Sentimento Fatal - Janethe Fontes

SENTIMENTO FATAL
JANETHE FONTES
Dracaena

Fui agraciada ao ler em primeira mão o manuscrito deste segundo romance, enviado pela autora de "Vítimas do Silêncio", porque é uma honra ler um livro que ainda não foi publicado, já que é uma forma de prestigiar nossos autores, vivenciando a história sob a visão de novos leitores. Ao concluir a leitura, fiquei comovida, porque tenho certeza que será outro grande sucesso.

Este ano, vocês viram aqui uma campanha que o “Sonho de Reflexão” lançou juntamente com o blog
"Sempre Romântica" nas redes sociais, para que “Sentimento Fatal” fosse publicado, que foi um grande sucesso. Depois de muita expectativa, incentivo, apoio e divulgação por parte dos leitores, o livro sairá brevemente pela editora Dracaena, cuja capa ficou linda e reflete exatamente o seu enredo.

Adriana era a imagem da dor e desesperança, diferente da jovem forte e determinada que foi, porque refugiara-se atrás do medo e perdeu o controle da própria situação, onde ficou marcada pelo amor doentio do próprio marido. O que havia acontecido para que permitisse uma mudança tão radical? Onde estaria aquela mulher corajosa que fora?

Aos quatorze anos, sofreu muito quando descobriu sua verdadeira origem: era filha de uma prostituta e fora abandonada após seu nascimento. Quando Filomena, sua mãe adotiva, veio a falecer, sofreu muito devido ao torvelinho de emoções conflitantes, mas ficou aliviada, porque era fascinada pelo pai, um imigrante espanhol que trabalhava nas lavouras de café dos sogros que
sempre o desprezaram, porque acreditavam que ele se casou com a filha por interesse.

Nesta faixa etária, Adriana ou Dri, como é chamada carinhosamente, descobriu-se fascinada por Daniel,
seu primo de dezesseis anos. Foram criados praticamente juntos e eram amigos desde a infância. Ela nunca suspeitou que ele fosse completamente apaixonado por ela, que era uma menina corajosa, que sempre o fascinara e jamais revelara seus sentimentos por ser um garoto tímido demais.

O tempo passou, ela sumiu e nunca mais deu notícias, porque suas vidas tomaram rumos diferentes.

Atualmente, Dri vive um casamento infeliz com Roberto que, aos trinta anos, era altivo, determinado, viril e atraente. Trabalhava em uma empresa de engenharia e não compreendia por que a esposa ansiava em ter uma vida normal, ser independente, trabalhar e estudar por realização pessoal, porque sempre gostou de aprender e lecionar idiomas. Machista, arrogante e irônico, ele achava que a mulher deveria dedicar-se apenas ao lar, ao marido e aos filhos.


Ele empenhava-se para não ter um ciúme incontrolável, mas era inseguro demais e a
dorava feri-la a qualquer custo. Por isso, Dri não aguentava mais viver dessa forma com o marido, que usava sua filhinha Letícia para chantageá-la. Ele sempre prometia que ia mudar, mas bastava sentir-se ameaçado para sua máscara cair.

− O que está querendo dizer?

− Que eu não suporto mais esse seu ciúme doente. Que nós estamos nos desgastando a cada dia. – Ela se virou para ele com os olhos arrasados, e uma lágrima rolou por sua face antes que ela pudesse conter. – Não podemos continuar assim, Beto. Não podemos.

Aos cinco anos, Letícia era
uma criança maravilhosa, esperta e intuitiva, que já dissimulava seus sentimentos. Sempre notava equimoses espalhadas pelo rosto e corpo da mãe, mas ficava quieta, porque toda noite ouvia-a em prantos e sabia que seu pai era o responsável pelo sofrimento dela.

Nascera de uma gravidez não premeditada, mas era um presente divino que preenchia a vida de Dri, seu casamento, que estava fadado ao fracasso desde o início porque, há cinco anos suportava o ciúme exacerbado do marido à própria infelicidade, mas mantinha-o apenas por causa de Letícia, porque nunca arriscaria a sua felicidade e o seu conforto.

No decorrer da narrativa, vemos o drama psicológico pelo qual a criança passa, chegando ao ponto de ficar aterrorizada e temer o próprio pai, o que torna tudo muito real, porque a mãe pesarosa não percebe que, apesar de todo o seu empenho para poupar a filha e proteger seus sentimentos, a raiva pelo pai estava se enraizando em seu coração, porque Roberto não permitia que ela saísse sozinha com Letícia.

Enquanto isso,
Daniel tornou-se um bem-sucedido e desembaraçado professor universitário, cujo físico chamava a atenção das alunas. Filho de uma família abastada, desfrutara desde criança do privilégio de estudar nos melhores colégios e aproveitou todas as oportunidades que a vida proporcionara-lhe. Calmo, atencioso, livre e desimpedido, é pai do garotinho Felipe, fruto de um relacionamento que não deu certo, devido às imprevisibilidades e inseguranças da ex-mulher.

