Cinquenta tons do Sr. Darcy: uma paródia - Emma Thomas

CINQUENTA TONS DO SR. DARCY: UMA PARÓDIA
EMMA THOMAS
Bertrand Brasil


Este livro (Fifty Shades of Mr. Darcy: a parody, de 304 p.) é uma paródia inusitada de Orgulho e preconceito e da trilogia Cinquenta tons de cinza, respectivamente, das escritoras Jane Austen e E. L. James.

Elizabeth é uma dama inocente, bem-educada, respeitada e de status social inferior, porque sua família possui recursos escassos.

Como as heroínas românticas dos livros atuais, ela é propensa a acidentes, tem senso de humor e baixa autoestima, mas possui inteligência, impertinência e uma teimosia fora de série, mesmo sendo uma ávida leitora de romances, que sonha em ser uma revisora de textos ou agente literária, mas não se atrai por assuntos do coração.

Seu passatempo era bordar, passamanaria, colecionar conchas, recortar papéis. Adora recitais de espineta, mas acha que trabalhar estimularia sua vaidade, além das atividades domésticas, o que era tentador, já que também se ocupava dos estudos, de jardinagem e caminhadas pelo campo.

Ela e Jane, sua irmã virtuosa, ficavam mortificadas com as gírias impróprias da vulgar Sra. Bennet, que não aguentava ser mãe de moças conservadoras e virgens.

Quando Jane é cortejada pelo Sr. Bingulin, Lizzie tem a oportunidade de conhecer seu amigo íntimo e bilionário, Sr. Fitzwillian Darcy, por quem se vê irremediavelmente atraída e se deixa levar por seu estilo de vida obscuro.


"Admita que o Sr. Darcy tem algo que a atrai?", gritou a sádica interior, agarrando o cabelo do subconsciente.
Pág. 22

A princípio é desprezada por esse proprietário de terras, presunçoso e altivo, complexado e psicologicamente instável. Filantropo, é um sedutor e possuidor de vícios abomináveis pelo fato de ser insaciável e pervertido sexualmente. Mesmo destituído de sentimentos, Lizzie desperta algo profundo nele.


- Odeia ver a felicidade dos outros, principalmente daqueles que apreciam os sentimentos mais nobres como o amor, a honra e a confiança, e não dividem com ele suas predileções obscuras.
Pág. 94

Desde o início, ele deixa claro que não quer nenhum envolvimento romântico. Sempre fala em duplo sentido e age como um maníaco sexual, que simplesmente não se deixa humilhar.


- Não faço amor, Srta. Bennet. Eu transo, eu como, eu fodo, eu trepo.
Pág. 6

Apesar de descobrir um novo mundo, ela tentará salvá-lo dessa vida libertina de práticas sexuais lascivas com todo tipo de parafernália pervertida (plugues, vibradores, algemas, chuvas douradas, chicotadas e bolinhas tailandesas, mesmo que fossem inexistentes na época) que guardava no Armário Azul de Vassouras e colocar um rumo em sua vida tornando-o menos complicado e taciturno, porque sempre foi exposto a ambientes obscenos e luxuriosos.


Seria capaz de salvar aquele nobre sexy com olhos cinzentos ardentes e personalidade tão fodida?
Pág. 208

Lizzie abandonará a família e a reputação para viver em um mundo sadomasoquista? Se você leu as duas obras acima, já sabem o desfecho.


- Oh, Srta. Bennet, você é tão inocente (...). Eu não sou bom para você. A senhorita deveria se manter longe de mim.
Pág. 185

Uma sátira de erotismo e intimidade com personagens complexados e, ao mesmo tempo, vulneráveis e indefesos.

São raras exceções, mas eu nunca gostei de adaptações dos meus clássicos focados em nossa atualidade. Por se tratar de uma paródia, decidi ler com a mente aberta e relevar algumas questões. Se por um lado eu ri de situações engraçadíssimas e absurdamente bizarras, entre elas: os devaneios do subconsciente e da sádica interior, a troca dos nomes dos personagens (Sr. Bingulin, Lady Catherine de Bruços, Curraline Bingulin) e de cartas trocadas entre os personagens que deixavam os empregados à beira da exaustão e eles se questionavam se não tinham um meio que facilitasse a comunicação (nada como um e-mail, né?), por outro tive minhas fantasias destruídas acerca do meu herói romântico e da heroína inteligente, corajosa e incansável (o curioso é que isso é mencionado no livro, quando Lizzie fica horrorizada com algo que Darcy faz, que não condiz com o mocinho que nós idealizamos. Só lendo mesmo para saber).

