis a cada palavra em inglês que escapava. (...).

Pág. 28
Quando eu tinha quatro anos, meu pai me disse: "Você vai ter de passar por cima do meu cadáver para casar com alguém que não seja chinês."

Pág. 30
- Não se case com um homem muito bonito: é perigoso. As coisas mais importantes num marido são o caráter e a saúde. Se você casar com um homem doentio, terá uma vida horrorosa.

Pág. 136

Quando casaram-se, Amy e Jed fizeram um tácito acordo de que seus filhos falariam mandarim e teriam uma educação judaica. Mais tarde, Lulu e Sophia assimilaram o melhor das duas culturas, seja questionando ou adquirindo habilidades desenvolvendo confiança, apesar de resistirem bravamente no princípio, o que exigiu uma força ainda maior dos pais.

Sophia, sua primogênita, sempre teve um temperamento racional e um poder de concentração excepcional, porque foi precoce desde pequena intelectualmente. Possuía maturidade, paciência e empatia.

- (...) Você vive falando em gratidão, mas devia ser agradecida a mim. Não desconte suas frustrações em mim só porque não consegue controlar Lulu.

Pág. 195

Já a angelical Lulu, que era uma fera indomável pelo temperamento explosivo, língua viperina, mas era propensa a perdoar, tinha um paladar apurado e chegava até a fazer greve de fome de tão enjoada para comer que era, o que deixava seus pais de cabelos em pé! Ela desafiava-os e acabava subestimando-os. (risos). Qual mãe não teve dificuldade de alimentar seu filho?! Eu não tenho filhos, mas quem tem sabe que é uma luta diária e constante.

(...). Mas eu estava determinada a criar uma criança chinesa obediente - no Ocidente, a obediência é associada a cães e ao sistema de castas, mas, na cultura chinesa, está entre as virtudes mais elevadas - nem que isso me matasse.

Pág. 24
- Lulu, você é muito ingrata. Na sua idade, eu trabalhava sem parar. (...).

Pág. 184
- Você é um péssima mãe. É egoísta. Não liga para ninguém a não ser para você mesma. O quê... Você não acredita que eu possa ser tão ingrata? Depois de tudo o que fez por mim? Tudo o que você diz ter feito por mim é na verdade por você.

Pág. 209

Adorei conhecer a história dos antepassados dos Chua, que eram acadêmicos e cientistas. Gostei de ver as personalidades dessa família atráves do horóscopo chinês. As pessoas de Tigre são nobres, destemidas, poderosas, autoritárias e magnéticas. Tenso e apressado, é seguro e gosta de ser obedecido. Ama intensamente, é possessivo e não gosta que invadam seu território. Por seu autoritarismo, paga um alto preço, tornando-se uma pessoa solitária.

Amy queria que as filhas tivessem a educação que ela e seus pais não tiveram. Por isso, queria que elas estudassem música clássica, que era o oposto da decadência. Sophia, estudou piano; e Lulu, o violino. Mas vocês nem imaginam o Deus nos acuda que foi!!! Só lendo mesmo para saber. (risos).

Na cultura chinesa, simplesmente não passaria pela cabeça dos filhos questionar os pais, nem desobedecer ou responder a eles. Na cultura americana, as crianças nos livros, programas de tevê e filmes sempre marcam pontos com suas respostas rápidas e sua independência. Normalmente são os pais que precisam aprender uma lição de vida - com os filhos.

Pág. 35
O fato é que os pais chineses podem fazer coisas que pareceriam inimagináveis aos ocidentais - pelas quais eles poderiam até ser processados. (...).

Pág. 61

As mães-tigres veem a infância como um período de treinamento, com incentivos um tanto exagerados, mas eficazes. Para Sophia e Lulu, isso significava aulas de mandarim, exercícios de rapidez de raciocínio em matemática e duas ou três horas diárias de estudo de seus instrumentos musicais (sem folga nas férias, e com sessões duplas nos fins de semana). Os resultados são indiscutíveis: ambas são alunas excepcionais; Lulu ganhou um prêmio estadual para prodígios do violino e Sophia se apresentou no Carnegie Hall aos quatorze anos.

Entretanto, o preço dessas conquistas é muito alto. Amy, por exemplo, ameaçou queimar os bichos de pelúcia de Sophia durante um ensaio árduo, e seus confrontos de toda sorte com a teimosa Lulu começaram quando ela tinha três anos, e, desde então, apenas se intensificaram. Além disso, Amy exige muito de si mesma, e a profundidade do seu amor incondicional pelas filhas é visível nos sacrifícios que faz, empenhando muito tempo e energia, no sofrimento e na dor que ela se dispõe a suportar.

Ao contrário da mãe ocidental típica, que passa o dia carregando os filhos para cumprir uma agenda abarrotada de atividades esportivas, a mãe chinesa acredita que (1) os deveres escolares são sempre prioritários; (2) um A-menos é uma nota ruim; (3) seus filhos devem estar dois anos à frente dos colegas de turma em matemática; (4) os filhos jamais devem ser elogiados em público; (5) se seu filho algum dia discordar de um professor ou treinador, sempre tome o partido do professor ou do treinador; (6) as únicas atividades que seus filhos deveriam ter permissão de praticar são aquelas em que pudessem ganhar uma medalha; (7) essa medalha deve ser de ouro.

Pág. 17

Cada passo dado com a educação das meninas foi arquivado, com diversas anotações, criando um vasto acervo pessoal, como se fosse um diário de cada momento, seja feliz ou turbulento pelo qual a família passou. Foi, a partir daí, que a autora que queria escrever um romance épico sobre as relações entre mãe e filha abarcando várias gerações, baseada na história de sua família, resolveu escrever essa biografia que expõe o choque das visões do mundo oriental e ocidental no que diz respeito à criação dos filhos, narrando uma história das suas expectativas em relação às suas duas filhas e os riscos que esteve disposta a enfrentar para investir no futuro de ambas.