E, como uma reviravolta do destino, os caminhos dele e de Dri se entrelaçam, porque eles não se viam há mais de dez anos, mas guardavam na memória recordações maravilhosas dessa época.

Como o destino às vezes brincava cruelmente com o sentimento e a vida das pessoas, pois havia lhe separado de sua amada por tanto tempo e apenas agora, depois de dez anos e após ela estar casada, havia colocado-a de volta em seu caminho, num perigoso triângulo amoroso.

Ele sempre questionou o porquê dela nunca ter entrado em contato com a família, que sempre a trataram com indiferença. Ao reencontrarem-se novamente, seus sentimentos voltam a aflorar intensamente.

Ainda era capaz de sentir o gosto de um beijo que acontecera há mais de dez anos. (...) um único beijo que ficara para sempre gravado em sua memória, em seu coração.
Adriana especulou como teria sido sua vida se não tivesse mudado (...). Será que Daniel e ela teriam namorado? Casado? Seriam felizes ao lado um do outro?

Enquanto isso, Beto ficava especulando o que ela estaria aprontando e isso consumia-o. Queria-a somente para si e sofria por vê-la com outras pessoas.

(...) de repente sentiu-se impotente, deprimido. Nada poderia fazer para impedi-la de sonhar com outros homens. Nada! E isso o consumia ainda mais. Afinal, era completamente maluco por ela e não poderia admitir perdê-la para ninguém. A simples hipótese de que isso pudesse acontecer, deixava-o transtornado, completamente desesperado.

Impaciente, Adriana chegou ao seu limite. Abdicou de sua vida e fez de tudo para viver harmoniosamente com o marido, já que sempre acreditou que o matrimônio era sagrado e para sempre, mas cometera um grande erro ao permitir seu controle, dando palpites e monitorando todos os seus passos. Ela sempre justificava suas atitudes e as agressões físicas que sofria, porque acreditava que ele era ciumento por amor e por medo de perdê-la. Após os insultos e agressões, ele sempre suplicava perdão e jurava que nunca mais faria aquilo de novo, mas fazia novamente.

− Amar não é isso, Beto. Amar é se entregar, confiar, não impor limites. É respeitar o outro. É acreditar.

− Mas eu te amo, Dri. Por favor, acredite.


− Como eu posso acreditar? – Ela esfregou o rosto com as mãos e removeu as lágrimas. – Você me trata como um objeto, algo que faz o que quer. E quando eu contrario sua vontade, você age como se fosse um animal. Se você me ama o quanto diz, deveria procurar um tratamento para aprender a controlar esse ciúme doente. Ele está nos destruindo.

Um dia, Dri cai na real e compreende que seu casamento e sua vida estão por um fio.

E, por outro lado, Dani e alguns alunos que adorei começam a desconfiar que há algo errado com ela, que está frágil e vulnerável, hesitante e evasiva, com a tensão transparente, quando veem hematomas frequentes em seu corpo e mudanças em seu comportamento.

Será que Adriana encontrará a felicidade que nunca teve ao lado do marido?

− Oh, Deus, eu não posso acreditar... – murmurou Daniel quase para si mesmo. – Simplesmente eu não posso acreditar que você ame um homem que a maltrata, que não a valoriza.

Será que ainda há chances de ter um novo amor ao lado de Dani, que nem mesmo a distância e o tempo conseguiram apagar, e ganhar uma vida nova?

O rosto de Daniel estava muito próximo agora, tão próximo que Adriana podia sentir até o calor de sua boca. (...).

Será que ela conseguirá superar os obstáculos que a oprimem, dando a volta por cima e denunciando o seu agressor, que sempre usou a filha como alvo principal de suas chantagens.

− Você sabe muito bem que não pode tomar legalmente a Letícia de mim, principalmente quando o juiz souber o quanto é agressivo. (...).

Com o dorso da mão, ele a acertou pela segunda vez. Ela tornou a cair.

− Você quer pagar para ver?


Desta vez, Adriana bateu com a cabeça na mesinha-de-cabeceira e ficou tão atordoada que por algum tempo não teve condição sequer para pensar, muito menos para responder. (...).

Será que Adriana entenderá finalmente a diferença entre o amor e a paixão, entre o amor e a obsessão?

O livro traz várias questões importantíssimas em relação ao amor.

Por amor se mata?
O amor destrói?
E o ciúme, pode ou não ser controlado?

Apreciei muito as mensagens belíssimas que o livro traz, mas a que comoveu-me demais quando li foi um texto extenso, cuja autoria é atribuída a William Shakespeare, que eu já conhecia e é uma lição de vida.

O Homem é o único animal que se diferencia dos demais por agredir as suas fêmeas.

– Jack London –
Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum.

– Roland Barthes –

Fragmentos de um discurso amoroso

Adorei o singelo e carinhoso agradecimento
que autora fez aos seus leitores e fãs que sempre apoiaram-a generosamente.

