Um Dia - David Nicholls

UM DIA
DAVID NICHOLLS
Intrínseca

Este livro, que no original em inglês intitula-se One Day, foi lançado no dia 11 de maio de 2011, é um romance que retrata bem a nossa realidade. Vocês vão identificar-se com os dramas vividos por alguns personagens, entre eles Dexter e Emma, porque representam cada um de nós, através da força, da coragem e da determinação em meio às adversidades que a vida nos impõe, seja tropeçando, caindo, reerguendo e vencendo todos os caminhos, muitas vezes obscuros, em um enredo onde o amor, a amizade e o amadurecimento falam mais alto e vemos até onde podemos chegar triunfante em nome de uma amizade e de um sentimento duradouro e profundo como o amor.

Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro.

“Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores, que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável.”

Charles Dickens, Grandes Esperanças

Aos 23 anos, Dexter herdou de sua abastada família, a arrogância, a energia, a boa saúde, a autoconfiança indiferente, o direito de ser o centro das atenções, juntamente com as ações e participações nos lucros e móveis finos. Futuramente, queria ser bem-sucedido, que os pais se orgulhassem dele, e tivesse a oportunidade de sair com várias mulheres, ser famoso e ter seu trabalho reconhecido. Quer viver a vida intensamente com muita diversão, sem levar nada tão a sério, apesar dos tropeços que encontrasse pelo caminho, porque era um sonhador, um aventureiro, viajou o mundo por diversos países e cidades, entre eles: China, Índia, Inglaterra, Espanha, Irlanda, Holanda. Com sua liberdade, iria até às últimas consequências para alcançar a felicidade.

(...). Emma Morley considerava “bonitão” um termo banal, do século XIX, mas na verdade não havia outra palavra que o descrevesse, a não ser talvez “lindo”. O rosto era daqueles em que você enxerga os ossos por baixo da pele, como se até a caveira fosse bonita. (...).

Pág. 15

Emma não queria ser uma Jane Eyre, queria crescer e não iludir-se. Ela viu-o pela primeira vez em 1988 e gostara dele instantaneamente. Dex não era brilhante, mas era cheio de si, arrogante, popular, engraçado, cínico, carismático e muito atraente. Saía com garotas exuberantes e artificiais.

Emma era inteligente, às vezes indelicada, sarcástica e, por diversos momentos, não conseguia ser divertida e autoconfiante. Estudou inglês e história, mas arrepiava-se em pensar na vida que estava porvir, porque não estava preparada para ser adulta e independente, ser corajosa e ousada com a finalidade de mudar o mundo à sua volta, sair em busca dos seus sonhos como escritora e mudar a vida das pessoas, através de sua arte, seja no teatro ou escrevendo coisas bonitas. Agradar os amigos, ser fiel aos seus princípios, viver plenamente e com paixão, experimentando coisas novas e, se possível, amar e ser amada, porque sempre acreditou nisso.

Era bonita, mas parecia constrangida por isso. O cabelo tingido de ruivo era malcortado quase de propósito, talvez por ela mesma em frente ao espelho ou pela garota grandona e barulhenta com quem dividia o apartamento, Tilly sei lá o quê. (...).

Pág. 23

Continuaram correspondendo-se, apesar dos rumos que suas vidas tomaram. Nas cartas enviadas, havia uma amizade sincera, até mais do que carinho entre eles. Uma amizade que perdura no tempo apesar da distância.

Emma tinha paixão, era impetuosa, bacana, inteligente, engraçada, talentosa e muito esforçada. Trabalhava como garçonete e atuava em peças teatrais, apesar de não ter ambições de ser atriz e nem ter paixão pelo teatro, a não ser como meio de reunir ideias e palavras. Mas ambicionava uma carreira no mercado editorial, mas esta estava descartada.

