A Balada do Rochedo

Caros leitores,

Vocês devem ter percebido que há cerca de duas semanas, o blog está meio parado, mas isso se deve ao fato de eu estar revisando alguns livros e isto tem me tomado tempo, porque é um trabalho demoradamente meticuloso e, ao mesmo tempo, exige atenção redobrada. Assim que possível, voltarei com muitas novidades e resenhas imperdíveis.

Então, hoje decidi postar um poema presente no capítulo X do romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, publicado pela editora Ática, que me marcou muito na pré-adolescência por ser o primeiro romance brasileiro que li.

E também porque, ao ler a terceira edição do romance histórico O Último Baile do Império, da escritora Aline Negosseki Teixeira, me recordei desta história tão singela que serviu de inspiração para a autora criar uma trama distinta com personagens tão fascinantes quanto Carolina e Augusto - ainda mais um certo mascarado misterioso que me lembrou do romance Um Beijo do Destino, de Mary Jo Putney; do filme A Máscara do Zorro, estrelado por Antonio Banderas e Catherine Zeta-Jones; e da música Fascinação, interpretada pela eterna Elis Regina -, cuja escrita poética e a candura da protagonista me encantou, porque Aline retratou como ninguém (fato comum em todos os seus romances que tive o prazer de ler) os anseios da alma feminina em um enredo repleto de romance, mistério e suspense, que nos transporta em suas páginas. Minha resenha será postada na segunda-feira e espero que vocês se encantem com a história de Angelina e Leonel.

Se quiser, pode adquirir o livro físico com dedicatória por R$ 20,00 na lojinha do site da autora ou a versão digital por R$ 1,99 na Amazon*.

*Promoção válida até 31/07/2013.


A Balada no Rochedo


I

Eu tenho quinze anos
E sou morena e linda!
Mas amo e não me amam,
E tenho amor ainda,
E por tão triste amar
Aqui venho chorar.


II

O riso de meus lábios
Há muito que murchou;
Aquele que eu adoro
Ah! foi quem o matou:
Ao riso, que morreu,
O pranto sucedeu.


III

O fogo de meus olhos
De todo se acabou:
Aquele que eu adoro
Foi quem o apagou:
Onde houve fogo tanto
Agora corre o pranto.

 
IV

A face cor de jambo
Enfim se descorou;
Aquele que eu adoro
Ah! foi que a desbotou:
A face tão rosada
De pranto está lavada!


V

O coração tão puro
Já sabe o que é amor;
Aquele que eu adoro
Ah! só me dá rigor:
O coração no entanto
Desfaz o amor em pranto.


VI

Diurno aqui se mostra
Aquele que eu adoro;
E nunca ele me vê,
E sempre o vejo e choro:
Por paga a tal paixão
Só lágrimas me dão!


VII

Aquele que eu adoro
É qual rio que corre,
Sem ver a flor pendente
Que à margem murcha e morre:
Eu sou a pobre flor
Que vou murchar de amor.


VIII

São horas de raiar
O sol dos olhos meus;
Mau sol! queima a florzinha
Que adora os raios seus:
Tempo é do sol raiar
E é tempo de chorar.


IX

Lá vem sua piroga
Cortando leve os mares:
Lá vem uma esperança,
Que sempre dá pesares:
Lá vem o meu encanto,
Que sempre causa pranto.


X

Enfim abica à praia;
Enfim salta apressado,
Garboso como o cervo
Que salta alto valado:
Quando há de ele cá vir
Só pra me ver sorrir?...


XI

Lá corre em busca de aves
A selva que lhe é cara,
Ligeiro como a seta
Que do arco seu dispara:
Quando há de ele correr
Somente pra me ver?


XII

Lá vem do feliz bosque
Cansado de caçar;
Qual beija-flor, que cansa
De mil flores beijar:
Quando há de ele cansado
Descansar a meu lado?...


XIII

Lá entra para a gruta,
E cai na rude cama,
Qual flor de belas cores,
Que cai do pé na grama:
Quando há de nesse leito
Dormir junto a meu peito?


XIV

Lá súbito desperta,
E na piroga embarca,
Qual sol que, se ocultando,
O fim do dia marca:
Quando hei de este sol ver
Não mais desaparecer?


XV

Lá voa na piroga,
Que o rasto deixa aos mares,
Qual sonho que se esvai
E deixa após pesares:
Quando há de ele cá vir
Pra nunca mais fugir?...


