A Culpa é das Estrelas - John Green

A CULPA É DAS ESTRELAS
JOHN GREEN
Intrínseca

Este livro com 288 páginas, cujo original em inglês The Fault in Our Stars, é o primeiro do autor que leio e só tenho a dizer que foi profundamente tocante.

Hazel é uma jovem inteligente, tímida, extrovertida, bookaholic e irônica que esbanja um sarcasmo puro, porque tem um humor negro contagiante, sem uma gota de autopiedade. Tudo isso seria normal, se não fosse uma doente terminal de câncer de tireoide com metástase nos pulmões, cujo tratamento ainda lhe estende alguns anos de vida.

- (...), mesmo você TENDO TIDO UM RAIO DE UM CÂNCER ainda dá dinheiro para uma empresa em troca da chance de ter MAIS CÂNCER. Ai, meu Deus. Deixe eu só dizer para você como é não conseguir respirar? É UM INFERNO. Totalmente decepcionante. Totalmente.

Pág. 25

Apesar da aparente fragilidade por conta da doença é uma pessoa forte e uma inspiração para todos. Há três anos não frequenta a escola e seus pais são seus únicos amigos, além do autor do romance "Uma Aflição Imperial" que a faz sentir-se especial. Tem o sonho de conhecê-lo e descobrir o que aconteceu no final do livro. Se preocupa com todos ao seu redor e não fica se lamuriando, porque encara a verdade de frente.

Sua vida dá uma guinada quando conhece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer, o lindo, carismático, pretensioso, charmoso, educado, romântico e sarcástico, como também adepto de metáforas Augusto Waters, que está em remissão há mais de um ano devido a um osteossarcoma, que causou a amputação de uma perna. Cada dia vive na incerteza de sua sobrevivência e n
ão queria ser digno de pena.

Sua grande paixão eram os games e os romances hediondos e de ficção científica. Contagiava a todos com sua coragem, empolgação e senso de humor. Vaidoso e consciente de seus atributos físicos esbanjava uma aura de cafajeste, mas era confiante, irresistível e emanava uma ingenuidade e carência encantadoras.

- Estou em guerra contra o quê? O meu câncer. O que é o meu câncer? Meu câncer sou eu. Os tumores são feitos de mim. Eles são feitos de mim tanto quanto meu cérebro e meu coração são feitos de mim. É uma guerra civil (...), a gente já sabe quem vai vencer.

Pág. 196

Juntos preencherão o vazio que carregam em suas vidas, porque ambos têm muito em comum e viverão em um mundo idílico para fugir um pouco da realidade esmagadora em que vivem e, como se não bastasse, há uma reviravolta do destino que muda suas vidas para sempre.

- Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você, e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó (...).

Pág. 142
- (...), meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito.

Pág. 235

Não tenho palavras suficientes para descrever todas as emoções que senti ao lê-lo, cuja narrativa é em primeira pessoa sob a perspectiva de Hazel. É um romance primoroso, intenso e dosado na medida certa, porque apesar do tema intenso não há nada de melancólico, já que o enredo é pungente, dilacerante, inspirador, corajoso, irreverente e, ao mesmo tempo, doloroso e cruel, repleto de reflexões que tocará seu coração mostrando as agruras e alegrias da vida e do amor.

No decorrer da leitura, tive muitas emoções conflitantes acerca dos personagens, já que para mim foi complicado porque o li seguido de “Ausência”, da autora Flavia Cristina Simonelli, que é um romance forte e tocante, focado no Mal de Alzheimer, mas falarei sobre ele brevemente.

Fico me perguntando: “Onde foram parar os finais felizes que tanto ansiamos nos livros?”. E isso tudo é culpa das estrelas, do John Green como também de inúmeros autores que tenho lido atualmente. Se você é fã dos romances dramáticos do Nicholas Sparks, está preparado para ler este que é focado na realidade de muitas famílias e profundamente tocante.

Apesar desse pormenor, me diverti em muitas cenas engraçadíssimas, especialmente duas com as quais me identifiquei demais, como a lista de como ser uma boa enfermeira (Já perdi a conta de quantas vezes meu braço foi alvo de um jogo de dardos) e do final do livro que deixou Gus completamente surtado (quem já leu algo e nunca acreditou no desfecho do enredo?). Tive curiosidade em ouvir as músicas, ler os livros e jogar os games citados neste romance para adentrar na vida dos personagens, mas é uma pena que isso foi apenas fruto da imaginação do autor.

Emocionei-me com a viagem à Amsterdã, especialmente no lugar em que viveu Anne Frank, como também me debulhei em lágrimas em diversos momentos da narrativa, porque tive meu coração despedaçado. Aconselho-os a terem uma caixa de lenços ao seu lado para se aventurar nessa impressionante jornada.