Enquanto isso, o inconsequente Dex, com sua ironia e rebeldia, vivia de modo libertino e viajava explorando o mundo. Apesar de não ser muito inteligente academicamente, ele sabia das coisas, já que não tinha mais chances nas carreiras mais promissoras que o interessavam. Seu grande sonho era ser fotógrafo. Chegara a pensar que sua limitação profissional atrasaria sua vida, mas era preciso ser astuto e ambicioso. Queria ir longe e dar um sentido na sua vida. A fama fazia sentido, embora quisesse ser bem-sucedido.

Ele amava a mãe, que estudou moda, mas trocou tudo pela vida familiar resolvida e respeitável, com segurança e conforto, que atualmente dirige uma loja de antiguidades. Os dois sempre foram muito próximos e sinceros um com o outro, mas um dia isso foi substituído por uma amargura, ressentimento e uma revolta contra o que o destino colocou em seu caminho.

Seus pais queriam que ele tivesse um bom emprego, para garantir o seu futuro, que motivasse-o, que direcionasse-o para um objetivo, uma ambição.

- (...), muita sorte, Dexter, e foi protegido de certas coisas como responsabilidade, falta de dinheiro. Mas agora é um adulto, e um dia as coisas podem não ser mais assim tão serenas. Seria bom estar preparado para isso, estar mais bem-equipado.

Pág. 42
(...). Acho que você tem medo de ser feliz, Emma. Parece que pensa que o caminho natural das coisas na sua vida é ser triste, sombria e macambúzia, e odiar o emprego, odiar o lugar onde mora e não ter sucesso nem dinheiro, e Deus a livre de um namorado (e uma pequena digressão aqui: esse negócio de não se achar bonita está ficando chato, vou te dizer). (...): acho que você gosta de se sentir frustrada e ter menos do que queria ter, porque isso é mais fácil, não é? O fracasso e a infelicidade são mais fáceis, porque você pode fazer piada com isso. Está incomodada? Aposto que sim. Bem, estou só começando. (...)

Pág. 50

Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas - vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação de amizade entre os dois.

(...) Emma, não nesse estado, ela não entenderia, não iria aprovar. (...) é Emma quem ele mais deseja ver. Por que Emma não está com ele esta noite? (...) tantas coisas que gostaria de perguntar, como por que os dois nunca ficaram juntos, eles ficariam tão bem juntos, uma equipe, um casal, Dex e Em, Em e Dex, todo mundo diz isso. (...).

Pág. 115

Um dia, de forma irracional, e nada razoável, Dexter sente-se magoado, porque sempre pensou que Emma estaria por perto, alguém a quem pudesse recorrer a qualquer momento que precisasse.

- Você não pode esperar que as pessoas construam suas vidas em torno de você, Dexter. (...).

Pág. 159
“Eu amo (...)”, pensou Emma, “só não sou apaixonada por ele, e também não o amo. Já tentei, batalhei para conseguir amá-lo, mas não consigo. Estou construindo uma vida com um homem que não amo, e não sei o que fazer a respeito”.

Pág. 185

Uma das coisas que não gostei muito ao longo da leitura, foi o quanto o personagem ficou desagradável e fora de controle em alguns aspectos, sendo que antes ele era meio cheio de si, mas engraçado, delicado e interessado nas pessoas à sua volta. No trecho abaixo, vocês verão o por que de eu estar falando isso, mas acho que vocês concordarão comigo. Teve momentos que suas atitudes inconsequentes e irresponsáveis indignaram-me e, ao mesmo tempo, fiquei estarrecida, especialmente em uma cena com uma criança (Quem leu sabe a que estou me referindo!):

- (...). Você está bêbado! Está sempre bêbado ou drogado (...) toda vez que a gente se encontra. Sabe que eu não vejo você sóbrio há uns, sei lá, três anos? Já esqueci como você é quando sóbrio. Agora você só fala de si mesmo e dos seus novos amigos, isso quando não sai correndo para o banheiro de dez em dez minutos... (...), é indelicado e, acima de tudo, chato (...). Mesmo quando fala comigo você está sempre olhando por cima do meu ombro, para o caso de haver uma opção melhor...

