Chaves: A história oficial ilustrada

CHAVES: A história oficial ilustrada
Universo dos Livros
Os personagens contidos neste livro ("Chespirito - Vida y magia del comediante más popular de América",
208 páginas) fizeram parte de toda a minha infância e adolescência através de Chaves e Chapolin Colorado.

Continuam fazendo sucesso há mais de trinta anos encantando gerações de pessoas com personagens cativantes e divertidos com seus bordões marcantes, entre eles: “Foi sem querer querendo.”, “Sigam-me os bons!” e ”Não contavam com minha astúcia!”.
Roberto Gómez Bolaños nunca pensou que seus programas alcançariam o mundo e agradece imensamente o carinho e o apoio do público, incluindo o brasileiro (há uma mensagem no livro ao país) ao longo de tantos anos, porque seu intuito sempre foi o de trazer o entretenimento sem causar danos às pessoas, sem distinção de idade, sexo, raça ou nacionalidade.

Para quem ainda não sabe, no México é conhecido como “Chespirito”, apelido que recebeu em reconhecimento ao seu talento para a escrita (o chamavam de “Shakespearito”, diminutivo de William Shakespeare, mas ele adotou a versão castelhanizada). Nunca pensou que esse apelido e sua astúcia ultrapassariam fronteiras.


Nasceu em 1929, em uma família de classe média, que passou por muitas dificuldades econômicas. Segundo filho de Francisco (ator, desenhista e pintor) e Elsa (poetisa e retratista), já carregava na veia esse dom artístico. Desfrutou de uma infância feliz ao lado dos dois irmãos e da família.
“Fui um garoto muito feliz, apesar de nunca ter tido uma bicicleta ou um trenzinho elétrico... Mas nunca me faltou uma bola, um soldadinho de chumbo. Tampouco comia grandes banquetes, mas não me faltavam feijão, tortillas e um pedaço de carne. Nunca me vi na miséria. Minha mãe era extraordinária; eu me lembro dela com muito carinho porque ela sabia ser mãe, amiga, companheira, irmã... Afinal, eu não tive irmãs. Minha mãe nos mandou estudar em bons colégios, mesmo que para isso ela tivesse de sacrificar suas próprias necessidades.”

Pág. 26

Seu pai era um libertino, que ganhava bem, mas gastou tudo tornando se uma vítima da vida de excessos que levava. Por isso, veio a falecer jovem deixando a esposa cheia de dívidas que, sem alternativa, se viu sozinha e obrigada a criar os três filhos pequenos. Sua morte marcou a vida de Roberto, que tinha seis anos.
Na infância, seu grande sonho era ser jogador de futebol, mas sua baixa estatura e peso forçaram a desistir desse sonho e devido a sua personalidade inquieta resolveu explorar outros ramos devido à sua veia poética.

Sempre foi complexado pelo fato de ser pequeno, magro e frágil, mas conseguiu superar isso com golpes. Desde pequeno tinha o dom para o humor, mas não continha sua fama de briguento.
“Hoje, quando olho para trás, [...], me arrependo de ter brigado tanto. Em algumas situações as lutas sequer foram necessárias, e me arrependo tanto das vezes em que ganhei quanto das ocasiões em que perdi.”

Pág. 33

Na adolescência tornou-se boxeador e engenheiro até que acabou descobrindo sua grande vocação, que era entreter as pessoas com seu senso de humor. De comediante, ator, produtor, diretor, roteirista, dramaturgo, compositor, escritor e poeta, se tornou um fenômeno mundial.

Além disso, tinha uma paixão pela música e uma fraqueza incontrolável pelas mulheres, já que era um grande conquistador. A beleza dos irmãos e seu aspecto físico intensificaram o seu complexo de inferioridade, mas acabou usando outros artifícios para compensar isso e conquistar as garotas, entre eles: esbanjando simpatia, fazendo serenatas e sendo um cavalheiro.

Entre tantos amores, acabou casando-se duas vezes. A primeira, com quem teve seis filhos. A segunda com Florinda Meza.

“Com ela, mudei minha maneira de ser – afinal, eu me tornei fiel, 100% fiel. As mulheres eram um vício até que encontrei Florinda. Com ela, tenho tudo e, quando isso acontece, você não se expõe.”

Pág. 47

Sempre teve a capacidade de aprender sozinho e, a partir daí, com muita perseverança em
busca dos seus ideais, superando os percalços que a vinha lhe impôs, a fama alcançou sem querer querendo... E em 1971, nascia o Chaves.
“Este personagem era o melhor exemplo da inocência e da ingenuidade próprias de um garoto, e o mais provável é que essas características tenham gerado o grande carinho que o público sentia por ele.”

