Perdida - Carina Rissi

PERDIDA: Um amor que ultrapassa as barreiras do tempo
Carina Rissi
Verus Editora


Depois de Procura-se um Marido, este é o segundo romance (364p., Verus Editora) da Carina Rissi que tive o prazer de ler e, mais uma vez, tive momentos prazerosos e divertidos que me trouxeram a pura nostalgia da juventude, onde tudo era mais simples, mais inocente. E pensar que éramos felizes e não sabíamos. Saudades de um tempo que não volta mais. Só ficará em nossa memória. Bem, chega de divagações...

Aos 24 anos, Sofia Alonzo era uma solteira tempestiva e bem-humorada, além de uma workaholic assumida, apaixonada por música e uma leitora voraz apaixonada por Orgulho e Preconceito, de Jane Austen (mais um ponto pelo qual ela me conquistou. Quem não é fã de Lizzie e Mr. Darcy?).

“Eu tinha vários livros eletrônicos, inclusive armazenados no celular, mas este em especial eu simplesmente não conseguia ler de outra forma que não fosse a tradicional. Ele tinha minhas páginas preferidas marcadas por orelhas e estava todo esfrangalhado por já tê-lo lido tantas vezes. Eu não sabia explicar por que gostava tanto daquela história, mas era incrível poder me perder em séculos passados, costumes tão diferentes, roupas tão lindas, paisagens bucólicas e tranquilas, o amor sendo posto à prova pela ideia retrógrada de que pobres e ricos não se misturavam, o cavalheirismo, a delicadeza do primeiro amor... Glicose da boa!”
Pág. 13

Destemida, mas também desatenta e atrapalhada, ela leva uma vida independente, acomodada e ao mesmo tempo estressante no emprego, que abomina assim como ao seu chefe detestável. Não há quem não se identificará com a personagem e suas loucuras. Afinal, quem nunca surtou de raiva com o chefe, né?! 

Não tive como não gargalhar das situações hilariantes no escritório financeiro por conta de uma máquina de datilografia (Também tenho uma até hoje. Como fui diferente da personagem! Aceitei numa boa a transição para a tecnologia dos computadores e aprendi na raça mesmo. Éramos felizes e não sabíamos. Vivíamos numa boa sem essa parafernália e tudo era muito mais simples, diferente do mundo atual). Ri demais com suas loucuras, principalmente quando ela menciona certa tecla. Só lendo mesmo! Não quero estragar a surpresa durante a leitura.

Determinada e teimosa, Sofia infelizmente não pensa assim, porque não consegue viver num mundo sem conforto que, segundo ela, a tecnologia traz.

“Como as pessoas conseguiram viver sem o computador por tanto tempo? — pensei. Levaria dias para que eu conseguisse colocar em ordem os meus e-mails, minha conta no Facebook e, bem provável, não conseguiria ler todas as postagens no Twitter. Teria que fazer isso assim que chegasse em casa. Ficar sem internet era como se eu deixasse de existir, não fizesse mais parte do mundo. Completamente isolada virtualmente.”
Pág. 12

Por ser deslocada, nunca gostou de badalação, somente em raras exceções, porque prefere a tranquilidade do lar. Depois de algumas desilusões amorosas em uma existência solitária e vazia, nunca acreditou no amor verdadeiro e na instituição do matrimônio.

— Tenho esperanças de que você encontre o cara certo um dia desses, sabia? Já tá na hora de viver uma história de amor de verdade e esquecer as dos livros. Acho que vai ser divertido ver como você vai se sair quando se apaixonar pela primeira vez.
— Eu já me apaixonei uma vez! E não tem nada de errado em gostar de ler histórias de amor, pelo menos nos livros elas têm final feliz! Não machucam ninguém.
Pág. 20

Seus melhores amigos são a doce Nina e seu namorado Rafa, um casal moderno que se amam. Ambos eram como seus irmãos, já que sempre a apoiaram nos bons e piores momentos de sua vida, desde o acidente fatal dos pais.

