A Garota do outro lado da Rua - Lycia Barros


A GAROTA DO OUTRO LADO DA RUA
LYCIA BARROS
Novo Século

Primeiramente, quero dizer que ao iniciar a leitura deste romance juvenil focado nos dilemas e conflitos da adolescência e no tema ecológico, deparei com esta linda citação de Sirius Black, personagem da saga do bruxinho Harry Potter, contida no livro "Harry Potter e a Ordem da Fênix", que deixou muitas saudades:

"O mundo não se divide em pessoas boas e más.
Todos temos luz e trevas dentro de nós.
O que importa é o lado o qual decidimos seguir.
Isso é realmente o que somos."

Este romance é narrado sob a perspectiva de três jovens: A primeira parte, intitulada “Borboleta”, traz uma personagem que a princípio desconhecemos quem seja, mas só descobrimos no desfecho final e comovente onde você vê uma analogia através de um diálogo fofo que tem tudo a ver com o título deste capítulo; as outras partes são intercaladas sob a visão de Rafaela e de Enzo.

Enzo é um nerd que
leva uma vida rotineira e monótona. Herdou da mãe a inteligência, a paixão pela botânica e o amor pela natureza. Generoso, protetor, sereno, intelectual, sarcástico e aplicado nos estudos sofre “bullying” dos colegas cruéis e esnobes, porque faz parte dos excluídos.

Desde a infância, nutre um amor platônico por Rafaela, sua vizinha, que frequenta o mesmo colégio e é ligada em moda. Completamente oposto dela, que era linda, popular e cobiçada por todos, ele era o quatro-olhos e excêntrico da turma. Vivia sonhando acordado com a colega, que não sabia da sua existência e sequer suspeitava dos seus sentimentos, já que ele é tímido e nunca interagiu com os vizinhos por ser avesso à badalação.

Ambos têm alguns dramas familiares em comum e muito mais do que sequer imaginam. Ela reside com a mãe, e ele com a avó paterna esclerosada e o pai protetor, cujo único prazer na vida é a pescaria, porque há quatro anos perdeu a alegria de viver após a morte da esposa.

Um dia, sua vida muda drasticamente em uma excursão no colégio na Floresta da Tijuca, quando acabam sendo vítimas de assaltantes à mão armada.

Eu queria poder abraçá-la ou colocá-la atrás de mim, mas sabia que qualquer movimento poderia desencadear violência por parte deles. Um dos bandidos andava pelo círculo, encarando e intimidando as pessoas muito inquieto. Fiquei me perguntando se ele estaria drogado, pois parecia estar jorrando adrenalina.

Pág. 27

E, consequentemente, acabam se perdendo na mata (esta foi uma das partes mais realistas de sobrevivência na selva, porque a autora descreveu tão bem as cenas e as situações que acabei sentindo na pele o medo e a angústia dos personagens para sair deste sufoco).

'Como é que é?' pensei em silêncio, com um sorriso arrasado. 'Ela preferia ter morrido com aquele panaca?'

Pág. 29
- Acha que se eu ficar perdida aqui vou sobreviver? Ainda mais com você? Um Indiana Jones paraguaio.

Pág. 36

A partir daí, tentam sobreviver na mata e começam a perceber o quanto tem em comum encarando a verdade sobre eles, que vivem em função das aparências.

Fiz o possível para ignorar o perfume convidativo que emanava dela. Minha vontade era inclinar-me para o lado e dar-lhe uma boa fungada no pescoço. Rafaela parecia estar desconcertada com a nossa proximidade.

Pág. 32
- (...), há algum motivo para ser tão generoso comigo? Qualquer outro já teria me largado na mata.

Pág. 61

Enquanto, me identifiquei com Enzo, que era um cavalheiro, sensato, tímido, educado, responsável, prestativo, sincero, centrado, com grande autocontrole, qualidades e aspirações incomuns aos jovens dessa idade, me surpreendi muito com Rafaela por sua imaturidade, futilidade, superficialidade, imprevisibilidade, ingratidão, rabugice e despeito, mas sabia ser doce, amável, amistosa e expressiva. Era fútil, impulsiva, egoísta, mimada, desdenhosa, irritante e insuportável, com oscilações de humor, sempre exigindo ou pedindo algo em troca, sempre pensando em si e não respeitando os sentimentos alheios, o que o magoava demais, porque era mimada e completamente diferente do que ele sempre idealizou. Mesmo com todos os seus defeitos, seus sentimentos por ela aumentavam.

