Eu sou Deus :. Giorgio Faletti

EU SOU DEUS,
GIORGIO FALETTI
Intrínseca

Esse livro que narra uma história de guerra, ódio e vingança, foi lançado em 04 de fevereiro de 2011. Até então, nunca tinha lido nada do autor, do qual me tornei fã. Mal posso esperar para ler o seu outro romance "Eu Mato", também publicado pela mesma editora. Fazia um bom tempo que não lia algo do gênero tão surpreendente. O último livro policial que eu li foi a "Trilogia Millennium", do Stieg Larsson.

A história começa com o psiquiatra do exército, Cel. Lensky, que trata do sargento, Wendell Johnson, há muitos anos e prefere acreditar que sua missão finalmente está cumprida ao liberar o paciente.

Eles eram veteranos da guerra do Vietnã, e cada um, carregava dentro de si o peso da própria redenção pessoal, que começava e terminava nos limites do hospital militar.

Wendell ainda vivia, mas pagara um preço alto que foi um salto no vazio grotesco da monstruosidade. O que aconteceu não pode ser mudado nem esquecido.

Em geral, as pessoas associam a deformidade física com a propensão, diretamente proporcional, para a maldade. Sem pensar que, para obter alimento, o mal precisa parecer sedutor, cativante. Precisa atrair para si o mundo ao redor com a promessa de beleza e a premissa do sorriso. E agora ele se sentia como a última figurinha que faltava para completar o álbum dos monstros.

Pág. 27

A guerra ensinara-o a matar e lhe concedeu que o fizesse sem acusações e sem culpa pelo simples fato de envergar uma farda e deram-lhe a liberdade que antes não possuía.

O que eles sabiam da Guerra? O que sabiam sobre o que queria dizer estar a milhares de quilômetros de casa, combatendo um inimigo invisível e inacreditavelmente determinado, que ninguém imaginara que estivesse disposto a pagar um preço tão alto para obter tão pouco? Um inimigo que, no fundo de seus pensamentos, todos respeitavam, embora ninguém jamais tivesse tido coragem de confessar. (...)

Tinha 24 anos e não sabia se o que tinha diante de si ainda podia ser chamado de futuro. Mas, para certas pessoas, aquela palavra logo perderia o sentido.

Pág. 33

Ben Shepard, empreiteiro, sempre foi um pai substituto para Wendell. Uma das partes mais emocionantes foi a história de Walzer, o gatinho de estimação dele, que tem uma importância crucial na história.

(...) confirmou a sentença de morte sem possibilidade de perdão para o pobre animal.

Pág. 41

Fiquei arrasada com a crueldade do ser humano pelo preconceito, onde a única culpa do animal era a sua existência.

Wendell não quis entrar em contato com a esposa e filho por causa da sua condição e para ela, ele está morto, já que sofreu todas as torturas, atrocidades e brutalidades que envolvem a Guerra e resolve se vingar de todos aqueles que atravessaram seu caminho.

(...). O homem tinha o rosto e a cabeça completamente desfigurados por marcas que pareciam cicatrizes de queimaduras terríveis. (...). Somente a área ao redor dos olhos estava intacta. (...).

Pág. 45
Ben Shepard compreendeu que o mundo desaparecera para aquele rapaz. Não somente o mundo que tinha dentro de si, mas também o que estava a seu redor. Um arrepio percorreu sua espinha. Wendell partira com muitos homens de seu país para lutar numa guerra contra outros homens, os quais deveriam odiar e matar. Depois do que aconteceu, os papéis tinham se invertido. Voltara para casa e, para todos, ele se tornara o inimigo.

Pág. 51

Anos depois, Jeremy Cortese, separado, com dois filhos, sempre alimentava o instinto de fazer mal a si mesmo que todo ser humano carrega diante de si, tudo se tornou ilusão e seus filhos eram tudo na sua vida. Trabalha para uma empresa de construção civil. Cordial com os funcionários, e superiores, era estimado por todos. Adorei as brincadeiras e a atmosfera de camaradagem entre eles. Até que um dia, em meio à uma demolição, eles acabam encontrando o braço de um cadáver.


