O maior amor do mundo - Seré Prince Halverson

O MAIOR AMOR DO MUNDO
SERÉ PRINCE HALVERSON
Arqueiro


Desde que vi o título deste livro (The underside of joy, 320p.) previa uma história dramática repleta de angústia, dor e sofrimento, como os romances dos escritores Nicholas Sparks, James Patterson (O Diário de Suzana para Nicolas) e David Baldacci (Um Certo Verão), o que tornou tudo demasiadamente realista, porque muitas pessoas passam por esse drama, o que deixou a leitura ainda mais profunda.

Aos 35 anos, a bióloga Ella tenta refazer sua vida em uma nova cidade, após um divórcio conturbado depois de várias tentativas frustradas para engravidar, quando conhece o bonito, sexy e imperfeito Joe.

Dono do mercado local, ele foi abandonado há quatro meses pela esposa e cria seus dois filhos pequenos: Annie e Zach, duas crianças adoráveis, respectivamente de três anos e seis meses.

Joe tinha aquela modéstia difícil de encontrar nos homens que despedaçavam o coração das meninas já nos primeiros anos do colégio. Sempre ficava surpresa quando alguma mulher o achava atraente.
Pág. 23

Até então, ambos não imaginam que carregam feridas profundas.

“Disse que sentia muito, mas que não era talhada para ser mãe, que os meninos ficariam melhor sem ela. Garantiu que os amava, mas que não fazia bem pra eles. Falou que eu daria conta do recado sozinho, que a contrário dela eu tinha uma vocação natural para cuidar de filhos, que minha família poderia ajudar, blá-blá-blá”.
Pág. 44
(...) nos abraçamos mais forte, como se cada um de nós pudesse ser a proteção de gesso que ajudaria a curar tudo o que havia se partido no outro.
Pág. 44

Três anos depois, casados e felizes, são uma família generosa e zelosa. Ella herdou da mãe a falta de aptidão para as tarefas domésticas, mas ama a terra, a natureza e o lugar em que residem. Apesar das adversidades, o casal vive uma vida tranquila e harmoniosa, que vira um pesadelo quando Joe vem a falecer em uma tragédia e, em contrapartida, mistérios e segredos familiares vêm à tona para abalar ainda mais o mundo de Ella.

Como assim, Joe? Como assim? Um dia você simplesmente acorda e resolve morrer? Ir embora e me deixar aqui sozinha? Deixar a Annie? Deixar o Zach? Sem ao menos avisar sobre o atoleiro em que se meteu?
Pág. 58

Como fará manter as tradições familiares, salvar o mercado que está à beira da falência e que esteve nas mãos de três gerações? Para piorar, a guarda das crianças está ameaçada com a chegada de Paige, a mãe biológica que os abandonou, e que está requerendo a guarda definitiva, pleiteando que os filhos fiquem com ela.

Que diabos aquela mulher queria! Até certo ponto eu entendia que uma reaproximação pudesse fazer bem a Annie. Mas ao mesmo tempo ficava aterrorizada ao pensar nas consequências que isso pudesse trazer para mim, Annie e Zach. E se, depois que eles já estivessem mais ligados a ela, a mulher resolvesse sumir no mundo outra vez?
Pág. 99

Toda a comunidade, assim como a família amorosa de Joe – que também é reservada quanto aos problemas  –, são solidários e prestativos, pois achavam que Paige nunca fora uma boa mãe, por ser emocionalmente instável.

Mãe verdadeira? Não vamos nem entrar nesse mérito! Cuidados adequados? E que tal falarmos daquilo que você é realmente capaz de oferecer, o que fez com Annie e Zach, a única coisa que qualquer mãe  de posse de suas faculdades mentais faria com os filhos?
Pág. 126

Sem saída, mas contando com a ajuda e o apoio da mãe, de amigos, cunhados e sogros, Ella precisa encontrar uma forma de salvar e sustentar essa família que lhe tornou tão cara, pois ama incondicionalmente seus enteados, já que praticamente os criou e não têm nenhum vínculo forte com a mãe biológica.