Será que essa personalidade de Rafaela de agir impulsivamente por vaidade refletindo nas suas ações é só fachada ou medo dos sentimentos que Enzo desperta-lhe?

(...), eu só queria... saber como era beijar alguém que me amasse de verdade. Sentir uma sensação diferente.

Pág. 73
Minha vida era tão simples antes de conhecê-lo... Eu a quero de volta. Quero voltar a me sentir bem comigo mesma. Quero sair dessa selva. E quero um repelente, pelo amor de Deus! (...).

Pág. 76

Será que Enzo está completamente iludido por alguém que não merece um resquício de seus sentimentos verdadeiros?

Se ficássemos juntos agora, como seria quando fôssemos resgatados?

Pág. 67

Ele tornará a tábua de salvação de Rafaela e conseguirão se sobreviver na floresta? Ou ele descobrirá a verdade que está diante de seu nariz e encontrará um novo amor? Isso você só descobrirá lendo o livro, claro!

Este romance juvenil, de 115 páginas (que me lembrou do livro Ameaça nas Trilhas do Tarô, de Sérsi Bardari, da série Vagalume, que li tanto na adolescência), veio com um suplemento de leitura e é o quarto livro da Lycia Barros que leio, cujo final me surpreendeu.

A leitura fluiu rapidamente, de forma envolvente com um enredo singelo com aventura, romance, tensão, aonde a autora conduziu a narrativa com maestria, coerência e ensinamentos sem perder o foco central dos personagens, que me trouxeram um conflito de emoções pelas suas atitudes, mas garanto que qualquer leitor acabará identificando-se com cada um, porque também já vivenciamos isso em algum momento de nossa adolescência e, com essa experiência, eles vão se autodescobrindo.

Mais uma vez, a autora explorou o lado simples da narrativa focando em temas bem atuais e trazendo uma bela lição acerca da fauna, da flora e de viver sob as aparências em uma linguagem comovente e divertida, além de trazer à tona a doce ingenuidade do romance na adolescência, onde tudo era mais doce e simples, completamente descomplicado, trazendo-os para a dura realidade rumo à fase adulta.

Adorei o design da capa e apreciei
cada um dos personagens, com seu jeitinho peculiar de ser, especialmente de Enzo, que é o jovem que toda mãe sonha para sua filha; e Alana, que era doce, inteligente, delicada, educada, tagarela e amante de biologia.

Aprendi muita coisa que desconhecia acerca da sobrevivência na selva. Duas cenas especiais mexeram comigo: sobre os répteis e os anfíbios (esta cena do sapo foi bem curiosa e nojenta também).

O final que era para ser previsível acabou sendo inesperado e eu apreciei muito, porque apesar desse romance ser para o público juvenil, aprendemos muito com ele, porque é tudo focado na nossa realidade, o que torna tudo muito verossímil.

A única exceção deste livro são alguns erros de revisão e diagramação que me incomodaram um pouco, mas não interferiram na história, que é excelente! O que me deixa chateada é que este não é o primeiro livro desta editora que leio deste jeito, o que é uma pena!

Deixando isto de lado, recomendo-o para quem quer um romance para relaxar depois de uma leitura tensa e relembrar sua adolescência e passar algumas horas de entretenimento.

5 comentários:

  1. Oi, Tatiane.

    Sério? De onde você é?

    Se não encontrar na sua cidade, pode contatar a autora e adquirir o livro direto com ela no site oficial - http://www.lyciabarros.com.br/ - ou nos sites das livrarias online.

    Beijos.

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  2.  Oi, Leninha.

    Lembra muito aqueles livros que líamos na adolescência da série Vaga-Lume. Recorda?
    É muito gostosa a leitura e o enredo bem realista.
    De todos os livros da Lycia que li, esté é o mais juvenil.
    A Letícia vai adorar!

    Beijos.

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  3. Oi, Carol.

    A capa é linda mesmo, mas concordo com você em relação à editora. Infelizmente, até hoje só teve um livro deles que li sem erros.

    O enredo é ótimo, leve e divertido focando no universo juvenil com temas bem atuais.

    Você vai gostar.

    Beijos.

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  4. Oi Carlinha,

    Eu achei a capa deste livro mtuuuu linda. Só que Novo Século é fogo. Acho que mesmo não sendo o Selo Novos Talentos, a editora continua pecando. Mesmo assim tenho muita vontade de ler o livro! :) Gostei da sua resenha e do fato dele ser bem realista.

    Beijos

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  5. Ai! Eu quero, eu preciso, eu necessito ler esse livro. Apaixonante!

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