No Escuro - Elizabeth Haynes

NO ESCURO
ELIZABETH HAYNES
Intrínseca


Primeiro livro da autora que leio (Into the Darkest Corner, 333p.) e que me surpreendeu positivamente porque adoro um thriller de suspense eletrizante e já fazia um tempo que não lia algo tão impactante.

Filha única e sem família, Catherine é uma gerente de recursos humanos encantadora, teimosa, corajosa, forte e audaciosa, mas ė mais valente do que imagina.

Ingênua, despreocupada e divertida, sempre aproveitou a vida ao máximo quando conhece Lee, um segurança de uma boate que, à primeira vista, parece ser o homem que toda mulher sonha e se encanta por ele.

Infelizmente, as coisas começam a ruir e sente-se cada vez mais isolada com seu comportamento intimidador e amedrontador e, ao mesmo tempo, controlador.

Até que um dia se deu conta de que precisava fugir, porque ele tinha um lado sombrio que não conseguia decifrar. Por isso, procura uma maneira de escapar de seu jugo, mas sente-se cada vez mais no escuro, porque ninguém acredita nela, que se vê sem saída.


Eu me lembro da sensação de esperar que ele voltasse, sabendo que não podia fazer nada para escapar, que de nada adiantava correr ou resistir. Era mais fácil simplesmente me entregar.
Pág. 156

Anos mais tarde, sua existência se torna um fardo inútil devido ao medo que permeia sua vida tornando-a árdua demais, porque luta para evitar essas imagens do passado em sua mente
, já que tem a sensação de que ele está à espreita e sente que está perdendo a razão cada vez mais.

Eu o vejo em todos os lugares, o tempo todo. Sei que ele não pode ser os homens que vejo, pois ele se encontra a milhares de quilômetros de distância, (...). Mas ainda assim ele me assombra, uma aparição frequente, lembrando-me de que nunca vou me livrar dele. Como eu poderia, se ele ainda está dentro da minha cabeça?
Pág. 63

Aos poucos, tenta reconstruir sua vida. Vive isolada e insegura por conta do TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) e do TEPT (transtorno do estresse pós-traumático). Além de lutar para esquecer tudo o que sofreu, tem de lidar com várias compulsões, entre elas (nesses momentos era terrível sentir isso na pele da personagem): verificar a porta do seu apartamento e do prédio, janelas e cortinas, a gaveta da cozinha e outros cômodos. Evitava roupas vermelhas, a polícia e lugares cheios. Tinha algumas regras, como: horários para tomar chá, fazer compras em dias pares e contar todos os seus passos.


O tempo todo, noite e dia, meu cérebro gera imagens de coisas que aconteceram comigo e coisas que podem acontecer. É como assistir a um filme de terror repetidas vezes, sem nunca se tornar imune ao medo.
Pág. 28
Meu coração ainda estava acelerado.
Com um suspiro, levantei da cama e fui até a porta para começar tudo novamente.
Isso não pode continuar. Já faz mais de três anos. Isso tem que acabar, tem que acabar.
Nessa segunda ronda, repeti todo o processo verificando tudo doze vezes, para só então passar para a janela da frente.
Pág. 24

Com um arremedo de vida, Cathy é incapaz de encarar qualquer tipo de confronto ou conselho. Também com traumas do passado, seu vizinho Stuart ajuda-a a enfrentar seus piores medos, porque ele era intenso, afetuoso e ela sentia-se segura ao seu lado.


Por um instante, tive vontade de abraçá-lo. Queria saber como seria estar entre seus braços, se me sentiria mais segura ou não.
Pág. 50

Quando tudo está entrando nos eixos, um telefonema inesperado coloca em risco tudo o que conquistou, abalando suas estruturas e a faz voltar à estaca zero.

E agora? Catherine enfrentará seus piores receios encarando o que mais teme de frente?


De que adiantaria correr, afinal de contas? Não tinha funcionado da última vez, e tampouco funcionaria agora. Eu teria que ficar. Teria que ficar e me preparar para lutar.
Pág. 253

Conseguirá a paz que tanto anseia e encontrar a felicidade que se perdeu ao lado de um novo amor?


Agora preciso pensar em um jeito de seguir em frente com isso. Encarar o resto da minha vida. Um dia de cada vez, um passo após o outro. Não posso continuar assim por muito tempo. Não posso.
Pág. 97

Primeiro thriller deste ano que li seguido de Garota Exemplar - ambos publicados pela mesma editora -, cujos enredos me deixaram profundamente tensa, mas me surpreenderam também.

É uma história arrebatadoramente densa, envolvente e bem construída, assim como seus personagens. Por abordar um lado obscuro e assustadoramente convincente, fiquei angustiada desde a primeira página. Nos momentos de suspense recordava-me de diversos filmes do gênero, já que nunca gostei de assistir, porque sempre fico oprimida, mas imagina essa sensação intensamente triplicada. Já sentiu o drama, né? Não dá pra descrever todos os meus sentimentos, mas só sei que mexeu profundamente com minhas emoções, porque é um livro perturbadoramente doentio.