Adorei a mensagem refletida na capa, que é tão linda quanto a original, mas a nacional traz uma espécie de paz e tranquilidade por conta de sua alvura.

Enredo singelo e arrebatador, muito bem escrito e desenvolvido, que nos faz questionar sobre a complexidade das relações humanas, cujos dilemas podem acontecer com qualquer um. A autora trata com nata sensibilidade de assuntos dolorosos, mas ao mesmo tempo tão verossímeis aos olhos do leitor em cada cena, onde tudo se desenvolve de tal forma que devemos agradecer por celebrarmos a esperança que permeia nossas vidas quando julgamos que tudo está perdido.

Foi um romance contemporâneo que li em poucos dias, porque a premissa do enredo te pega desde o princípio pela singeleza com que a autora conduz a história que vai te enveredando por caminhos vulneráveis e revelações surpreendentes que você só respira aliviada quando chega ao seu desfecho, que não é totalmente previsível.

A tradição familiar, regada de dramas do passado, me remeteu ao filme Caminhando nas Nuvens, estrelado por Keanu Reeves, e ao livro Anarquistas Graças a Deus, da escritora Zélia Gattai, apesar de enredos distintos, mas há muito similaridade por conta da força e do amor que os une.

Ao longo da leitura, minhas emoções foram aumentando gradualmente à flor da pele, principalmente nas cartas que trazem verdades à tona e faz com que Ella se questione se conhecia realmente o seu cônjuge.

Cheguei a um ponto em que a autora me deixou em uma encruzilhada e mudei constantemente de opinião, porque fiquei bem dividida entre as duas mães, já que nessa história não há um culpado ou inocente, porque são abordados vários questionamentos acerca dessas duas mulheres que tem tanto em comum que nem imaginam. Isso será um elo que unirá seus caminhos em prol do amor dos filhos. Quem será a mais apta a ganhar a guarda das crianças?

Além disso, o livro tem como pano de fundo alguns temas bem atuais: depressão pós-parto (uma doença que, assim como os problemas neurológicos, ainda gera algum tipo de preconceito por parte da sociedade por falta de informação), os maus tratos infantis, a dor do luto e da perda, o anseio de ser mãe e não conseguir realizar o sonho de engravidar, família, lealdade, remorso, medo, ansiedade, angústia, tristeza, dor, boas intenções, esperança e amor maternal.

Uma das lições aprendidas que temos que tomar consciência das despedidas que a vida nos reserva, porque apesar dos erros que cometemos, sempre estamos encontrando um novo caminho.

“(...) a mais genuína felicidade se mantém à tona por meio de uma tristeza subjacente. Todos nós chegamos a este mundo repetindo os gritos de nossos ancestrais, trazendo no sangue o DNA deles, mas também suas glórias e derrotas. A dor deles é a nossa, é a tristeza que abre caminho para dias de sol.
Pág. 312

Este livro foi apenas mais um que entrou na minha lista de favoritos, porque me tocou profundamente pela reflexão e pela emoção que trouxe a cada página.

3 comentários:

  1. Que resenha linda amiga, deu vontade de ler agora o livro. Ainda bem que meu exemplar está a caminho, a expectativa é grande.
    Lindas e tocantes as suas palavras em relação ao que você sentiu lendo esse livro, acredito que ele te fará companhia durante algum tempo, nas lembranças.
    Espero ler logo para trocarmos figurinhas.

    Beijos mil!

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    Respostas
    1. Oi, Leninha.
      Este livro me marcou muito, especialmente por ter crianças no meio.
      Livros assim sempre mexem comigo.
      Não vejo a hora de você lê-lo, tenho certeza que vai amar.
      Adoro trocar figurinhas contigo. :)
      Beijos.

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  2. A promoção esta no ar assim como o amor,participando!!!!

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