(...). O rosto, quase reduzido a uma caveira, estava apoiado no que restava do ombro, e parecia olhar para o exterior com a amarga desolação de quem só conseguiu encontrar a luz e o ar tarde demais.

Pág. 70

E é, a partir daí, que a história se desenrola e começa a ser envolvente, porque mexe muito com o psicológico dos personagens.

Vivien Light, uma jovem detetive do 13º Distrito da Polícia de Nova York, esconde seus próprios dramas pessoais sob a sólida imagem profissional. Uma mulher inteligente, competente, de fibra, que raramente sorri e tem anseio de ser tocada por alguém, porque sofre muito devido a um fardo pesado que carrega nos ombros.

Russell Wade, filho de uma família abastada, um rebelde que podemos rotular de "ovelha negra" por ter chegado ao fundo do poço e, além disso, é um talentoso repórter fotográfico de passado discutível, em busca de uma segunda chance na vida depois de ter perdido um Pulitzer que ganhou há vinte e cinco anos atrás. Nunca teve uma relação boa com o pai, devido às suas bebedeiras, jogatinas, prisões, etc. Daí que vem a sua rebelião, mas ele carrega uma tristeza no âmago de seu ser, mas só descobrimos o motivo disso no decorrer da narrativa.

(...). Vivien penetrou por um instante num par de olhos escuros e ficou espantada com a tremenda tristeza que encontrou dentro deles.

Pág. 76

Durante as investigações policiais, as vidas de Vivien e Russell acabam entrelaçando-se, e juntos vão unir suas forças, habilidades e experiências, porque são a única esperança de deter um psicopata que sequer assume a autoria de seus crimes.

Aparentemente não há qualquer morbidez nas ações do serial killer que mantém Nova York sob ameaça, o que faz com que lembremos dos atentados terroristas de 11 de Setembro. A escolha de suas vítimas não obedece a complicados percursos mentais nem ele as encara enquanto morrem, mesmo porque não teria olhos para tanto. Um homem que está realizando uma vingança terrível, por uma dor que afunda suas raízes numa das maiores tragédias norte-americanas. Um homem que acredita ser Deus.

E, em meio a tudo isso impera o caos em uma cidade que pode sumir pelos ares em meio às explosões, vidas ceifadas, onde a população está aterrorizada com os fatos que vem ocorrendo e correm risco de vida.

A polícia começa a juntar as pistas que compõem esse quebra-cabeça onde a investigação está
numa corrida contra o tempo para deter esse psicopata!

No decorrer da leitura tive as emoções mais contraditórias possíveis, o que foi bem conflitante, porque não sabia como agir: se ria, se chorava, se gritava... Até parecia que eu estava participando das investigações para elucidar os crimes bárbaros, juntamente com a Vivien, que lembrou-me muito das Detetives Olívia Benson e Kate Beckett, das séries americanas "Law & Order: SVU" e "Castle". Adorava as tiradas sarcásticas e inteligentes dela. Foi um dos melhores momentos nas investigações, porque dava para desanuviar um pouco os momentos de tensão. (risos).

Cheguei em um ponto da história, que fui arrebatada totalmente, torcendo pelo rumo dos acontecimentos e pelo desfecho de diversos personagens, entre eles:
  • Vivien e sua sobrinha, para um final feliz depois de tanto sofrimento em suas vidas conturbadas;
  • Russell, para que ele se reerguesse com obstinação e superando todos os obstáculos que surgissem em seu caminho e que voltasse aos holofotes para ser finalmente reconhecido por quem ele realmente é e não por quem se tornou. Seu jeito investigativo lembrou-me dos personagens Mikael Blomkvist, da "Trilogia Millennium", do autor Stieg Larsson; e Richard Castle, da série americana "Castle".
  • Padre Michael McKean, um sacerdote que fazia um belíssimo trabalho recuperando jovens problemáticos.
No decorrer da leitura, a história chega a um nível de suspense e tensão de tal maneira a ponto de você não ter como largar o livro, porque já foi conquistado de vez por esse thriller sensacional!