Pág. 93
“Este personagem me ocorreu certa vez quando estávamos em uma festa de adultos e algumas crianças se reuniram. Havia um dos garotos que não suportava, porque era convencido demais, e tirei muitas coisas daquela situação. Ele dizia: ‘Ah, diz que sim, não seja malvado’. Pensei: ‘Se alguém me dissesse isso na vida real, eu não sei o que eu faria’.”

Pág. 111

Nascia em 1970, o personagem com o qual mais se identifica, Chapolin Colorado, o herói
mexicano bondoso com anteninhas de vinil que usava uma corneta paralisadora, pastilhas encolhedoras e a marreta biônica para capturar seus inimigos:
“Ele não tinha as características extraordinárias dos heróis. Era tonto, lento e medroso, mas superava o medo e enfrentava os problemas, e isso consiste em heroísmo e humanidade.”

Pág. 79
“Mais rápido que uma tartaruga! Mais forte que um rato! Mais inteligente que um asno! Seu escudo é um coração... É o Chapolin Colorado!”

Pág. 81

Ao ler esta biografia, fiquei admirada de ver as muitas facetas deste homem erudito, criativo e com imenso senso de humor acerca da vida e do ser humano, como relata um de seus filhos.

"O que lhe falta para ser completamente feliz? Que cresçam no mundo a bondade e o perdão."

Pág. 183
“Como eu gostaria de ser lembrado após minha morte? Já me fizeram essa pergunta muitas vezes, mas nunca soube como respondê-la. Na verdade, não sou ambicioso, então, como quiserem. Mas, sobretudo, como um homem bom; não quero monumentos nem belas memórias, nem nada disso.”

Pág. 207

Esta biografia me impressionou, porque gostei de conhecer este gênio por trás dos bastidores, além de cada detalhe e fatos que desconhecia totalmente. Diverti-me e me emocionei em alguns momentos. A minha única queixa é pelo fato do arquivo fotográfico ser todo em preto e branco. Seria maravilhoso se algumas fotos estivessem coloridas.

Neste compêndio conhecemos um pouco mais sobre a trajetória desse ser humano extraordinário, relatando acerca da sua vida pessoal e profissional, além de curiosidades sobre os atores,
a criação do Chaves, do Chapolin Colorado e os personagens (Professor Girafales, Seu Madruga, Seu Barriga, Chiquinha, Quico, Dona Florinda, Dona Clotilde “a Bruxa do 71”, Jaiminho “o Carteiro”, Godines, Pópis, Dona Neves, Beterraba, Dr. Chapatin, Chaveco, Lucas Pirado e Pancada Bonaparte, etc.) que ficaram queridos do grande público.

É um guia ilustrado e imperdível para ser lido e relido por todos, sejam fãs ou não.

10 comentários:

  1. Ahhhh, que perfeito.
    Eu quero. Amava assistir Chaves e Chapolin.
    Particularmente, adoro arquivos fotográficos em P&B, ainda mais agora que estou fazendo um curso de fotografia e quero me especializar em P&B (babi sonhando)
    hahaha

    Beijos, Carlinha!

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    1. Oi, Gabi.

      Eu assisto até hoje e me divirto muito!

      Também adoro fotos em preto e branco, mas gostaria de ter visto pelo menos as dos personagens em colorido. rs.

      Este livro é ótimo! Cada coisa engraçada que descobri, viu?

      Você vai adorar!

      Beijos.

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    2. Eu decorei até a fala dos personagens em alguns episódios, rs.

      Meu preferido sempre foi o Sr. Madruga. Adoro as caras dele, hahaahaha

      Beijos

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    3. Também, adoro todos os personagens, mas o Seu Madruga é impagável! hahahaha.

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  2. Nunca fui fã de Chaves e ou Chapolin. Acho as histórias sem graça e não me vejo lendo este livro.
    Bjs, Rose.

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  3. Oi, Carla.

    Por mais que goste do "Chaves" não tenho saco pra ler biografias, prefiro assistir um documentário.Mas para quem curti esse gênero, sua resenha esta perfeita, com certeza acusa a curiosidade do leitor.

    Beijos
    Lu

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  4. Ah, que bacana deve ser essa biografia =D

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    1. Oi, Nanie.

      Fiquei chocada em muitos pontos, porque nós nunca sabemos o que a pessoa enfrentou para chegar ao sucesso.

      Foi maravilhoso!

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  5. Imagino como não deve ser uma leitura deliciosa, afinal de contas Chespirito fez parte da infância, e até mesmo vida adulta, de muitos.
    Deve ser emocionante. ^^

    http://grilsandbooks.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Déborah.
      Foi muito emocionante em vários aspectos.
      Por isso, Chespirito continua fazendo sucesso até hoje, porque conseguiu captar o que o seu público queria.
      Foi um gênio! ^^

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