Cinquenta tons de liberdade - E. L. James

CINQUENTA TONS DE LIBERDADE
E. L. JAMES
Intrínseca


Este livro (Fifty Shades Freed, 544 p.) é o ultimo volume da trilogia Fifty Shades of Grey, que levantou muitas opiniões contraditórias por parte dos leitores.

Sabemos que a paixão avassaladora presente nos volumes anteriores entre os protagonistas evoluiu para algo mais profundo que transformou suas vidas, mas não previram as vicissitudes que enfrentariam em nome desse amor conturbado e repleto de nuances.

[Aviso: Antes de ler esta resenha, alerto-os de que pode conter spoilers para quem ainda não leu os volumes anteriores.]

- Você fez meu mundo virar de cabeça para baixo. – Ele fecha os olhos, e, quando os abre novamente, vejo que estão tomados pela emoção. - Meu mundo era organizado, calmo e controlado. Aí você entrou na minha vida, com essa sua boca afiada, a sua inocência, a sua beleza e a sua coragem discreta... e todo o resto, tudo antes de você simplesmente ficou bobo, vazio, medíocre.... nada.
Ai, meu Deus.
- Eu me apaixonei – sussurra ele.
Pág. 479

Trabalhando como editora, Ana amadureceu. Está mais confiante e segura, agora que se casou com o homem dos seus sonhos, mesmo com toda a sua bagagem emocional de cinquenta tons, já que ele continua superprotetor e inseguro, enquanto ela está mais persuasiva, corajosa e forte. Os dois vivem se desafiando, mas como todo casal estão dispostos a tudo.

- (...), estou tentando me adaptar a uma nova vida que nunca imaginei para mim. Eu tenho tudo de bandeja: o emprego, você, meu marido lindo, a quem eu nunca... nunca pensei que amaria desse jeito, dessa forma tão intensa, tão rápida, tão... indelével.
Pág. 161

Enquanto isso, Christian gradativamente vai enfrentando seus demônios, porque tem contas a acertar com seu passado e precisa se libertar desses fantasmas, como também terá que dominar seu jeito impulsivo e controlador, que é um mecanismo de defesa. Por isso, passa a confiar nela.

É isso que o tem deixado preocupado? O medo de me machucar? Por que eu confio mais nele do que ele mesmo? Não entendo, nós certamente nos transformamos. Em geral ele é tão forte, tão controlado, mas sem isso ele se sente perdido.
Pág. 226

Em meio ao desejo e a paixão vão criando uma relação de amor e cumplicidade consolidando ainda mais essa união, o que leva a crer que encontraram a tão sonhada felicidade, mas precisam encarar desafios inimagináveis em meio à insegurança e conflitos existenciais, porque seus piores medos surgem, entre eles o de perder um ao outro, mas estão caminhando para a aceitação, superação e redenção.

Ele sempre será o Cinquenta Tons... Meu Cinquenta Tons. Se quero mudá-lo? Não, não exatamente – apenas na medida em que quero vê-lo se sentir amado. Ergo o olhar timidamente, e aproveito um momento para admirar sua beleza cativante... Ele é meu. E não é só o encantamento do rosto e do corpo muito atraente que me enfeitiçam. É o que há por trás dessa perfeição que me atrai, que me chama... Sua alma frágil, machucada.
Pág. 58

Apesar da personalidade difícil, ele é doce e romântico, às vezes, esconde uma fragilidade por baixo dessa fachada intimidadora, fria, insensível e autoritária. Continua com a mania de controlar tudo e a tendência em sufocar aos que ama sem freio graças à sua fortuna, muitas vezes se comportando de modo arrogante, petulante e infantil.

Eu me afasto dele. Isso não é amor. É vingança.
Pág. 237
O que eu vou fazer com esse homem controlador? Aprender a me deixar controlar?
Pág. 238

Ana é generosa, benévola e compassiva, mas também irresponsável, o que é motivo de muita tensão na trama.

Abraço a mim mesma e fico ouvindo-o fascinada. Mas meu coração dói. Christian, por que tanta tristeza? É por minha causa? Fui eu quem provoquei isso?
Pág. 252

Depois do acidente em "Cinquenta tons mais escuros", um incêndio criminoso na sede da empresa, abala a vida do casal e isso será o começo de mais mistérios.

Meu sangue gela. Quem iria machucar Christian? Volto a me atormentar com esse mistério. Alguém ligado ao trabalho? Alguma ex? Um funcionário insatisfeito?
Pág. 91

Os dois são teimosos, mas conseguirão dar a volta por cima e superar os obstáculos da relação, mesmo que ambos levem sua confiança e fé ao limite? Christian se libertará do seu passado conturbado e finalmente se redimirá encontrando a paz que tanto necessita?

