O Dia da Caça - James Patterson

O DIA DA CAÇA
JAMES PATTERSON

Curiosamente, na década de oitenta, quando eu comprava livros (Judith McNaught, Danielle Steel, Sidney Sheldon, Agatha Christie, etc) do catálogo da extinta Círculo do Livro, que eram de capa dura, sempre vi livros desse autor, mas não tinha condições de comprar por causa do preço. Nunca imaginaria que anos depois, iria lê-los por um preço acessível! Ansiosa para que relancem os clássicos "Jack & Jill", “Gato e Rato”, "Esconde-Esconde", "Na Teia da Aranha".

Este foi o primeiro romance de suspense policial do autor que li, cujo original em inglês intitula-se Cross Country, de apenas 224 páginas, que é o décimo quarto volume da série
Alex Cross, um detetive da Polícia Metropolitana especializado em crimes hediondos como homicídios e assassinatos em série.

Órfão desde os dez anos, ele foi criado pela avó, Nana Mama, que atualmente ajuda-o na criação dos seus três filhos jovens e saudáveis, Damon, Ali e Jannie, desde que Maria, sua esposa, foi assassinada e seu caso nunca foi solucionado.

É um personagem com quem o público se identificará pela empatia em si e pelo fato de ser um homem inteligente, teimoso, intransigente, profissional brilhante, sarcástico, mas um pai excepcional, gentil e levar uma vida digna. Adorei sua camaradagem com os filhos e sua avó, trazendo à tona a afeição e o amor de um ambiente familiar. Depois de uma longa carreira policial, tornou-se bem-sucedido. Além disso, tem doutorado em psicologia, onde mantém um consultório particular e presta serviços ao Departamento de Crimes Hediondos da Polícia Metropolitana. Atualmente, namora Bree Stone, que é detetive do seu distrito.

Os mistérios mais difíceis são aqueles que você vê que estão perto do fim, pois já não há evidências suficientes nem muito mais a desvendar. A menos que você possa voltar ao início – retroceder e rever tudo.


Pág. 12

Neste livro, Cross depara com um dos mais hediondos crimes que já presenciou em toda a sua carreira, onde a família Cox foi barbaramente assassinada sem o menor sentido, em um massacre aterrorizante em seu próprio lar, cujos corpos foram alvejados, brutalmente retalhados e empilhados em grupo, ou seja, esquartejados, seus móveis revirados, suas janelas e vidros estilhaçados. Qual seria a causa do massacre? Drogas, ritual ou psicose?

- (...). Estou me referindo às mutilações, à cama quebrada, ao vandalismo em geral. E também ao fato de isso provavelmente ter sido feito por um grupo de cinco ou mais pessoas. Um grupo de invasores. Quando junto todos esses fatores, as possibilidades são poucas: gangue, ritual, crime organizado. (...).


Pág. 21

Ao descobrir que a mãe, Ellie Cox, era seu primeiro amor, além de uma charmosa e inteligente estudante de história na faculdade, ele fica chocado, porque tudo é muito irreal e está disposto a pegar o assassino a qualquer custo. Ela escreveu treze livros sobre questões sociopolíticas na África e ele não sabe o paradeiro de seu novo livro. Será que Ellie conhecia os criminosos?

Com a ajuda de Bree, ele começa as investigações e é levado ao submundo de Washington. O que descobre é pior do que imaginava: os responsáveis por tamanha atrocidade são garotos.

(...): “Existem líderes de gangues de aluguel em toda a Nigéria e, especialmente, no Sudão. Esses homens brutais e seus grupos – muitas vezes formados por meninos de apenas 10 anos – possuem um apetite insaciável por violência e sadismo. Um de seus alvos favoritos são famílias inteiras, uma vez que isso espalha mais as notícias e difunde o medo. Famílias são massacradas em suas cabanas e barracos, chegando a ser cozidas em óleo fervente, uma espécie de assinatura de alguns dos piores líderes.”

Pág. 27

A CIA também estava investigando o caso, o que era um mistério para Cross, que começa uma caçada implacável depois de vários assassinatos ocorridos.
Todos os crimes tinham o mesmo modus operandi: Perversidade extrema, brutalidade e crueldade. Gostei muito de Flaherty, um agente renomado, que era arrogante, condescendente que tirava Alex do sério. Não sabia se ele era o mocinho ou o vilão. [risos].

Quem fez isso está no nível de Hannibal Lecter. Só que de verdade.

Pág. 33
- (...). Ele já matou mais gente em Washington do que qualquer outro criminoso que eu tenha visto. Em algum momento vai voltar e começar tudo de novo.

Pág. 48

Enquanto isso, Tiger era um enigma em todos os sentidos. Arrogante, achava que nunca seria capturado. Detestava perder, porque se isso acontecesse alguém morria, já que ele decidia quem devia viver ou morrer. Conta com a ajuda de pessoas muito poderosas e influentes.