Um romance onde você sente na pele os dramas daqueles que lutam contra a doença. É tudo muito real, doloroso e palpável.

Em citações belíssimas e inspiradoras que trazem muitas reflexões, a principal que o livro mostra que a alegria, o amor verdadeiro e singelo é capaz de curar qualquer melancolia em nosso âmago. Independente de estar doente ou saudável, valorize esse dom precioso que Deus lhes deu como se fosse o último dia de sua existência, vivendo intensamente e amando a cada instante que passa, porque quando não há uma luz no fim do túnel sempre há esperança e ela nunca morre.

13 comentários:

  1. Queo muito ler esse livro e A Culpa agora também é sua Carlinha, kkkk
    Linda resenha!

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  2. Um dos livros mais maravilhosos que li, me peguei chorando e rindo ao mesmo tempo, varias vezes! Que dia especial você resolveu postar sua resenha, pq hoje é Dia da Esther, menina de 13 anos em que John conheceu, que tinha o mesmo câncer que a Hazel e que como uma homenagem a ela, resolveu criar esse dia, o dia do aniversário dela, em comemoração ao amor entre as famílias e os amigos!
    Então Feliz dia da Esther a todos!

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  3. Carla Fernanda03/08/2012 15:26

    Oi, Leninha.



    Esse livro é maravilhoso! Chorei demais.

    O que comentei acima não é nada diante da grandiosidade do tema.

    Você vai amar!

    Beijos.

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  4. Carla Fernanda03/08/2012 15:31

    Oi, Michele.

    Também senti as mesmas emoções que você.
    Este livro entrou para a minha top list do ano!
    Já conhecia esse fato sobre a Esther. É comovente.

    Beijos.

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  5. As resenhas que tenho lido deste livro têm me conquistado cada vez mais. Além da capa simpática, o enredo parece ser singelo, bonito e tocante sem ser apelativo. Quando li a sinopse pela primeira vez, lembrei de "Branca como o leite, vermelha como o sangue", de Alessandro D'Avenia (um livro lindo, inesquecível até).
    bjs
    escrevendoloucamente.blogspot.com

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  6. lerdormircomer03/08/2012 20:05

    Oi, Carla! Já tinha lido algumas resenhas desse livro, e com certeza é um dos livros que eu mais desejo ler. Tenho absoluta certeza de que vou adorar. Sua resenha, principalmente, nos faz perceber o quanto esse livro é tocante.


    Um beijo,
    Inara - http://lerdormircomer.blogspot.com.br/

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  7. Oi, Inara.

    Este livro é sensacional e catártico emocionalmente.
    Leia que vale a pena!

    Beijos.

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  8. Oi, Dé.

    Pela sinopse, já temos uma ideia do final, mas vale a pena cada página lida, porque é um daqueles livros p/ ficar na nossa memória.

    Depois de ler dois livros dramáticos seguidos, estou procurando algo mais leve. :-)

    Beijos.

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  9. Oi, Lulu.

    Que filme é esse? De título não me recordo.

    Quando vi a temática também fiquei receosa, mas quando você começa a ler esquece da doença em si e se vê torcendo pelos personagens.

    Há uma pureza e uma doçura entre Hazel e Gus que você acaba se apaixonando por eles. Leia que vale a pena!

    Beijos.

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  10. Oi, Carla!


    Linda resenha...mas outro dia assisti um filme "O presente" que aborda também o câncer e ainda me pego chorando, por isso, não me arrisco a ler esse livro. Você me conhece, neh?
    Beijos
    Luciana
    http://www.apaixonadaporromances.com.br/

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  11. Oi, Aline.

    Este enredo é maravilhoso! É impactante, que você não encontra palavras para descrevê-lo. Nunca li este livro do Alessandro D'Avenia, mas tenho curiosidade em lê-lo e já ouvi críticas elogiosas a respeito.

    Leia que você vai se encantar pela pureza e inocência do primeiro amor, mesmo com essa doença terminal.

    Beijos.

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  12. Débora Lauton02/09/2012 20:49

    Nossa, esse eu gostei... parece ser muito bonito apesar de não ter a menor ilusão de um final feliz, né??
    Realmente parece que cada dia mais temos livros dramáticos a nossa disposição... afinal é bom dar uma mesclada de vez em quando, né??


    beijos,

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  13. Carla!
    Sua resenha foi linda, me emocionei com o que você disse.
    Tenho livros do Nicholas Sparks, mas ainda não os li (fico me preparando psicologicamente para começar a leitura).
    Mas já estava com vontade de ler esse livro e depois do que li na sua resenha a vontade só aumentou.

    http://grilsandbooks.blogspot.com.br/

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