Ah, meu Cinquenta Tons. O que é que eu vou fazer com você? E que diabo você estava fazendo com a Monstra Filha da Mãe? Preciso saber.
Pág. 406

As reuniões familiares continuam engraçadas e comoventes, onde cada vez mais o passado de Grey coloca-o em xeque. Gostei de vê-los mais uma vez, especialmente Katherine Kavanagh e o doce, despretensioso e perdido Elliot, um bad boy que emana confiança e sensualidade como o seu irmão. Além dos protagonistas, o livro foca também nos personagens secundários, o que tornou tudo mais interessante.

Há momentos ternos, sensuais e tensos com muito drama, ação e suspense, entremeada de atentados, incêndios, invasões domiciliares, sequestros, tiroteios e perseguições obsessivas (de um lado de ex-submissas e de outro de um carro em alta velocidade por alguém misterioso e psicopata), além das costumeiras cenas apaixonadas e sensuais regadas de sentimentos divergentes, discussões, ciúmes e reconciliações comuns aos casais em seu cotidiano. Além disso, há muito humor que desanuvia os momentos tensos, onde continuo me divertindo com a interatividade via e-mail entre o casal.

Não quero ver esta mulher chegar nem perto do meu marido. Por que ela está aqui? Para avaliar a concorrência? Para me desestabilizar? Ou será que precisa disso para alguma espécie de conclusão em sua vida?
Pág. 320

Diferente do primeiro volume que me desagradou, tive uma leitura agradável, prazerosa e dinâmica no segundo e terceiro volumes, porque me diverti, já que a fluência do texto melhorou, mesmo que os repetitivos Sr. e Sra. Grey me irritassem um pouco, mas deu para relevar. Cheguei a me emocionar nos momentos ternos e de vulnerabilidade dos personagens, que com suas qualidades também são imperfeitos como nós.

Não negarei que é um fenômenos editorial com alguns elementos de BDSM. Como já disse nas resenhas anteriores, fiquei incomodada e receosa com várias cenas e termos excessivos, como também chulos, mas me concedi o direito de ler despreocupadamente, o que foi bem gratificante, mesmo abordando temáticas sérias. Não é um primor literário, contudo me diverti e gostei de ver uma história de amor que superou todos os obstáculos.

Uma coisa interessante é que houve fatores do primeiro livro que coincidentemente se encaixaram o que tornou tudo muito engraçado, ainda mais porque confirma o quanto os personagens amadureceram e aceitaram o inevitável.

Mesmo que Christian seja um personagem encantador e contraditório em suas muitas facetas (Se eu levasse esse livro a sério com a realidade em que vivo, eu fugiria correndo. Quem leu o final de Cinquenta tons de cinza, sabe a que me refiro, já que esse lado obscuro me perturbou muito), duvido que alguém não tenha suspirado por ele, que representa o herói romântico idealizado por toda mulher em seus sonhos mais recônditos.

Com ele torno-me graciosa, esse é o seu dom. Ele me torna sensual, porque é isso o que ele é. E me faz sentir amada, porque, apesar dos seus cinquenta tons, Christian tem muito amor para dar. Observando-o agora, vendo-o se divertir, eu compreenderia se alguém pensasse que ele não se importa com nada no mundo. Sei que seu amor é turvado por questões de controle e superproteção, mas isso não faz com que eu o ame menos.
Pág. 290

Eu gostaria de saber mais acerca do seu passado, já que no final a escritora não se aprofundou muito na sua infância e adolescência, talvez veremos brevemente na mesma história contada sob a perspectiva dele, que será bem interessante, como mostra a prévia no finalzinho do terceiro volume (aquela cena do Natal foi desoladora e de dilacerar o coração, porque sempre que vejo o sofrimento de uma criança, fico profundamente abalada).

A trilogia teve um desfecho previsível e tocante. Nunca pensei que fosse dizer que sentiria saudades dos personagens. Fico feliz por ter dado uma chance e que a escritora continuou com a premissa que apregoou desde o início, mas que infelizmente não vimos no primeiro volume, onde no final mostrou que só a força e o amor inabalável tem o dom de transformar.

A meu ver, ela trouxe sentimentos inerentes a nós humanos que ansiamos em descobrir o amor incondicional e viver intensamente este sentimento de forma arrebatadora, onde redescobrimos nossos desejos mais profundos.

Os direitos do livro foram vendidos e será adaptado no cinema. Agora quem interpretará os protagonistas, só o tempo dirá, mas já tenho o meu Grey preferido, que está no meu Top Piriguetagem Literária 2012. [risos]. Estou na torcida, mesmo que não for ele, torço para que seja escolhido um ator que faça jus ao papel. Vamos aguardar!

Trilogia Cinquenta Tons de Cinza
(Trilogy Fifty Shades of Grey)

1. Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey)
2. Cinquenta Tons mais Escuros (Fifty Shades Darker)
3. Cinquenta Tons de Liberdade (Fifty Shades Freed)


15 comentários:

  1. Alguém que entende o porque eu gostei tanto do Grey... Resenha pra lá de perfeita. :)

    Bjs, Carlinha.