Um dia, sai para comemorar no fim de semana num barzinho com seus amigos, mas acabou exagerando na bebida e após uma ida ao banheiro, seu celular vai parar acidentalmente dentro do vaso sanitário. Sem conseguir recuperá-lo acaba comprando um novo de uma vendedora bizarra que conhece cada segredo de sua alma, que não lhe deu nenhuma opção. Ao sair da loja, percebe que ele não funciona, até que PLUFT!

“Está na hora de começar a crer que existem mais coisas no universo além daquelas que os seus olhos podem ver. E finalmente começar a viver sua vida! Você sempre a deixou para depois, esperando que ela acontecesse, mas nunca fez nenhum esforço para isso.”
Pág. 41

Desnorteada acaba viajando inesperadamente para 1830 e fica assombrada por não encontrar nada familiar e, sim, coisas completamente estranhas no seu mundo. Apesar de cética, sempre foi prática, por isso tenta encontrar desesperadamente uma forma de voltar a 2010 e, entre algumas mensagens trocadas, descobre apavorada que a mulher interferiu em sua vida, por isso precisa cumprir uma jornada para encontrar o que procura e se autoconhecer verdadeiramente antes de voltar para casa. Será que em meio a esta jornada se tornará uma nova mulher?

No caminho, acaba sendo socorrida pelo belo Ian Clarke que, aos 21 anos, é cavalheiro, altruísta, sincero, bem-humorado e perspicaz. 

Eu estava ali para aprender. Aprender a amar, eu pensava. (...). E aprendi que uma vida simples podia ser a mais complexa de todas, a mais feliz de todas, sobretudo se o amor da sua vida estivesse ao seu lado. (...).
Pág. 296

Pertencente a uma família abastada, Ian era um jovem muito respeitado e cobiçado pelas moças solteiras da sociedade, porque todas sonhavam em tornar-se sua esposa. Após a morte dos pais, ele assumiu todos os deveres que lhe foram deixados, inclusive a tutela de Elisa, sua irmã caçula, até que esta faça um bom casamento. Por isso, além de encantador, Ian é prudente, superprotetor e possessivo com os que lhe são caros.

À primeira vista, ele e Sofia ficam completamente perturbados e inquietos, porque têm a sensação de que já se conhecem, ainda mais ela pelo fato de ele lembrar seus heróis românticos dos clássicos literários. 

Parecia que queria me dar o mundo! Ele só não entendia que já tinha feito isso quando disse que me amava pela primeira vez.
Pág. 355

Enquanto procura uma forma de voltar, ela tenta se adaptar a este novo mundo. Além de Ian, faz novos amigos e “inimigos”, entre eles: Elisa, que, aos 15 anos, é encantadora, doce e angelical; Teodora, a amiga cenhosa da família, que repudia as pessoas que não gosta; Madalena, a cozinheira; Gomes, o mordomo; Storm, o cavalo negro altivo, temperamental e indomável.

Qual o motivo de Sofia estar presa ao passado, enquanto sentimentos contraditoriamente novos a deixam cada vez mais desnorteada?

(...). Parecia que, a cada vez que ele me beijava, uma nova parte de mim despertava. Eu era inteiramente nova, uma outra pessoa, mais feliz e completa.
Pág. 216

Às vezes, Ian era tão irritante, teimoso e petulante quanto Sofia. Será que com tanto em comum, o amor falará mais alto sobrepujando a razão?

Ian me deixava muito perturbada; às vezes, eu queria beijá-lo e nunca mais parar, e às vezes, queria esganá-lo!
Pág. 205

Quando tudo caminhava para a felicidade plena, houve uma reviravolta que me deixou com o coração dilacerado. 

— Só... cale a boca! Eu me enganei com você. Como eu pude ser tão idiota? Eu sabia que daria nisso! Sempre soube que isso aconteceria. — Minha única certeza: um coração destroçado no final de tudo. — Pensei que você me amasse de verdade! Pensei que acreditasse em mim!
Pág. 275

Qual o objetivo real dessa missão? Teimosa, Sofia admitirá o que realmente anseia? Sempre pensando no futuro e nunca vivendo o momento presente, o que ela reluta em aceitar? Será que essa jovem moderna será capaz de abandonar tudo para viver no passado, mesmo que precise arriscar o seu coração?