Já sou acostumada a ler muitos livros e assistir a séries policiais e, como é de praxe, sempre descubro quem é o assassino, conforme as pistas vão surgindo, mas, infelizmente, eu não consegui desvendar nessa história, porque não tinha muita pista como estamos acostumados a ver nos livros de Dan Brown, Agatha Christie, entre outros, o que foi bem complicado. Em "Eu sou Deus", tudo indicava uma pessoa apontando em uma direção, até que o enredo deu uma guinada de 360º graus, e eu fiquei perplexa com a reviravolta inesperada e surpreendente e pensei comigo: "Como não vi isso?!". (risos). Depois que tudo é esclarecido, você percebe como as peças se encaixam perfeitamente nos lugares!

Além de toda ação, adrenalina, tensão e suspense que envolve esse thriller, temos também romance e mensagens ótimas nas entrelinhas para uma reflexão.

Por isso, mais do que recomendo!

11 comentários:

  1. Eu adoro série policial mais ainda não me aventurei nos livros, quem sabe no futuro. Já tenho alguns livros que estão na minha lista.

    Beijos

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  2. Nossa, não sabia que a história era assim! Juro que pensei que pelo título ela seria muito chata (corre), mas pela sua resenha tenho certeza que iria gostar. Adoro trillers de suspense e esse livro parece muito bom!

    Bjusss
    http://viciadospelaleitura.blogspot.com/

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  3. Carlinha,

    Esse e o outro livro do autor estao na minha infidavel lista.

    Sua resenha só veio fazer com que eu perceba o quanto ainda estou longe de ter todos os livros mais bambambam.

    Parabéns pela resenha, ótima como sempre!

    Bjks,

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  4. Eu sou Deus me conquistou pelo capa *-* ~sim eu julgo pela capa~

    Livro com investigações policiais são tão lindos \o/ eu adoro!

    Vai para lista de leituras concerteza ^^

    Beijos

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  5. Ei Carlinha! Parece um livro bem forte, né? Eu tenho Eu mato, mas ainda não li!

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  6. Juro para vc que não imaginava que o livro era assim, adoro Law & Order, se parecer como vc diz sei que vou amar, esse livro ta na minha lista de desejos!

    ótima resenha, parabéns

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  7. Oi, Carlinha!!

    Não conhecia esse livro, nem sabia sabia qual era o tema, kkkk

    Ainda não me aventurei muito com livros de investigação policial, não porque não goste, mas não conheço muitos títulos.

    Vou anotar essa dica.

    Bjs

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  8. Adorei Eu Mato do mesmo autor, e estou ansiosa para ler esse tbm. O livro já está na fila de leitura.
    Bjs

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  9. Nossa, parece ser um livro muito bom.

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  10. Me pareceu um livro forte e cheio de vibração, daqueles que prendem ao lermos.
    Mais uma super resenha Carlinha, parabéns!
    cheirinhos
    Rudy

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  11. Carlinha!
    Deixei pra comentar nas resenhas do Giorgio depois que tivesse lido os livros e finalmente vim fazer isso.


    Eu vi vários comentários negativos sobre "Eu Sou Deus", mas eu, assim como você, gostei bastantedo livro.
    Acho que por ele mostrar o quanto a mente humana pode ser perturbada e perturbadora, causando ações que nos deixam de cabelo em pé.
    E, bom, como você sabe... eu adoro um livrinho sangrento hahahahaha
    Depois segui sua dica e também pedi "Eu Mato"...mas isso é comentário para outro post!

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