(...) uma das piores coisas que um pai ou uma mãe pode fazer para a autoestima do filho é deixá-lo desistir.

Pág. 71

No decorrer da leitura, tive um torvelinho de emoções, porque por um lado estava a favor (afinal, quem não quer receber apoio e incentivo dos seus pais?) e de outro eu era contra, porque discordei de algumas questões que não foram muito bem esclarecidas. Percebi também uma coisa que é muito comum atualmente, a forma como as pessoas ficavam horrorizadas e julgavam as atitudes dessa mãe-tigre (já que esse animal é simbolizado pela força e pelo poder e, ao mesmo tempo, inspira medo e respeito), que chega a ser polêmica, porque às vezes é dominadora, egoísta, exigente, compulsivamente cruel e convincente com as suas prioridades e crenças pelo bem das filhas, que são garotas excepcionais. Mas, infelizmente, isso é uma coisa que acontece muito não só na cultura oriental, mas na ocidental também, é uma realidade que vemos muito por aí exaltando cada vez mais a rigidez na educação dos filhos!

Como os filhos enxergarão os pais futuramente?

Será que dirão a seus filhos: "Minha mãe era uma controladora que até na Índia nos fazia praticar antes de podermos visitar Bombaim e Nova Délhi?" Ou terão lembranças mais suaves?

Pág. 98

Só para encerrar, o Tigre é impulsivo e apaixonado, mas ganha força com suas experiências. Por isso, adorei esse livro, por trazer não só uma gama de informações sobre dois instrumentos musicais que amo de paixão (Sempre fui aficcionada por piano), como também sobre os dois mundos cheio de contrastes e a história de uma família, com seus dramas e alegrias.

Se você curtiu um pouquinho da minha resenha, confira abaixo o vídeo da matéria realizada em 23/03/2011 pela Ana Maria Braga no programa Mais Você:



Além de tudo isso, o livro traz muitos questionamentos e ensinamentos, entre eles:

(...). Já que a vida é tão curta e frágil, (...) cada um de nós deveria tentar extrair o máximo de cada alento, de cada momento fugaz. Mas o que significa aproveitar a vida ao máximo?

Pág. 231

Por isso, mais do que recomendo!

11 comentários:

  1. O livro parece ser bem legal, só que eles deveriam ter dado uma caprichada na capa, não chama em nada a atenção!
    Sua resenha ta perfeita como sempre!
    beijos!

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  2. Ei Carla,

    O livro parece ser legal, não me chamou a atenção quando li sobre o lançamento. Mas o capa feia, concordo com a Lena rsrs.

    bj

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  3. Ótima resenha, me deu até vontade de ler, apesar de não fazer mto meu estilo!

    Bjs

    Laura
    ww.gatosnabiblioteca.blogspot.com

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  4. Que incrível! Fiquei muito, muito curiosa mesmo!
    Parece conter muitos momentos marcantes!
    Adorei!
    Bjus,
    Náh

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  5. Já te contente meu trauma com chineses, então que não lidaria bem com o enredo, o foda que eles tentam educar os filhos como foram educados e isso as vezes gera conflito de geração, e pelo pedaços essas duas penaram nas mãos dos pai, respeito é uma coisa e medo é outra, quando se perde o medo se perde o respeito.
    Bjos

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  6. Com eu tinha dito anteriormente o livro parece interessante, apesar da capa não me atrair, mas sua resenha não deixa dúvidas quanto à qualidade da leitura atraiando até quem nâo se atrae por esse tipo de leitura.
    Você como sempre se superando!
    beijos amiga!

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  7. Sou bem fã da cultura oriental e comoo livro é polêmico, sei que será uma leitura adorável, adoro polêmica.
    Sou a favor d liberalismo, mas por vezes me pergunto se nossa educação liberal, não facilita a malandragem? Polêmica.
    cheirinhos
    Rudy

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  8. Esse estilo de disciplina parece ser muito rígido mesmo, mas acho bem interessante ler um livro assim =D Eu não o adotaria em sua plenitude, pois acho que muitas coisas não combinam comigo e eu não gostaria de passar para os meus filhos, mas muitas coisas eu gostaria de aproveitar ^^

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  9. "filhos falariam mandarim e teriam uma educação judaica" que loucura, só de pensar jé deu um nó bravo nos meus pensamentos. Meu pai era chinês, não fui educada tão rigidamente, não na minha opinião, mas tenho que confessar que era muito cobrada, e a menor das coisas resultava em sermões de duas horas, obviamente sem eu falar nada.

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  10. Não conhecia o livro. Mas achei interessante a história.

    bjs

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  11. Carla eu to louca pra ter um tempinho pra ler esse livro! Fiquei muito feliz quando ganhei esse livro da Intrínseca, pq quando eles publicaram sobre seu lançamento, lançaram tb no twitter uma reportagem sobre o assunto. Quando eu li fiquei chocada e interessada em saber mais sobre a vida dessa mãe e de suas filhas. E pelo que eu li na sua resenha, ela teve sucesso, porém as filhas são tão normais quanto qualquer outra adolescente, né? Elas discutem como todos irmãos e talz. rs Minha visão da mãe tigre agora é outra depois da sua resenha. Antes eu via um monstro, e agora só vejo alguém que queria que as filhas tivessem o que ela não teve. E sabe, acho que hoje em dia o que falta é isso, pais imporem respeito aos seus filhos. Talvez as coisas não estivessem do jeito que estão no mundo.

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