XVI

Ó bárbaro! tu partes
E nem sequer me olhaste?
Amor tão delicado
Em outra já achaste?
Ó bárbaro! responde
Amor como este, aonde?


XVII

Somente pra teus beijos
Te guardo a boca pura;
Em que lábios tu podes
Achar maior doçura?...
Meus lábios murchareis,
Seus beijos não tereis!


XVIII

Meu colo alevantado
Não vale teus braços?...
Que colo há mais formoso,
Mais digno de teus braços?
Ingrato! morrerei...
E não te abraçarei.


XIX

Meus seios entonados
Não podem ter vala?
Desprezas as delícias
Que neles te oferecia?
Pois hão de os seios puros
Murcharem prematuros?


XX

Não sabes que me chamam
A bela do deserto?...
Empurras para longe
O bem que te está perto!
Só pagas com rigor
As lágrimas de amor?...


XXI

Ingrato! ingrato! foge...
E aqui não tornes mais:
Que, sempre que tornares,
Terás de ouvir meus ais:
E ouvir queixas de amor,
E ver pranto de dor!...


XXII

E, se amanhã vieres,
Em pé na rocha dura
‘Starei cantando aos ares
A mal paga ternura...
Cantando me ouvirás.
Chorando me acharás!...


Acho que esta cena em cima do rochedo é memorável, porque sentimos na pele a angústia de Carolina ao entoar esta balada, de frente para o mar, com sua voz terna.

Espero que gostem e bom final de semana a todos.


6 comentários:

  1. Ontem quando vi sua postagem fiquei emocionada, Carla.
    Sobre a mesma tal pedra eu sentei e fiquei devaneando a balada do rochedo, se encontraria um verdadeiro amor.
    E eu encontrei. Teve uma história digna de páginas, e essa foi minha inspiração maior. Fabuloso como a literatura, a vida e beleza de Paquetá se confundem em minha vida.
    Estar lá, e pensar na balada do rochedo é como ter 15 anos para sempre. A idade em que todos os sonhos são possíveis.

    Obrigada por tudo isso, vc faz a vida dos autores muito especial.
    A minha alegria enquanto escritora é, por conta dos livros, encontrar pessoas assim, que se estreitem a perto por causa das narrações! =')

    Adorei,
    bjos.
    Aline

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    Respostas
    1. Oi, Aline.

      Concordo com você. Os livros tem o dom de nos transportar para lugares incríveis.

      Não conheço esta região por impossibilidade mesmo, mas sempre imagino através dos livros e, na época em que li A MORENINHA, visualizava um lugar maravilhoso e fico muito feliz por você ter conhecido e encontrado seu grande amor. Todos os sonhos são possíveis, só basta acreditarmos. Até hoje essa cena me emociona.

      Fico muito lisonjeada e emocionada com seu carinho. Já li três romances seus e cada um à sua maneira me tocou de alguma forma, porque me trouxe muitas lembranças de épocas felizes que deixaram saudades.

      "O último baile do Império" foi um deles e me cativou com a essência da trama, como só você consegue transportar para o papel, porque conhece a fundo a alma feminina. Torci a todo momento pelos protagonistas e me surpreendi pelo mistério que permeou a trama. Em nenhum momento, me passou pela cabeça que o culpado era... Você sabe a quem me refiro. [risos]. Conseguiu despistar direitinho.

      Você tem o dom da escrita. Espero que continue trazendo belas histórias e emocionando a todos os seus leitores.

      Não vejo a hora de ler GRACIOSA com calma além de outros romances que venha a publicar. Pode contar sempre com o meu apoio no que precisar.

      Beijos.

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  2. Oi, Carla.

    Ahhh, parece ser um livro legal! Eu fiquei mais do que mega ansiosa para ler essa história, por isso, comprei o livro !!! rsrsrs

    Beijos e até o próximo post!
    Lu Apaixonada por Romances

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  3. Ah, eu tenho o livro da Aline, na primeira versão! Uma história muito bacana!
    Adorei reler essa passagem!

    Carlinha, o trabalho de revisão é mesmo muito exigente! Mas seus leitores te entendem e aguardam até que você tenha tempo para postar.

    Beijos,
    Nanie

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  4. Que post lindo amiga, você como sempre sabe tocar o coração da gente.
    Beijo enorme!

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  5. Realmente o livro A Moreninha é espetacular, e a história por trés da balado do rochedo nem se fala, emocionante demais. O melhor livro que já li.

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