Vaclav & Lena - Haley Tanner

VACLAV & LENA
HALEY TANNER
Intrínseca

Este livro, cujo original em inglês intitulado "Vaclav & Lena: A Novel", com 272 páginas, é ambientado em Brighton Beach, no Brooklyn, focada na história de imigrantes judeus russos, que vieram tentar uma nova vida nos Estados Unidos, onde enfrentarão muitas barreiras culturais.

Tudo se desmantelou na família de Vaclav após a Glasnost. Por isso, Rasia, que era uma mulher forte, arrogante e superprotetora, largou a mãe e a avó em Moscou para dar ao filho um futuro digno na América.

Sinto muitíssimo que você esteja solitário, que não tenha amigos e que as outras crianças pensem que você é estranho, e isso me dói como se arrancassem a minha pele e derramassem ácido nela, mas fizemos algo que para você no fim será o melhor, e mesmo que você nunca, jamais saiba disso, nós saberemos e, quando você olhar para nós e nos culpar por escolhermos uma coisa difícil para você, nós saberemos e, quando você olhar para nós e nos culpar por sermos pais, então também nós saberemos.

Pág. 66

Vaclav é uma criança expansiva, precoce, persistente, espirituosa e otimista, cujos
pais eram parcimoniosos, imigrantes e refugiados soviéticos, que sonha em ser um grande mágico com a ajuda de sua assistente Lena. Consultava sempre “O Almanaque Mágico“, já que era fã ardoroso de Houdini, além de ser perseverante em superar todos os obstáculos.

Os dois se conheceram nas aulas de inglês e tornaram-se inseparáveis.

Vaclav não sabe que, para Lena, ele é algum lugar para onde ir em vez de nenhum lugar. Se ele soubesse, poderia ficar feliz por ser o alguém dela, mas ele não sabe.

Pág. 47

Lena era uma criança aparentemente tímida, quieta e reservada, além de obsessiva, vulnerável, desprotegida e frágil, mas intimamente era inteligente, mandona e divertida. Tinha dificuldade em se adaptar ao idioma inglês. Tornou-se antissocial e invisível, já que todos a ignoravam e rejeitavam por ser esquisita, exceto Vaclav, seu único e melhor amigo, que a compreendia de fato. Por isso, ela refugiava-se nele para se sentir segura.

Sua mãe amava Lena como a filha que não teve, já que a menina não conheceu seus pais e foi criada por Ekaterina, sua tia materna, irresponsável, não confiável e tampouco afetuosa que a negligenciava, onde só na reta final saberemos mais acerca do seu passado.

Um dia, Lena desaparece como num passe de mágica e deixa Vaclav inconsolável e de coração partido.

Após sete anos, ele tornou-se um jovem bonito, encantador, atencioso, gentil e entusiasmado. Apesar de seguir em frente e ter uma namorada, ainda não esqueceu sua amiga de infância e até hoje deseja lhe boa-noite com o intuito de protegê-la e fica se perguntando se ela ainda pensa nele. Finalmente, depois de tanto tempo, descobrirá o motivo do seu sumiço, que abalará a todos.

Lena, para Vaclav, é um conceito inconcebível. Lena é infinitude. Lena é o universo em expansão. Lena é a parte mais profunda do oceano, onde nenhuma luz jamais esteve.

Pág. 145


Atualmente, ela continua entorpecida no passado, porque sente que algo dentro de si se quebrou e tem medo de descobrir a verdade, porque quer encontrar essa parte que se perdeu, sufocou e morreu. Tudo é um mistério, já que sempre se sentiu um fardo e em segundo plano devido a muitas lacunas nebulosas acerca de seu nascimento.

Como posso ser exatamente a mesma, se nunca tive a menor ideia de quem sou ou de quem fui?

Pág. 223

Conseguirá preencher esse vazio? Depois de tantos anos, os dois amigos encontrarão finalmente a paz e a felicidade?

Você se lembra de mim? Fui tão importante para você quanto você foi para mim? Só eu guardei a lembrança? Ou você estava junto comigo o tempo todo?

Pág. 204

A narrativa do livro (que me lembrou do livro Amanhã você vai Entender) começa arrastada, o que muitos podem achar entediante, mas vai fluindo e torna-se pungente e envolvente ao longo da leitura, que retrata com precisão as vitórias e os percalços dos imigrantes em um novo país, onde a ingenuidade de Vaclav me emocionou em vários momentos, porque todos nós vivemos por algum momento em um mundo fantasioso, onde fugimos algumas horas da nossa triste e cruel realidade.

A primeira parte do livro conta a história dele intercalando com as perspectivas dela. Cada parte é dividida em capítulos curtos, o que torna a leitura prazerosa a cada página. A escrita é singela e os personagens são bem desenvolvidos, mas gostaria de ter vislumbrado mais acerca da vida dos protagonistas, especialmente da família de Vaclav e o que passaram quando viviam na Rússia.

A partir da metade do livro, sabemos mais acerca da origem de Lena que foi um grande mistério no decorrer da história e tudo que transcorreu na vida dos dois antes de se conhecerem na infância e como estão atualmente. No final, todas as perguntas são esclarecidas e todas as peças do quebra-cabeça acabam se encaixando, mas o que me incomodou um pouco foi o desfecho abrupto, porque queria uma explicação mais detalhista dos fatos, já que não mostrou isso, o que me frustrou, porque a trama tem potencialidade.

Exceto isso, só posso dizer que a autora capturou com magia e ousadia
, a simplicidade, a profundidade e a complexidade dos personagens através dos diálogos e das emoções, onde senti na pele cada momento de dor, angústia, orgulho, anseios, sonhos, triunfando nos percalços que viriam sempre evocando alegria, amor, carinho, amizade, perplexidade e sentimentos profundos.

É uma história singela, e perturbadoramente profunda que vai tocar seu coração, porque não há como não se encantar com os personagens, alguns mal compreendidos, arrogantes, destemidos, dedicados em seus sonhos sem perderem jamais a esperança e a fé.

Além disso, o enredo traz grandes ensinamentos, entre elas: sobre a força do amor e do quanto é capaz de resistir no tempo moldando o nosso caráter desde a nossa infância, seja para o bem ou para o mal. Batalhe e persevere sempre para forjar o seu caráter. Afinal, todos escolhemos qual caminho seguir; e que devemos aceitar nossa vida do jeito que é e fazermos sempre o nosso melhor, porque só
o amor é capaz de suportar todas as adversidades!

- (...). Deveríamos ser gratos às adversidades por nos darem a oportunidade de forjar nossa força, (...).

Pág. 30

2 comentários:

  1. Muito boa a sua resenha.
    Porém a história não me cativou muito, ela parece com algo que já assisti...
    Mas gostei muito do que você falou no final " a força do amor e do quanto é capaz de resistir no tempo moldando o nosso caráter desde a nossa infância, seja para o bem ou para o mal." Quando livros nos mostram esse tipo de coisa acho que eles merecem uma chance e serem lidos. ^^

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  2. Oi, Déborah.

    O livro não me surpreendeu tanto pela história, mas pelos ensinamentos que ele traz. Aprecio muito tramas que tragam reflexões por trás das entrelinhas, porque sempre aprendemos algo.

    A narrativa com capítulos curtos me lembrou a vários livros que já li. ^^

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