Palavras Envenenadas - Maite Carranza

PALAVRAS ENVENENADAS
MAITE CARRANZA
Novo Conceito

Primeiramente, quero agradecer a Novo Conceito por continuar inovando sempre nos seus lançamentos e por conceder-me a honra de conhecer mais essa obra (do original em espanhol Palabras Envenenadas), cuja leitura foi bem densa, devido ao tema abordado, mas em contrapartida gostei de variar um pouco.

Antes de começar a falar desse livro, quero alertá-los que não traz nenhum romance, como os diversos gêneros que estamos habituados a ler e, sim, uma realidade nua e crua, que relata um dia que passa rapidamente, lutando contra o tempo em um enigma que, depois de 4 anos, sem ser resolvido, começa a ser desvendado com novas provas.

O que aconteceu com Bárbara Molina? Seu corpo nunca foi encontrado e nunca conseguiram provas para deter nenhum culpado. Uma ligação, para um celular, coloca o destino de muitas pessoas de cabeça para baixo: Salvador Lozano, um policial que está prestes a se aposentar; Nuria Solís, uma mãe que perdeu a esperança de encontrar sua filha desaparecida e Eva Carrasco, uma garota que traiu sua melhor amiga.

Aos 65 anos, o subinspetor Salvador Lozano está para se aposentar. Ele foi o responsável pelo caso de Bárbara Molina que está desaparecida há quatro anos e até o momento não tem nenhum indício de onde ela está. Deixará o caso para Toni Sureda, de 31 anos, informal, entusiasmado e preparado, que será o seu substituto.

Há 4 anos trás, Bárbara desapareceu misteriosa e violentamente quando tinha 15 anos, a mesma idade de Xavi e Guilherme, seus irmãos gêmeos, que são calados, discretos e medrosos. Desengonçados e tímidos, tiveram a infância interrompida e aprenderam a não incomodar a dor dos pais: Nuria e Pepe.

Nuria Solís, uma enfermeira de 43 anos, uma mulher linda, com um sorriso radiante, empreendedora e mãe sonhadora, já não existe mais, porque agora respira por obrigação, pois convive há muito tempo com uma angústia dolorosa. O quarto da filha era um santuário e estava se deixando levar por uma autocomiseração destrutiva. Vive à base de remédios para continuar vivendo. Tornou-se uma mulher apática, indiferente, assustada, submissa, inútil e acabada, enquanto Pepe, seu marido, não se deixou abater, mas perdeu a força da sua obsessão em encontrar a filha, já que acabou interferindo nas investigações, mas agora está resignado com a perda. Sofre com dignidade, enquanto sua esposa adoece em razão dessa falta, porque tinha olhos baixos e receosos, e a culpa permanente quando o marido era autoritário, já que ele é um representante de joias, enérgico, dinâmico, intransigente, dominador e superprotetor, mas está sempre presente para a família.

No trabalho, Nuria sente-se forte pragmática e decidida que poderia ter ido longe, viajado o mundo e concluído a faculdade de medicina, pois almejava projetos ambiciosos que ficaram em segundo plano com a maternidade e desapareceram completamente com o sumiço da filha. Agora suas lembranças são difusas, porque era uma jovem alegre e valente quando se apaixonou pelo marido.

Há momentos em que a urgência de salvar uma vida apaga, por um instante, a própria agonia. (...). Não há nada pior do que conviver com a incerteza, lamenta. Os vivos enterram os que faleceram e choram. (...). Mas ela não sabe se Bárbara está viva ou morta. Não sabe se deve chorar e passar pelo período de luto ou se deve manter viva a chama da esperança. (...).

Pág. 21

Bárbara era uma criança astuta e alegre que ficou muito ligada ao pai após o nascimento dos gêmeos. Aos 12 anos, ela era desbocada e não deixava-se intimidar. Nuria nunca deu-lhe limites e não previu os perigos do seu desenvolvimento. Já Pepe, tentava impor uma rigorosa disciplina, enquanto sua esposa era cúmplice da filha que, aos 15 anos, levava uma vida dupla, amparada pelas suas desculpas, já que Nuria, com sua tolerância, incentivava a conduta e cobria as escapadas da filha.

Queria uma segunda chance de educar Bárbara com firmeza, responsabilidade e determinação. Mas era uma ilusão. Bárbara nunca voltará, e ela jamais descobrirá as respostas aos porquês de todas as suas perguntas.

Pág. 27

Enquanto isso, Bárbara está trancafiada sob o jugo do seu sequestrador.

(...). Estou em um porão de 15 metros quadrados, sem janelas, escavado no alicerce de uma casa rodeada de campos. (...). Não há vizinhos por perto. Desapareci sem testemunhas ou pistas. Fui tragada pela terra e ninguém sabe que estou viva.

Pág. 30
Tinha aprendido a sobreviver, a me conformar, a preservar a vida e a esquecer todo o resto.

Pág. 34
Agora que eu tinha aprendido a me resignar, inesperadamente cuspo a raiva que estava oculta. (...). Foi difícil virar a página e aprender a viver minuto a minuto imersa na mesma rotina agonizante. Era cômodo me esconder em algum momento. (...). Todo dia entrava em uma bolha, onde nada acontecia e nada podia atrapalhar minha paz.

