A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista - Jennifer E. Smith

A PROBABILIDADE ESTATÍSTICA DO AMOR À PRIMEIRA VISTA
JENNIFER E. SMITH
Galera Record


Primeiro livro da autora que leio (The statistical probability of love at first sight, 223p.) que me lembrou demais do livro Tapete Vermelho, da autora brasileira M. S. Fayes. Distinto de Tapete Vermelho que é um livro do gênero New Adult, ambos têm em comum o romance.

Aos 17 anos, a determinada Hadley é uma leitura voraz dos clássicos (Anna Karenina, Orgulho e preconceito, As vinhas da ira e Nosso amigo comum), porque suas histórias lhe eram profundamente significativas.

Insegura, fala sem pensar e tem claustrofobia de avião, mas muita coragem, mesmo tendo medo de maionese, dentistas, aranhas, fogões e lugares pequenos.

“Seu coração acelera quando se lembra de que, em breve, vai ter que entrar num deles. De todos os lugares apertados do mundo, de todos os cantos, buracos e quinas, nada a assusta mais que um avião.”

Fará sua primeira viagem a Londres, já que seu pai - que não vê há mais de um ano e quer puni-lo - está prestes a se casar com uma mulher que ela jamais conheceu (e que odeia) e a convidou para ser madrinha. Por isso está chateada, frustrada e com um medo físico, que a deixa inquieta.

“(...) nunca tem certeza se as coisas são tão pequenas quanto parecem ou se é apenas o pânico que as encolhe.”

Quer ir para casa, e que seu lar volte a ser o que era, ou ir a qualquer lugar, menos a este casamento. Não está nada feliz, porque guarda um ressentimento contra o pai que nunca se dissolveria.

Sente-se desmoronando e para complicar está presa no aeroporto, em Nova York, mas seu caminho se cruza com o do britânico Oliver que, aos 18 anos, cresceu em Londres, mas mora em Connecticut, porque estuda em Yale.

“(...) os olhos do garoto têm um quê de solidão, como se não quisesse ser abandonado naquele momento”.

Cavalheiro, gentil e modesto, ele tem um sotaque encantador, além de um sorriso enigmático. Aparentemente charmoso, também tem suas imperfeições como todo ser humano, Oliver carrega uma grande bagagem emocional, pois já viajou com a família para vários países.

“Ela sente uma eletricidade estranha no corpo quando ele está por perto. Será que ele sente o mesmo?”

Mesmo diante da companhia inusitada, está feliz e conversam amenidades durante a viagem. Nunca acreditou no acaso ou destino, mas nem imagina o quanto ambos têm em comum e vão provar que o tempo é muito relativo, mostrando que o amor é capaz de superar muitas barreiras.

Seu pai, que era um sonhador, foi para Oxford há cerca de dois anos, lecionar poesia durante um semestre. Logo depois, decidiu-se divorciar de sua mãe sem motivo algum, mas Hadley sabia que ele tinha outra. Até hoje procura uma explicação por que sua pequena família se despedaçou de repente.

“No final das contas, não são as mudanças que partem o coração, e sim esse quê de familiaridade.”

Está preocupada pelo fato dele ter mudado muito, porque ainda não superou o divórcio, pois não aguentava a injustiça dessa situação, que crescia cada vez mais dentro de si e culpava-o.

Mesmo amando-o, odiava-o por conta da saudade torturante e do sonho de ver seus pais juntos que fazia o coração doer dentro do peito. Não tinha como ignorar a sensação de que se tornaram duas peças de quebra-cabeças diferentes e nada podia juntá-los novamente.

Depois daquele tempo e de ter dito ou não tudo o que queria ao pai, sente que está perdendo algo importante. Para ela, não havia meio-termo: era tudo ou nada, apesar da impossibilidade.

“— As coisas têm sido meio difíceis — disse com voz emocionada —, não recomendo livros para você o tempo todo, mas tem uns que são muito importantes e não podem se perder nisso tudo.”