 
Com certeza, Jane Austen deve estar se revirando no túmulo em choque! Sempre idealizei algo a mais em sua obra e me animei, porque achei que essa paródia seria o meu sonho realizado, mas deturpou este clássico, o que me frustrou!


"Cinquenta tons?", perguntou seu subconsciente. "Quarenta e nove deles parecem ser da pior qualidade.”
Pág. 223

Imaginei que o livro fosse me divertir mostrando um lado sensual como estamos acostumados a ver nos romances, mas infelizmente por se tratar de uma paródia tudo foi extremamente ironizado, por que se você é fã do clássico "Orgulho e Preconceito" ou do fenômeno erótico "Cinquenta tons de cinza" ficará penalizado ou até mesmo indignado ao ver que esculacharam as obras, sem o menor senso de limite afrontando as atitudes e depravações dos personagens que perderam os bons costumes e decoro dessa época retratada na obra de Austen, o que tornou tudo muito controverso, mas você tem que saber dosar seu humor, porque é tudo muito subjetivo.

Por isso, não sabia se ria ou chorava, tampouco conseguia lê-lo como um livro só. Como li as duas obras em questão, eu separava-as e tentava captar as piadas sarcásticas por conta dos elementos presentes em ambas.

Se você não as leu, vai se sentir completamente perdido e confuso e não entenderá as ironias. Agora se leu e não gostou dos romances e curte um bom humor, como daqueles filmes que parodiam tudo e que são hilariantes, é válido, porque externará tudo o que um dia você quis gritar aos quatro ventos!


- Pois saiba que o senhor é um personagem mal desenvolvido e unidimensional – reagiu Elizabeth. – Cinquenta tons? Está mais para dois: "desesperado por sexo" e "mal-humorado”.
A raiva a tornou verbosa, e ela continuou:
- Quem, eu lhe pergunto, quem, com 28 anos, controla uma companhia global multimilionária apenas atendendo ao telefone ocasionalmente e dizendo “Fale com Peters” e “Pegue isso lá na terça-feira”? O que o senhor faz na prática? Além disso, que heterossexual tem músicas de Nelly Furtado no iPod, para não mencionar o fato de achá-las uma trilha sonora adequada para uma sessão de sexo sadomasoquista?
- Srta. Bennet – interrompeu o sr. Darcy com voz fria -, creio que esteja discutindo o livro errado.
Elizabeth se deteve.
- O sr. está certo, sr. Darcy – respondeu ela com seriedade. – Nesse ponto, rogo-lhe que me perdoe. É bastante confuso estar em uma mistura de dois romances tão diferentes.
Pág. 126

Quero deixar claro que esta é apenas a minha opinião como leitora, que é divergente de muitas. Foi muito difícil descrever em palavras os meus sentimentos conflitantes ao longo da leitura, porque não sabia se prosseguia ou não, mas minha curiosidade venceu e queria ver como terminaria e quase me engasguei com o desfecho, que tem algo relacionado ao título (não direi o que, porque seria SPOILER!), que foge totalmente da complexidade da personalidade de Christian Grey, em Cinquenta tons de cinza, o que mudou completamente a premissa da história, que poderia ter sido melhor desenvolvida, e que me deixou estupefata, porque os traumas e as nuances de Sr. Darcy são de matar... de consternação ou de gargalhar? Você decide!


 

18 comentários:

  1. Adorei sua visão sobre o livro Carla, é sempre bom ter várias visões sobre livros controversos, e esse eu quero ler e tirar as minhas próprias conclusões!

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    1. Oi, Leninha.

      Também adoro ver perspectivas distintas sobre um mesmo livro.

      Você sabe que sempre dou uma chance a um livro.

      Leia e depois volte aqui para saber o que achou. :)

      Beijos.

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  2. Sou só eu que sinto que a diva Jane Austen se revira no tumulo com algo desse estilo? Eu sei que é uma história como qualquer outra, mas, não pretendo lê-la. Me aperta o coração haha

    Beijos,
    @HLavelle

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    1. Oi, Tau.

      Não é só você não, porque também estou nesse clube.

      Não é a primeira vez que vejo algo satirizando Jane Austen, mas um deles em que ela era uma vampira foi bem interessante.