Terão seus sentimentos correspondidos? Suas vidas serão arruinadas? E Sofia conseguirá deixar a futilidade de lado, arriscando sua reputação em busca de autoconhecimento?

Adorei a capa que reflete exatamente o enredo, assim como o design e a playlist que permeia o enredo (no decorrer da leitura, ficava procurando as músicas para ouvir junto). Encontrei alguns erros de revisão, mas são ínfimos (nada comparados com a primeira edição publicada pela editora Baraúna. Tenho os dois livros físicos e pude conferir cada um deles) demais e não interferem na história.

Este romance é extremamente agradável, intenso e envolvente, cuja narrativa em primeira pessoa é contagiante, onde me peguei devorando desde o princípio. Ambientada nos séculos XIX e XXI, a trama me arrebatou ainda mais em algumas situações hilariantes que me fez voltar no tempo entre culturas e costumes conservadores a modernos (reputação, castidade, pureza, casamento, hábitos higiênicos e alimentares, modo de falar peculiarmente distintos, etc.) onde aventurei-me em situações engraçadíssimas entre os dois mundos. Ao longo da trama, veremos o quanto atualmente as pessoas não valorizam mais a simplicidade da vida. Tudo o que é essencial ficou invisível aos seus olhos.

Apreciei tanto os protagonistas quanto os personagens secundários. Essa dualidade do romance me cativou ainda mais porque, além do senso de humor, também aborda temáticas reflexivas, mas tudo com muita sensibilidade como só a Carina Rissi traz em seus livros.

— Você se preocupa com a castidade e não dá a mínima para o amor? Sabia que casamento é uma coisa muito séria e que deve ser tratado com... — senti a raiva crescer dentro de mim e fiquei ainda mais furiosa por estar sentindo aquilo — ... cuidado e não como se fosse um negócio! Um casamento já é difícil se os dois estiverem apaixonados, sem amor então, já começará fadado ao fracasso. Você devia ser mais responsável!
Pág. 104

Além de tudo isso, claro que não podia faltar, muitos momentos idílicos, emocionantes, engraçados e constrangedores — o da casinha, o da alface (nunca mais verei a alface do mesmo modo), o do abacate, entre outros que não posso mencionar. 

Não me senti melhor sabendo da existência da casinha. E eu que pensei que não poderia sobreviver sem computador! Fiquei com a incômoda sensação de que banheiro seria apenas uma das muitas coisas das quais eu sentiria falta.
Pág. 58

São tantas citações românticas que favoritei com mais de cem post-its no decorrer da trama que não posso colocar todas aqui, mas cito algumas abaixo:

— Sinto que posso... flutuar quando estou com você. Como se fosse capaz de realmente voar! Sinto-me completo pela primeira vez, Sofia. Há uma força em você que me atrai, que me arrasta para perto, uma força inexplicável que turva meus pensamentos. Não consigo pensar em nada mais, apenas em como seria tocar seu cabelo... — ele afrouxou meu pulso e deslizou os dedos em uma mecha perto do meu rosto — ... segurar sua mão... — segurou minha mão por um momento, depois a colocou sobre o peito, sobre seu coração. — Sinta o que acontece com meu coração quando estou com você. — Batia forte e rápido, assim como o meu. Eu lutava para respirar. — E quando não estou com você, meu peito fica vazio, como se meu coração se recusasse a bater até que a encontre novamente. Sinta! Ele diz Sofia, Sofia, Sofia!
Pág. 159
— Eu te amo, Ian. Não importa para onde eu vá, nem quanto tempo passe. Vou te amar pra sempre! — prometi, olhando para as profundezas de seus olhos negros. E eu sabia que nunca, jamais amaria outro alguém.
Uma de suas mãos se enroscou em meus cabelos, me puxando delicadamente para mais perto.
— Para sempre. — ele concordou, me silenciando com seus lábios.
Pág. 245
(...). Os poucos dias que passei ao seu lado foram os mais preciosos de minha existência. Então, agradeço todas as noites por tê-la em minha vida, (...).
Pág. 327

A grande novidade é que Perdida terá uma sequência (Obaaa! Pelo menos algumas questões pendentes serão esclarecidas no próximo. Não vejo a hora de rever Sofia, Ian & Cia.) e também será adaptada para as telinhas, com previsão de estreia para 2015. Já pensou ver nossos personagens queridos imortalizados no cinema? Vibrei demais!