Sempre foi próxima da mãe, mas após a separação estava furiosa como nunca estivera na vida afetando a relação harmoniosa entre as duas que ficou fragilizada e conturbada, já que as coisas nunca mais voltariam ao normal, que sempre ficariam entre a raiva e a dor.

“Ele havia acabado com a confiança delas, partira o coração da mãe, destruíra sua família. E agora ia se casar com uma mulher qualquer, como se nada disso tivesse importância. Como se fosse mais fácil começar tudo de novo do que consertar o que havia sido estragado.”

Tranquila, sua mãe, que está reconstruindo a vida, sempre amenizou as coisas, enquanto ela era passional. Seu pai deixou marcas nas duas, em uma ferida sensível que ainda não cicatrizou totalmente. A dor nunca se afastou totalmente. Mesmo desapontada com alguns namoricos, ainda anseia em encontrar um grande amor. Será que encontrará?

“A verdade é que nunca se sentiu tão segura na vida. (...) Por um segundo, fecha os olhos e o mundo ao redor desaparece. Depois de beijá-la, ele sorri, e ela está muito chocada para dizer alguma coisa.”

Quando tudo parecia estar se conectando na viagem, algo inesperado acontece por conta do destino:

“Como ele pode não ter se despedido? Ou será que foi para isso que a beijou? Mas, depois de todas aquelas horas, dos momentos que passaram, será que ela não merecia mais?”

Após isso, faz uma descoberta incrível e finalmente entende o porquê de Oliver ter estado tão solitário e é o ápice do enredo. Sente que ele foi um milagre que passou em sua vida.

“Como qualquer outro sobrevivente, sente uma leve onda de gratidão, metade adrenalina, metade esperança.”

Conseguirá perdoar o pai? E dar uma chance ao amor, mesmo conhecendo-o em um atraso de quatro minutos, que mudou sua vida para sempre?

Gostei da capa e da diagramação, mas esperava mais do desfecho, especialmente a forma como foi resolvida a questão conturbada do relacionamento entre pai e filha. Achei que a autora deveria ter desenvolvido melhor neste aspecto, além do final.

Este é mais um gênero Young Adult que tive o prazer de ler, narrado em primeira e terceira pessoa em capítulos curtos, cujo enredo se passa em 24h. O tema é bem atual, porque fala de família, amor à primeira vista, perdão e segunda chance.

Com uma escrita singela e, ao mesmo tempo, pungente, a cada capítulo vamos descobrindo novas nuances acerca da trama, como aqueles livros que líamos na adolescência e adorávamos passar algumas horas entretidos com os conflitos existenciais que permeavam os personagens e onde torcíamos por um final feliz e pela esperança e reencontro em cada cena.

Uma das lições mostradas no livro é que devemos aprender a dialogar. Nunca desperdice uma oportunidade ou espere dizer algo que sente a alguém. Deixe seu orgulho de lado, porque pode ser tarde demais. Há muitas maneiras de se perder alguém, mas algumas são tão permanentes que causam danos profundos, porque o amor tem uma beleza mesmo em sua complexidade. O apoio e o amor são fundamentais em nossas vidas, pois ambos nos transformam.

“Será melhor ter alguma coisa e perdê-la, ou nunca a ter tido?”
“Há dias, nesta vida, dignos da vida e outros, dignos da morte”
“É de muita utilidade neste mundo, aquele que torna mais leves os sofrimentos do outro.”

A grande notícia é que este livro será adaptado para o cinema. Vamos aguardar!



2 comentários:

  1. Eu gostei da leitura desse livro, posso classificá-lo como despretensioso, com certeza um livro bem legal de ler.
    Como sempre a Carlinha capricha na resenha, me deixa de cara, muito bem escrita. Amei!

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    1. Foi bem agradável, né?
      Ótimo para relaxar depois de ler tantos dramas.
      :)

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