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    1. Oi, Doidinha.

      Estava com receio de ler, mas de tanto ouvir você e as meninas comentando sobre o Grey, a curiosidade foi maior.

      Depois que li o segundo e terceiro livros, fiquei surpresa e gostei bastante da forma como ele se redimiu. Personagens complexos sempre me atraem. Me diverti muito também.

      Agora entendi a sua fascinação por ele. rs.

      Beijos.

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    2. Às vezes eu acerto! kkkkkkkkkkkkkk. E sério, mais do que as cenas até, simplesmente me apaixonei pelo Grey e seus traumas... :)

      *suspiros...

      Bjs.

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    3. Acertou em cheio, hein!!!

      Mesmo querendo fugir dele em alguns momentos, gostei da forma como se redimiu. :)

      Beijos.

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  2. Oi Carlinha!

    Mesmo com todos os problemas encontrados durante a leitura da série, confesso que acabei me divertindo.

    Não é o melhor livro que li, mas cumpriu o papel \o/

    Agora vamos ver quem será escolhido para ser o Grey no cinema kkkk

    Bjs!

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    1. Oi, Ka.

      Também me diverti demais. Aquelas cenas na praia foram hilárias!

      Teve momentos que quis bater no Grey, quando a Ana revelou a novidade p/ ele. rs.

      Beijos.

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  3. Respostas
    1. Leia, Leninha.
      Pode ser que você se surpreenda como eu.
      Como temos gostos muito parecidos, acho que vai gostar.
      Bjs.

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  4. Carla, adorei essa série! Uma pena que terminou....

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    1. Oi, Martha.

      Apesar de não ter curtido o primeiro livro, no geral gostei da forma como os personagens se redimiram. :)

      Agora vamos aguardar nos cinemas.

      Beijos.

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  5. Ai Carla, falar do MEU GREY daria uma resenha maior que a sua viu! kkkkkkkkk
    Pra mim, foi o melhor livro, sem dúvida, acho que ela acertou na trama, acho também que os termos repetitivos foram chatos, mas vi uma leve melhora em comparação aos anteriores.
    Amei o desfecho, só senti falta de uma boa surra na cachorra da HELENA, aff ali merecia uma surra de chicote (o problema é que eu tenho certeza que ela ia gostar, a bandida), e a Ana foi mole demais com essa desclássificada, cara de pau, cafachorra (deixa eu parar de "elogiar" a cretina ou vou longe) kkkkk.

    Mas, pelo que li ela pretende escrever algo mais sobre a série, tipo um livro sobre o Grey, espero que sim! kkkkkkkkkkkk

    Faby - Adoro Romances de Aracaju

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    1. Oi, Fabiana.

      *Morrendo de rir aqui*

      "Seu Grey"? Sei... [risos]. Como sou boazinha deixo ele pra você de mão beijada.

      Quanto a bitch, bem que merecia, viu?!

      Acho que o livro sob a perspectiva dele seria bem interessante. Quem sabe não veremos mais acerca do seu passado obscuro.

      Beijos.

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  6. Podemos dizer que é um dos livros mais comentados do momento haha seja positivamente ou negativamente, mas tá na boca do povo... fato. Também acho que vai rolar o livro com a visão do Grey, achei uma ótima sacada da autora e pros leitores acalenta o coração saber que tem mais rs. Agora... se o efeito na mulherada nos 3 primeiros livros foi esse, imagina quando pudermos saber o que passou na cabeça daquele cara hahaha.
    Em uma visão geral, não sei se fui só eu, mas percebi que para muitas amigas o livro trouxe muita reflexão.
    Bjs

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  7. Oi!
    Menina, suas resenhas foram fantásticas.
    Faz uma semana que acabei de ler e como você mesma citou... eu também sentir muita falta da historia. já que tive 14 dias de muita alegria, diversão, triste e raiva lendo-os.
    Ontem por minha alegria conseguir encontra na internet (santa net) o livro que conta o lado de "50 tons de cinza" por Christian Grey, aonde foi citado no final de "50 tons de liberdade". É escrito por Emine Fougner.
    Só espero que, seja maravilhoso igual a trilogia foi.
    Bjs!

    Ps. Não queria que fizessem filme. rsrsrs

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  8. Oii.
    Fiquei meia receosa de inicio pois a imagem que passavam do livro era de pura perversão. Me rendi logo nas primeiras paginas de cinquenta tons de cinza e hoje não consigo sentir saudades destes personagens.
    Corajosa e apaixonada Anastacia amadurece a cada capitulo.
    Poderoso e assustado Cristhian se encontra conforme as paginas vão se arrastando. HOJE indico e digo que existe toda uma história de auto-superação no romance... Um livro lindo que ficou gravado no meu coração.

    PS: Aguardando ansiosamente o filme ♥

    Raísa

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