Imagine o nível de estupidez ou indiferença quanto a ser pego, levado a julgamento e condenado à prisão perpétua por esses crimes pavorosos.

Pág. 96

Por isso, Cross passa dos limites e decide ir em seu encalço, perseguindo-os na Nigéria, no continente africano, em busca de justiça, apesar dos protestos da família.

Eu estava determinado a seguir aquele psicopata e sua gangue a qualquer lugar, mas era óbvio que não seria fácil. Muito pelo contrário.

Pág. 53

Ao chegar lá, percebe que as coisas serão árduas, porque é capturado, torturado, trancafiado num lugar miserável com prisioneiros políticos e desprotegido.

A sede era o pior, (...). minha garganta parecia prestes a se fechar. A desidratação me devorava por dentro. Enquanto isso, mosquitos gigantes e ratos tentavam fazer o mesmo do lado de fora.

Pág. 65

Cross depara-se com um mundo miserável, violento e, para piorar, uma guerra civil está prestes a eclodir. Tenta lutar contra a corrupção e uma conspiração arriscando sua vida e de sua família, mesmo não contando com a ajuda de ninguém.

Em diversos momentos, lembrei-me da série americana E.R., onde o Dr. John Carter e o Dr. Luka Kovak passaram um tempo entre os refugiados na África presenciando todo o tipo de sofrimento do povo daquela região. Essa série deixou muitas saudades!

Parte do enredo do livro é ambientado no contexto de determinadas regiões da Nigéria, Sudão, Darfur, Serra Leoa, Lagos, em um regime de guerra civil onde há muitos subornos, genocídio e corrupção.

Campos de refugiados em Darfur e no Sudão era um lugar onde era impossível atenuar o horror, porque mulheres e crianças eram estupradas e depois humilhadas como prostitutas. Muitas vezes eram abusadas sexualmente, quebravam suas pernas para que não fugissem, deixando-as inválidas para o resto da vida. Açoitavam as vítimas, quebrando seus dedos, arrancando suas unhas. Isso é só uma prévia das atrocidades mostradas neste livro.

(...) uma cidade. Tomada por sofrimento insuportável, angústia e morte causados por tudo, de ataques de janjawids a disenteria e partos sem medicamentos – e geralmente sem nem um médico e nem parteira.

Pág. 120
(...) tinha saído de uma investigação criminal pavorosa e entrado num holocausto inacreditável. Como aquilo era possível em um mundo como o nosso? Milhares de pessoas morrendo daquele jeito todos os dias!

(...).

Os janjawids estavam sempre patrulhando o deserto, (...). Qualquer um que se aventurasse a sair corria o risco de ser estuprado, baleado ou as duas coisas.

Pág. 122

Além disso, fiquei encantada com as paisagens descritas da selva africana, parecia que eu estava lá. Teve uma cena que achei tensa demais em que Cross quase foi devorado por um crocodilo.

Numa terra sem lei, Cross trava uma batalha pessoal contra a corrupção e uma conspiração sem fronteiras. No entanto, quando não se sabe mais quem são os mocinhos e quem são os vilões, ninguém está em segurança, porque há um assassino em massa, terrorista e matador de aluguel -, cuja gangue (monstros frios, ensandecidos e sedentos de sangue) prendem, torturam, massacram e dizimam famílias inocentes -, que pode ter ligações com o governo. Será?

Apesar dos horrores e dos assassinatos sem sentido, a África tinha pessoas bondosas e desamparadas que estavam vivendo um pesadelo de terror.

Cross já testemunhara e investigara assassinatos e carnificinas suficientes para mais uma vida, mas nada preparou-o para o caos insano, a miséria, os horrores de tortura, genocídio e o sofrimento de mulheres e crianças inocentes.

No final, ele dá um golpe de mestre e finalmente desvenda uma conspiração que ligam os assassinatos aos governos americano e africano.

E fica aquela tensão no ar: "Alex Cross será a caça ou o caçador?". Isso você só saberá lendo o livro, claro! [risos].

O próximo volume da série é Eu, Alex, Cross, mas em comparação com este achei bem ameno, porque O Dia da Caça foi repleto de ação e adrenalina, que deixou-me com o coração na mão nas cenas onde Cross foi brutalmente torturado em uma leitura que fluiu rapidamente entre os capítulos curtos e ágeis num ritmo eletrizante, cuja aventura e suspense foi de tirar o fôlego.