Pág. 35
(...). Não há nada comparado à tranquilidade de viver sem esperar nada do futuro, desfrutando dos pequenos momentos livres do estresse, de obrigações, de sonhos, de desejos, de culpa. Uma clausura eterna.

Essa era a minha vida até alguns momentos atrás e já estava conformada. Mas de repente me dou conta de que estava enganada e de que nada faz sentido.

Não posso fechar os olhos. Sei que, se aparecesse um sinalzinho, tudo poderia ser diferente, mas nada acontece.

Meu desejo me empurrou estupidamente ao meu fim.


Pág. 38

Mas, enquanto isso, o caso não será encerrado até que seja solucionado.

"Às vezes, a verdade permanece oculta na escuridão e só aparece ao se abrir uma janela."

Ela fugiu de casa com 15 anos, sem motivos ou razões aparentes, deixou um bilhete manuscrito, e levou o cartão de crédito da mãe. Depois de oito dias, testemunhas afirmaram aos policiais encarregados do caso que ela estava procurando pelos tios, que adorava. Surpreendentemente, tudo muda. Enquanto os policiais e o pai a procuravam, ela desesperada, liga de uma cabine para sua casa em plena madrugada. Logo depois, são encontrados sinais irrefutáveis de violência, sangue e sua bolsa abandonada. Uma testemunha viu-a sendo arrastada por um homem. E, no decorrer do caso, descobrem que ela era uma adolescente conflituosa, fracassada na escola e conturbada pela recente desilusão amorosa. Isso é apenas uma das pontas do iceberg nas míseras pistas de investigação que ainda não foi solucionado e tem vários suspeitos envolvidos na história, entre eles: Jesús López, Martín Borrás e Eva Carrasco. E nenhuma solução!

Martín Borrás era monitor e DJ. Viajou pelo mundo. Dominava em todos os lugares, mas era um bom samaritano no seu bairro. Trabalhava, porque era obrigado pelos pais, devido ao seu histórico com narcóticos. Não importava-se com ninguém. Sempre safava-se com suas mentiras pavorosas. Saía de moto à noite e voltava de madrugada com olheiras até os pés, o que acabou gerando a desconfiança da vizinhança. Mentiroso e trapaceiro, sempre procurava conseguir as coisas sem êxito. Mauricinho, pouco estudioso, vaidoso, extrovertido e muito sociável.

Jesús López, professor reconhecido de Ciências Sociais, na escola em que Bárbara estudava. Jovem, cordial e, acima de tudo, amigável e propiciou a relação aluno e professor fora da sala de aula, fazendo passeios culturais. Era um pigmalião hábil e discreto que adulava o seu intelecto e permitia brincadeiras e pequenas intimidades, roubadas como que por acaso.

(...). É muito fácil machucar o coração de uma jovem de 15 anos. Não sei se tem conhecimento - (...) - mas se apaixonam e se impressionam com facilidade, são frágeis e, apesar do corpo de mulher, veem o mundo com olhos de menina. São ingênuas, trágicas e maximalistas. O ego dessas garotas oscila como o pêndulo de Foucault, em um dia pensam que são divinas, no outro, querem se suicidar - falava com ressentimento. (...).

Pág. 97
(...), tinha princípios e crenças a defender, e era coerente com suas ideias. Acreditava na família, no amor do casal, no valor da autoridade paterna, nos projetos em comum.

Pág. 119
(...). Pepe a ensinou a amar, colocar o eu depois de você, e abrir as portas fechadas, compartilhar os segredos, por mais dolorosos que fossem, aceitar as misérias e reprimir os impulsos que a levavam longe, rumo a fantasias infantis que faziam com que esquecesse as obrigações que tinha em relação aos demais. (...).

Pág. 123

Bárbara era amiga de Eva e enganou-a, porque tirou Martín dela e com isso Eva ficou muito magoada, porque a amiga acabou com sua vida. Por isso, quis vê-la morta.

Bárbara sempre foi egoísta, porque sempre quis o que não lhe pertencia, pelo fato de ser mesquinha e ambiciosa.

Foi amor à primeira vista. Bastou um olhar e gostamos um do outro. (...).

Pág. 127
Eu quis saber o que era o amor, e isso me custou a amizade de minha melhor amiga.

Pág. 131
(...), já eram inseparáveis. Bárbara era mais ousada e exibicionista. (...) era maluca, e ela, o seu freio. (...). (...), a bonita e a feia, a esperta e a intelectual, a extrovertida e a tímida, a sensual e a frígida. (...). (...). Até que Bárbara quis se separar dela e ser uma só, (...). Então, (...) foi brutal. (...), faltava-lhe um pedaço e, pela primeira vez, sentia a angústia da solidão.

Pág. 142

Bárbara está perdendo as esperanças de que um dia possa ser encontrada. Enquanto isso, sua família e a polícia continuam a investigação que parece simplesmente não levar a lugar algum.