O enredo tem como pano de fundo a violência doméstica, que é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres, que sofrem todos os tipos de agressões que resultam em lesões corporais gravíssimas.
Mesmo com o rigor da Lei Maria da Penha, que foi um grande avanço em suas defesas, geralmente muitas vítimas têm deixado de denunciar seus agressores por temerem que sejam presos ou por não terem saída, ainda mais pelo fato de sentirem vergonha ou medo.

O livro retrata essa realidade nua e crua que, em cada novo capítulo, nos revela uma crueldade que, lamentavelmente, atinge milhões de mulheres no mundo, como estamos cansados de ver diariamente nos noticiários ou, mesmo sem sabermos, pode estar rondando ao nosso lado, seja na casa de um vizinho, um amigo, um parente ou um conhecido.

Em diversos momentos, questionava-me o porquê de Adriana não denunciar seu agressor, mesmo com toda a ajuda que dispunha? Porque sempre perdoava-o depois de todas as agressões físicas e verbais, além das atrocidades cometidas que sofria? Apesar de achar inadmissível o fato de ser maltratada, eu entendia perfeitamente o seu temor, porque Beto não era mais o homem que jurou amá-la e respeitá-la por toda a vida. Agora, ele era um psicopata perigoso, que poderia colocar a sua vida e de sua família em risco, onde poderia acabar terminando em uma fatalidade, o que infelizmente acontece em muitos casos reais!

Desde o princípio, o romance foi comovente, estarrecedor e surpreendente, onde me vi prendendo o fôlego e torcendo pelos personagens a cada momento da narrativa repleta de drama, aventura, romance, entremeado de sedução com cenas muito doces e apaixonadas, tensão e suspense, além de muitas descobertas acerca do amor, que pode ser tranquilo e seguro, mas também agitado e extremamente perigoso.

Tornei-me fã da Janethe Fontes, desde que li o seu primeiro romance “Vítimas do Silêncio”, que está de cara nova em sua segunda edição pela editora Baraúna, pela escrita clara, singela e transparente, que fez com que a história tocasse-me, como foi o caso do personagem Will, que é um fofo, com quem me identifiquei, e só tenho a agradecer por isso.

Apesar do tema denso de “Sentimento Fatal”, espero que a autora, através dessa história, possa ajudar alguém que esteja passando por este dilema, assim como fez com “Vítimas do Silêncio”, porque os dois são romances intensos, sutis e delicados, que retratam temáticas atuais e extremamente sérias que, ao mesmo tempo, servem de inspiração, motivação, reflexão
e superação.

Recomendo, porque, mesmo que sinta receio em lê-lo, ele vai tocá-lo de alguma forma.

Desculpem a resenha extensa, mas vocês sabem que quando gosto de um livro, vou longe. (risos).

9 comentários:

  1. Resenha extensa sim, mais ficou maravilhosa ;)
    Um dia, eu vou ler...Vc sabe como sou chorona, fico deprê e o tema é muito forte pois já presenciei situação semelhante.

    Beijos
    @Appromances

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  2. Oi Carlinha!

    Sempre que vejo algo sobre a autora, eu paro para ler. Até hoje só li críticas ótimas sobre as histórias da autora.

    Mesmo com temas fortes, a história consegue cativar.

    Parabéns pelo excelente trabalho da autora, e a você pela resenha, que só nos deixa com vontade de ler o livro =D

    Bjs

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  3. Nossa Carla, outro livro da autora que vai fazer sucesso.
    Este está prometendo. Vou aguardar para ler também, não posso perder.
    Parabéns pela resenha e pela responsabilidade do lançamento,
    bju

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  4. Ótima resenha como sempre Carlinha!
    Achei a capa super linda com esse efeito da fumaça saindo do cano da arma. Ficou show mesmo!
    E esse livro tá promentendo mesmo, vai ser um sucesso, tenho certeza.

    Bjusss
    Viciados Pela Leitura

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  5. Eu tô louca pra ler esse livro.
    Fiquei gamada no texto da Janethe quando li Vítimas e estou contando os dias para pegar Sentimento pra ler!

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  6. Ler esse livro em primeira mão para mim também foi uma honra, espero logo tê-lo em mão em sua publicação.

    Um livro que deve ser lido realmente como um amigo que pode ajudar muitos e fazer a diferença na vida de algumas mulheres que passam por esse problema no seu dia-a-dia.

    Amei sua resenha Carlinha, falou com simplicidade de um livro forte e intenso.

    Endosso suas palavras e recomendo sempre!

    Com certeza esse será um livro que farei questão de presentear alguns amigos!

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  7. A janethe adora tratar de tema s fortes neh??? Muito bom esse livro parece por sinal! Vai pra lista!

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  8. Quero muito ler este livro da Janethe, adorei o primeiro livro, pelo jeito ela gosta mesmo de trabalhar com temas fortes, acho que isso é bom para o nosso pais.

    Que chique recebeu em primeira mão \o/ Eu quero kkkkk

    bjkss
    Ká Guimaraes

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  9. A resenha está muito boa,Vou aguardar para ler , não posso perder.

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