Pág. 203

E isso quase põe um fim a grande amizade que compartilhavam, porque a vida está levando-o ao fundo do poço. Emma tinha um grande afeto, mas sentia uma certa tristeza, como se alguma coisa estivesse chegando ao fim afetando o relacionamento que tinham.

- É claro que você acaba de destruir qualquer chance de eu ter um futuro feliz, mas estou muito contente por você, de verdade.

Pág. 280

Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados por ano e no mesmo dia, 15 de julho, onde enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

VOCÊ PODE PASSAR A VIDA INTEIRA SEM PERCEBER QUE AQUILO QUE PROCURA ESTÁ BEM NA SUA FRENTE.

Esse foi um dos livros mais difíceis que eu já li, pelo desenrolar da trama ser meio lento, o que acabava sendo monótono, entendiante e eu ficava frustrada, mas como sou persistente, resolvi dar uma chance e fui até o fim para ver no que ia dar e, surpresa, não me arrependi, porque o enredo acabou se desenvolvendo de uma forma surpreendente a partir da página 200, porque as peças finalmente encaixaram-se e o final chegou a ser tocante!

Como será que acabou a história desses dois jovens cheios de esperanças e ideais, que travaram inúmeras batalhas que a vida impusera-lhes em busca dos seus sonhos? Será que eles finalmente reconheceram o amor profundo que sentiam um pelo outro e deram uma chance a esse sentimento?

Uma história singela, narrada em terceira pessoa, extraordinariamente real e, ao mesmo tempo, pungente, que fala sobre o que éramos na juventude e o que somos agora, da perda e da amizade, do poder duradouro do amor.

“Narrado com um discernimento tão preciso e verdadeiro que chega a ser constrangedor. Se você terminou a faculdade nos anos 1980 sem uma ideia clara do que iria acontecer depois, ou sobre quem os seus amigos se tornariam, este é o livro. Mas se isso não aconteceu com você, não importa: este continua a ser o livro.”

Daily Mail

Um Dia teve o roteiro adaptado para o cinema pelo próprio autor, David Nicholls.

O filme traz a atriz Anne Hathaway e Jim Sturgess no papel dos protagonistas, Em e Dex.

10 comentários:

  1. Esse livro deve ser maravilhoso! Sempre ouvimos falar de histórias assim como a de Dexter e eu quero muito ver como ele vai terminar, e espero que com Em, se ela assim quiser haha Mas eu gosto dessa relação de amizade que surge entre eles, acho que acima de tudo sempre temos que ter alguém a quem voltar e a quem contarmos as coisas! E nesse livro deve ser, mais ou menos, algo assim e estou super curiosa e ansiosa para lê-lo!

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  2. Nossa....

    Quero esse livro! Adorei!

    Bjs

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  3. Oie!!

    Gostei do trailer e acredito que vou tbém gostar do livro. Pelo menos a resenha conseguiu me conquistar.

    Beijos

    Lulu - Blog Apaixonada por Romances

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  4. Ainda não li, Carla, mas pela resenha este livro é daqueles que tocam o coração, né? Adorei!
    Quanto ao nome do personagem, amei, é claro! kkk Por que será?
    Bjus,
    Náh

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  5. Ah, todo mundo falando super bem desse livro \o/ Quero muito ler *-*

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  6. Eu querooooo Carlinha!

    Tenho ouvido muitas críticas positivas e estou super ansiosa pelo meu exemplar!

    O/

    beijoss

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  7. Quero muito ler esse, estou ansiosa de+!
    Bjs

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  8. Estou super ansiosa para ler esse livro! Quem sabe, UM DIA!
    Bj
    Paula
    http://the-bookworms-club.blogspot.com

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  9. Só vejo resenhas boss deste livro, estou louca para ler. Bjs, Rose:D

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  10. Adorei a sinceridade Carla!
    Sei que tem esses livros que demoram a pegar no ''tranco'' mas que o final vale a pena, não sabia que ia virar filme, então vou esperar o filme pra ver se tenho interesse em ler o livro!

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