Diante de dramas, perseguições, suspense e personagens complexos, há um lado terno e romântico através de Stuart, porque é um personagem que traz um alento de esperança a uma luz que parece ter se extinguido no fim do túnel.


- (...). Você não está mais sozinha nisso. E você pode escolher se livrar desse homem ruim, e continuar melhorando e se fortalecendo a cada dia até não sentir mais medo, ou pode deixar que ele continue prejudicando-a. A escolha é sua.
Pág. 135

A autora escreveu de forma clara e objetiva em uma narrativa intensa entremeada com capítulos de suspense curtos e transcorrida em dias intercalados entre o presente e o passado. Além do enredo em si, tem como plano de fundo a violência domestica e a impotência das vítimas diante de relacionamentos abusivos (Já li outros livros com essa temática como Sentimento Fatal, da autora Janethe Fontes, mas No Escuro realmente me chocou), o que torna tudo tão verossímil porque retrata uma realidade que atinge milhares de mulheres em todo o mundo; os transtornos de ansiedade e traumas, humor e depressão.


- Sabe o que foi o pior de tudo? – prossegui finalmente, ainda com a cabeça em seu ombro. – Não foi ficar sentada naquele quarto esperando que ele voltasse para me matar. Não foi ter sido agredida, não foi a dor, (...); o pior foi que depois, ninguém, nem sequer minha melhor amiga, acreditava em mim.
Pág. 193

Após concluída a leitura, tive pesadelos com o algoz, que me deixou aterrorizada com sua tamanha crueldade e obsessão.
Em diversos momentos, questionava-me o porquê de Cathy não denunciar seu agressor? Porque sempre perdoava-o depois de todas as agressões físicas e verbais, além das atrocidades cometidas que sofria? Ela até menciona sobre isso, o que é desolador. Tive vontade de ajudá-la a sair dessa situação e a superar seus traumas emocionais. Só lendo mesmo para saber, porque foi angustiante demais! Apesar de ter curtido o desfecho, esperava muito mais diante de tudo o que aconteceu, porque achei que foi pouco diante do que ele merecia.

Se você gosta de romances do gênero, está mais do que recomendado, mas antes se prepare psicologicamente, viu? É uma leitura que te deixará com o coração na mão.



12 comentários:

  1. Adoro livros nesse gênero e estou super afim de ler esse livro. Já esta na minha wishlist! <3

    Um beijo, Karine Braschi.
    Geek de Batom.

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    1. Oi, Karine.

      Também adoro e fazia tempo que não lia algo assim.
      O livro é muito ótimo! ^^

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  2. Eu realmente não esperava que esse livro fosse tão bom quanto você pareceu descrever. Eu cheguei a pensar em pedi-lo pra Intrínseca pra resenhar mas acabei optando por outro. No entanto, falaste de algo que me deixou com uma pulga atrás da orelha: o desfecho que não te agradou. Não te agradou porque não foi bom, foi mal construído? Ou foi por que você estava esperando outra coisa?

    PS: Esse nome Catherine e suas ramificações estão me perseguindo na literatura, sério.

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    1. Oi, Elder.

      O desfecho não me agradou, porque esperava outra coisa. Mas fique tranquilo que todo o enredo foi bem construído. Apesar de satisfatório, acho que o vilão merecia um final pior do que teve diante das atrocidades que cometeu. É isso.

      Que outra Catherine? Fiquei curiosa agora. :)

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  3. Oi Carlinha!
    Confesso que imaginava um outro final para a história, algo muito mais terrível para o bandido, rsrs.
    Bjs!

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    1. Oi, Carla.

      Também viu? Ele merecia muito mais diante das atrocidades que cometeu.
      Só quem leu, entende do que estamos falando, né?
      A única certeza é que ele me aterrorizou por alguns dias. #medo
      Beijos.

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  4. Oi, Carlinha!

    Já tinha ouvido falar desse livro. Parece bem intenso e perturbador. Me lembrou "Identidade Roubada"... Pelos trechinhos que você colocou, dá para ver que é um livro capaz de te transportar para dentro dele!

    Bom saber que você gostou!

    Beijos,
    Inara
    http://www.lerdormircomer.com.br/

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    1. Oi, Inara.

      Acredita que ainda não li Identidade Roubada?
      O livro é perturbador demais, viu?
      Se você gosta de livros do gênero, vale a pena!
      Mas se prepare para momentos tensos e de arrepiar qualquer um de medo.
      Beijos.

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  5. Louca pra ler esse livro!!
    Amei a resenha!!

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    1. Oi, Any.

      O livro é ótimo, mesmo sendo denso.
      Assim que lê-lo, me diga o que achou. ^^

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  6. Preciso ler o meu, as resenhas só aumenta minha curiosidade.
    Saudades amiga!

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    1. Oi, Leninha.

      Se você gostou do da Janethe, vai adorar este que é bem intenso e ainda mais dramático. É chocante.
      Do tipo que você curte. [risos].
      Leia, sim, e depois me diga o que achou.
      Também estou com saudades.
      Beijos.

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