Série Alex Cross
  • Na Teia da Aranha (Along Came a Spider)
  • O Beijo da Morte (Kiss the Girls)
  • Jack & Jill: O Jogo da Morte (Jack & Jill)
  • Gato e Rato (Cat & Mouse)
  • Caçada ao Predador (Pop Goes the Weasel)
  • Roses are Red
  • Violets are Blue
  • Four Blind Mice
  • The Big Bad Wolf
  • London Bridges
  • Mary, Mary
  • Um Desafio para Cross (Cross)
  • Dupla Cilada para Cross (Double Cross)
  • O Dia da Caça (Cross Country)
  • Eu, Alex Cross (I, Alex Cross)
  • Fogo Cruzado (Cross Fire)
  • Kill Alex Cross

Hotsite do autor no Brasil - Editora Arqueiro

http://www.editoraarqueiro.com.br/jamespatterson/


P.S.: Andei pesquisando os livros que fazem parte dessa série, mas não achei alguns títulos aqui no Brasil dos livros em inglês, porque tive a impressão que não foram publicados, porque alguns que já conhecia (mas nunca tive a oportunidade de ler, porque o preço não era acessível) foram publicados há anos por editoras diferentes. Se você souber os títulos destes, favor entre em contato ou deixe em seu comentário abaixo. Agradeceria muito.

13 comentários:

  1. Troquei um livro meu por esse dias atrás, pela sua resenha acho que vou gostar...
    Pena não ter todos os livros publicados, eu gosto de ler a série toda em ordem e tal...
    beijos,
    Dé...

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  2. Oi, Hérida.

    Concordo com você e fico triste porque demorei anos para ler livros desse autor. Se soubesse que eram assim, já teria lido faz tempo!!!

    Com certeza, lerei os outros.

    Beijos.

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  3. Oi Carla,
    Eu adorei esse livro! James Patterson tem uma escrita ágil e muito cativante. Ele escreve tramas policiaias enxutas e sem enrolação. Leitura muito prazerosa. Quero ler outros livros do autor.
    Bjs

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  4. Carla!
    Não li olivro ainda, aliás, nenhum da série, mas achei bem interessante, gosto do estilo
    cheirinhos
    Rudy

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  5. OI Carlinha!

    Eu ainda não li esse livro, só li o próximo. Estou com vontade de ler kkkkk

    Bjs

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  6. Oi Carlaaa :D

    Meeee, que sérieeeeeeeee enorme, nem fazia ideia :X

    Eu to louca pra ler algo do James, mas acho que devo começar com o romance O diário de Suzana para Nicolas, acho que faz mais o meu gênero :DBeijocas,Larinae - Leituras & Devaneios

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  7. Oi, Kassia.

    Que bom que você gosta desse jeito. Acho bom pra facilitar aos leitores.

    Esses livros, pelo menos os lançados aqui, são raros de achar.

    Por isso, torço muito para que sejam relançados. Seria maravilhoso acompanhar a série desde o princípio.

    E estamos perdidas. Desse jeito vamos à falência!!! [risos].

    Beijos.

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  8. Adoro quando vc coloca a lista de livros da série, fica tão melhor de visualizar! Mas, ao mesmo tempo, dá um medo! O fato de O Dia da Caça ser o 14º dessa série faz meu subconsciente querer lê-lo só dps dos outros 13, mas como está difícil achar... Cada dia que passa, quero mais ler essa série! \o/ Ai, meu bolso. rsrs

    Bjs.

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  9. Oi, Nanie.

    Nunca tive problemas em ler fora de ordem, porque sempre pego do segundo volume em diante, mas nesse caso é complicado mesmo, porque tem coisas do personagem que só descobri na Wikipedia. [risos].

    Mas você vai gostar mesmo assim, porque Cross é um personagem cativante!

    Beijos.

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  10. Oi, Nanie.

    A escrita dele em suspense policial é bem diferente de O Diário de Suzana para Nícolas, mas é ágil e simples.

    Quanto a série avançada, eu não senti nenhum problema lendo esse livro, mas isso veio a acontecer com Eu, Alex Cross no final quando foi revelado o assassino. Tive até que procurar no Wikipedia para saber quem era essa pessoa e descobri que era um inimigo de livros anteriores. [risos].

    Torço muito para que estes livros sejam relançados aqui, o que seria maravilhoso para acompanhar a série desde o princípio, já que alguns deles são raros de achar e caros também. :(

    Mas leia que você vai apreciar muito.

    Beijos.

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  11. Ah, entendi...
    Eu acho tão estranho começar a ler uma série lá do meio... preferiria ler tudo na ordem certa... 
    heheheh
    Vamos ver se consigo ler algo dele =D

    Beijos,
    Nanie
    Nanie's World

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  12. Sabia que era série mesmo antes de ver o final do post Carla. 
    Ele parece ser tãooooooo intenso! kkkk.
    Não li nada desse autor ainda, acredita???
    Essa parte da tortura não gosto muito, mas sei que faz parte dos livros, vou adicionar a minha lista, oh meu Deus mais uma série imensa para fazer! kkkkkkk

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  13. Ainda não li nenhum livro policial desse autor... mas depois de me apaixonar pela escrita dele em Diário de Suzana para Nicolas tenho muita vontade de conferir =D

    Não atrapalha que esse seja um livro lá na frente da série?!

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