      Mesmo assim não gosto que adaptem qualquer clássico, como eu disse acima, porque eles são perfeitos como estão.

      Beijos.

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    2. Isso mesmo Carla, eles são clássicos por algum motivo. Bem, eu não sei você, mas o Mr. Darcy é o grande amor da minha vida (haha) e imagina-lo alá Sr Gray não me agrada. E, nem é por isso, é o fato das pessoas fazerem isso porque é modinha! Nunca li nenhuma adaptação de clássicos, acho que vou acabar nunca lendo haha

      Beijo.

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    3. Oi, Tau.

      Concordo com você, por isso disse que não conseguia lê-lo como um só. Ficava separando. hahaha.

      Sr. Darcy é o sonho de todas as mulheres. Não consegui vê-lo como o Grey. Gosto dos dois à sua maneira, mas Darcy é eterno. :)

      Sempre digo a mim mesma, que não lerei mais adaptações, mas a curiosidade sempre vence, mas muitas vezes saio frustrada.

      Beijos.

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  3. Oi Carlinha!

    "Se você não as leu, vai se sentir completamente perdido e confuso e não entenderá as ironias. "

    Eu ainda não li o clássico, então imagina a "salada" que vou fazer na história...

    Vou deixar essa de lado =(

    Bjs!

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    1. Oi, Carla.

      O clássico é maravilhoso. Leia que vai amar!

      Beijos.

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  4. Oi Carla!

    Eu tenho o livro Orgulho e Preconceito, vou ler e depois quero conferir a história de cinquenta tons do Sr.Darcy rs.

    Beijos e Até o próximo post!
    Lu ♥ Apaixonada por Romances

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    1. Oi, Lu.

      Vai amar o livro da Austen. Darcy é o meu herói romântico preferido.

      Como sei que já conhece "Cinquenta tons", leia e depois confira este e me diga o que achou. :)

      Beijos.

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  5. Eu acho que deve ser ruim demais Carla, uma coisa é uma paródia outra é um livro que tira trechos de outro o os usa de forma que acaba vandalizando os originais pra mim, perdem a graça.
    Estava até curiosa pra ler Carla, confesso, mas agora já vi que seria uma leitura que não me agradaria, por amar o clássico da Jane e por ter gostado de 50 Tons.

    Faby - Adoro Romances de Aracaju

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    1. Oi, Fabiana.

      Estava muito curiosa acerca deste livro e acabei me frustrando pelos motivos mencionados acima.

      Se você curte paródias, é uma boa pedida.

      Beijos.

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  6. OLá Carlinha,

    Não curto muito paródias exatamente por tirarem toda a sensibilidade dos personagens criados outrora, espera que esse fosse bom, mas não parece.

    Bjs

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    1. Oi, Thais.

      Concordo plenamente. Também não curto, são raras exceções.

      Li por curiosidade mesmo e não sabia se ria ou chorava.

      Fiquei um pouco frustrada.

      Beijos.

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  7. Oi, Carlinha!

    Ainda não tinha lido nenhuma resenha desse livro. Preciso dizer que sua resenha me deixou bastante desanimada agora... Eu não li "Orgulho e Preconceito", mas, mesmo assim, o livro não chamou a minha atenção, não.

    Um beijo,
    Inara - http://www.lerdormircomer.com.br

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    1. Oi, Inara.

      Muitos adoraram, por isso deixei bem claro na resenha, que esta era apenas minha opinião que diverge de muitas.

      Pode ser que você aprecie. Se curte paródia, é um prato cheio.

      Leia o clássico da Austen que você vai amar! :D

      Beijos.

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  8. Carlinha, adorei a sua resenha! E ela me deu a certeza de que esse é um livro do qual passarei longe.
    Eu detesto histórias que mexam com os meus clássicos favoritos e da forma como você descreveu essa, eu não vou gostar de lê-la e menos ainda de ver Lizzie e Darcy de outra forma >< heheheheh

    Beijos,
    Nanie

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    1. Oi, Nanie.

      Também fico triste quando fazem isso. São raras as exceções que apreciei.

      Amo os clássicos, principalmente os da Jane Austen e das irmãs Brontë.

      Depois de ter lido este nunca mais verei Darcy e Lizzie da mesma forma, mas valeu a experiência. [risos]. Continuo vendo-os como sempre idealizei em minha imaginação. :D

      Beijos.

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