(...). É isso o que sou. Um animal dentro de uma jaula, fechada, prisioneira, nas mãos de um louco que me obriga a fazer coisas que não quero e que, quando consegue o que quer, como prêmio me dá comida, mas quando menos espero, tira o chicote e me espanca, sem um pingo de compaixão. Se eu escapasse, atiraria em mim com o prazer dos sádicos. (...).

Pág. 149

Durante esses três anos, Eva Carrasco (a melhor amiga de Bárbara, que traiu-a durante as investigações acusando uma pessoa, que teve a vida destruída, sente vergonha por ter mentido para a polícia), estudante de jornalismo, tornou-se obstinada, trabalhadora e responsável. Tímida e centrada, tinha a cabeça no lugar, enquanto Bárbara nunca foi inocente e confiável, desinibida. Maliciosa, trapaceava sempre com segundas intenções.

Até que um dia, Eva recebe uma ligação de Bárbara do seu cativeiro, pedindo ajuda, mas a ligação é interrompida com a queda do sinal do celular e, a partir desse telefonema, as coisas começam a mudar, porque, aos 19 anos, Eva quer expiar os erros que cometeu quando era uma menina, porque todo esse tempo convenceu-se de que agira certo.

E, em meio a todos esses acontecimentos, como uma ironia destino, Eva acaba descobrindo a verdadeira identidade do sequestrador da amiga e contata sua família.

Ao dar-se conta do fato, Nuria cai em si e fica completamente assustada para seguir em frente e encarar a verdade sobre o que aconteceu com sua filha, quando lembra de sua tristeza e as peças começam a encaixar-se.

As pistas começam a levar os personagens para um pesadelo do qual não sabemos como tudo irá terminar.

Onde estará Bárbara e o que aconteceu durante todos esses anos? Será que a polícia chegará a tempo de desvendar esse caso e deter o sequestrador antes que seja tarde demais? Porque sua vida está em jogo.

Algumas situações nas entrelinhas, fizeram com que eu descobrisse quem era o sequestrador de Bárbara. Só posso dizer a vocês que nem sempre a pessoa mais óbvia é o algoz, porque nem sempre aparentam o que são na realidade. (risos).

O livro retrata uma realidade nua e crua que acontece em muitos lares no mundo todo, capaz de arruinar a vida de uma pessoa e da família em si. Uma realidade cruel que dói, onde constatamos tristemente que há muitas garotas como Bárbara por aí, vivendo na solidão e condenadas ao silêncio. Muitas vezes, seus algozes são pessoas que escondem uma vida condenável atrás de máscaras respeitáveis.

Uma trama repleta de suspense e mentiras, segredos, enganos e falsas aparências que aponta alguns mitos inquestionáveis que te prende do início ao fim de forma chocante, que beira uma insanidade e faz com que queestionemos: "Onde está a justiça diante de tanta impunidade?" Ficamos com a sensação de um grande vazio e de mãos atadas em meio às atrocidades do ser humano que levam a agir dessa forma!

Por isso, recomendo para todos que curtem esse gênero!

10 comentários:

  1. Bom,por meio da resenha, fico satisfeita... não curto muito esse gênero. Nada contra quem goste de ler esse tipo, simplesmente não leio porque depois fico deprê.

    Beijos
    Blog Apaixonada por Romances

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  2. Como sempre Carla, vc se superou na sua resenha, maravilhosa!
    Amei o livro, que me deixou de cabelo em pé durante toda a leitura!

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  3. Carlinha,

    Como comentei no Sempre Romantica.

    A resenha desse livro me dói o coração, fico angustiada e super curiosa.

    Mas nem isso impede de deseja-lo.

    Parabens pela resenha e escolha de palavras.

    Bjos,

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  4. Oi, coincidência, também resenhei este livro no meu blog hoje, mas a minha resenha não chegou nem aos pés da sua..rsrs. Mas numa coisa nós concordamos, o livro é fantástico, apesar do tema.
    Um super abraço.

    http://balaiodelivros.blogspot.com/

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  5. Este livro deve ser de arrepiar e de emocionar!
    Ótima resenha, Carla!

    Bjus,
    Náh

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  6. Resenha maravilhosa!!

    Adorei!

    Conhceço bem pouco do livro, só o que eu leio nas resenhas.

    Mas gostei do gênero, acredito que vou gostar do livro.

    Ótima dica!

    Bjs

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  7. Esse livro parece ser maravilhoso - quero muito ler!

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  8. Adoro livros com temas reais e esse me parece mais que real, é nosso dia a dia, é o que vemos constantemente ao nosso redor.
    Nossa! Como gosto de suas resenhas, cheias de detalhes, com citações e elucidativas a respeito do que podemos esperar do livro.
    Muito bom!
    cheirinhos
    Rudy

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  9. Gostei. Apesar de não ler muito esse gênero, achei muito interessante, pois é uma realidade que acontece com frequencia todo mundo. Pretendo ler...Obrigada. Bjos.

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  10. Nossa, ao ver a capa, eu jurava que era romance puro, não tem nada a ver com o que eu imaginava. Todo esse mistério me agradou!

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