Eu fui completamente arrebatada e me senti deliciosamente perdida por esse universo apaixonante criado pela autora. Se você é um(a) romântico(a) incorrigível como eu vai amar! Sem dúvida, recomendo e prepare-se para fortes emoções e, claro, muitos suspiros e risadas.

— (...). E você não está perdida. Está exatamente onde deveria estar.
Pág. 41


11 comentários:

  1. Pelo que vejo, não tem quem não goste deste livro. Até agora não li nenhuma resenha que desabone o livro. Muito curiosa para ler.
    Bjs, Rose.

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    1. Oi, Rose.

      A Carina escreve muito bem, não há como não se identificar com algumas situações vividas pelas personagens.

      De humor entremeado a drama e romance é um prato cheio!

      Você vai se encantar.

      Beijos.

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  2. parece ser um livro muito bom eu adoraria lê-lo.

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    1. É maravilhoso, Simone.
      Você vai adorar.

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  3. Falar que amei sua resenha é pouco, eu simplesmente adorei!
    Foi ótimo relembrar Perdida, que li já faz um tempo, mas que ainda me faz dar boas risadas quando relembro.

    Nunca mais vi um pé de alface com os mesmos olhos, kkkk

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    1. Ai, Leninha.

      Foi tão difícil selecionar alguns quotes, você não imagina o quanto!

      Quanto ao pé de alface para mim foi novidade, mas o sabugo de milho não, porque muita gente que vive no interior ainda usa esse método. Histórias que meus avós contavam e que minha mãe ainda relembra. [risos].

      Amo este livro. Não vejo a hora de PERDIDA 2 ser publicado logo.

      Beijos.

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  4. Perdida foi o primeiro livro que li da Carina e fiquei completamente encantada com a autora.

    Com uma história extremamente envolvente e engraçada que me fez virar a noite pra terminar de ler.

    Super ansiosa com a continuação.

    Ótima resenha Carla!!!

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    1. Oi, Camila.

      O primeiro dela que li foi Procura-se um Marido, porque estava esperando sair essa nova versão pela Verus, já que o livro que comprei direto com ela (publicado pela Baraúna) estava cheio de problemas. Fico muito feliz de ter esperado, porque valeu cada momento que passei ao lado desses personagens queridos. :)

      Também estou ansiosa pela continuação, já que me encantei por este universo. Que será que a Carina aprontou com nossos personagens favoritos? rs.

      Beijos.

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  5. Oi Carla,

    Eu amo Perdida da Carina! É demais!
    Ela escreve maravilhosamente bem, sinto-me privilegiada por ser uma das primeiras a acreditar nela, quando ainda lançou-se pela Baraúna ♥
    Procura-se um Marido é ainda melhor e No Mundo da Luna também! Não vejo a hora dela lançar esse último e Perdida 2!

    Amei sua resenha, relembrando com os quotes os melhores momentos!

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  6. Lendo a resenha anos depois, perto até de lançar o quarto livro da série. E só digo que Carina Rissi é minha autora predileta. Amo o jeito que me identifico com as personagens, e em como me apaixonou por eles (Ian é meu crush eterno).
    Super amei esse livro, e o mais estranho é que li por acaso, não estava minhas prioridades, e hoje, não passa um dia que eu não lembre desse livro maravilhoso, que eu não suspire por Ian Clarke, e em como passei tanto tempo sem ler essa obra de arte. Mas quando comecei, só não devorei em dois dias porque não queria terminar cedo, digamos que li em cinco kkk
    Amei a resenha ��

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