O Último Baile do Império - Aline Negosseki Teixeira

O ÚLTIMO BAILE DO IMPÉRIO
ALINE NEGOSSEKI TEIXEIRA
Independente


Sou apaixonada pelos romances dessa escritora brasileira, mas ainda não tinha tido a chance de ler este romance independente e histórico, de 119 páginas, ambientado em 1889, mais precisamente no final da Monarquia.

Aos 19 anos, a bela e doce Angelina de Aragão — filha única de um visconde e cafeicultor abastado dos últimos dias do Império do Brasil —, vivia cada vez mais solitária e entediada entre bordados, crivos e sonhos, em companhia de Edye, a governanta que cuidava do seu bem-estar, enquanto seu pai, um homem recluso e reservado, negociava seu casamento com um nobre estrangeiro e descendente de estirpe para dar sucessão ao seu título.

Angelina não podia acreditar no que ouvira. O pai já decidira toda sua vida sem nada, antes, lhe ao menos, comunicar. Mas já deveria ter imaginado que era algo assim que o destino lhe preparara. Na época, era comum o pai decidir com quem se casariam suas filhas. Destino? O que estava pensando, já não acreditava em destino. Começava a desconfiar... pensar na vida e sua verdade como um amontoado de causalidades e coincidências que se combinam entre si e que bem raro, por pura ironia, cria situações que as pessoas costumam chamar felicidade. Não podia fazer muita coisa a respeito, mas não ficaria inerte.

Uma jovem sonhadora, determinada, convicta e sem nenhuma ambição. Ainda assim tinha esperança de viver algo emocionante, pois seu maior medo era nunca ter uma vida plena, constituir uma família e ser feliz ao lado de um grande amor, pois anseia por um marido gentil, amoroso, dedicado e honesto.

Um dia, no meio de uma festa nos confins do palacete, o mascarado misterioso Leonel invadiu seu quarto, garantindo que estava ali para protegê-la de um mal iminente e pediu-lhe que não noivasse do nobre que o autoritário pai lhe impunha. Acabam fazendo um pacto que mudará suas vidas.

— Por que escondes teu rosto?
— Há muitas coisas que a senhorita não pode saber ainda, por segurança.

Fica cada vez mais intrigada do motivo por trás dessa proteção e começa a ter visões insanas, que podem estar relacionadas ao passado. Em contrapartida quer desvendar as mensagens codificadas deixadas por sua falecida mãe. 

Infelizmente, as suspeitas ficam cada vez mais difíceis e acaba colocando em risco a vida de todos. A partir daí, sua vida até então monótona vira de pernas para o ar.

Anos depois, recebe a visita inesperada do tio e padrinho, por quem tinha grande apreço, que a leva a conhecer novos horizontes e um mundo inimaginável, onde Angelina viverá as aventuras que sempre ansiou e reencontra Leonel, que a desperta para o amor e para a sensualidade. O que ela nem imagina é que, além de zelar por sua segurança, ele investiga as circunstâncias misteriosas da morte de sua mãe.

Apesar da paixão que se desenrolava entre os dois, ela sofria com o noivado iminente que o pai impusera, por intermédio do tio: o nobre espanhol D. Augusto Filipe de Zafra Derdejo y León, que esperava ser correspondido ao seu amor, mas ela não tinha vontade de conhecê-lo.

— Tio não me tome por tola, mas me preocupa não poder aguentar passar toda minha vida com alguém por quem não nutro nenhum sentimento, talvez até chegue a sentir dele rancor por ter me tirado a oportunidade de encontrar quem me faça feliz. Sei que há uma pessoa certa para mim, só não sei onde.

Fica cada vez mais confusa em relação aos seus sentimentos, porque por mais que ame e esteja atraída pelo homem enigmático, não tem como se libertar do compromisso imposto, porque não ousa lutar contra o destino já traçado, pois seria inútil, já que as mulheres não tinham voz e sempre se reportavam aos homens, porque era dever de uma dama manter-se calada.

Ela antipatizou-se à primeira vista por Augusto, porque o achou ríspido, arrogante, presunçoso e convencido. Totalmente inescrupuloso, era o oposto de Leonel, mas aos poucos vai percebendo algo mais por trás de sua audácia. 

Seu coração começaria a dividir-se?
Mas, ainda assim, queria ir ao encontro daquele que lhe provocava sensações desconhecidas e secretas, ainda que ela não entendesse as implicações do magnetismo que a impelia a ele, relegando ao noivo, seu afeto por obrigação, a um segundo plano.

Acabará rendendo aos encantos do noivo ou seu amor pelo carinhoso Leonel falará mais alto? Pobre, Angelina! Seu coração está cada vez mais dividido!

Havia algo de muito significativo naqueles olhos que ela pensava jamais ter visto, mas sempre conhecido. Pensava em suas horas de reflexão desesperançada, que, quando visse aqueles olhos, enxergá-los-ia frios e distantes; pensava que os veria com animosidade. A antipatia antecipada de Angelina, mesmo pelo fato da união ser arranjada, dava lugar, agora, a sentimentos de curiosidade, calor e familiaridade. Sentimentos que se materializavam com olhares, expressões e, mesmo, com gestos despretensiosos.
Como podia uma donzela que acabara de ficar noiva querer tanto encontrar-se com um sujeito misterioso e desconhecido. (...), mas algo no caráter da noiva o preocupava. Como casar-se com alguém que já, tão no início, aceitava entrar em uma vida dupla?

Em nome do amor, suas ações a conduzem a um abismo sem volta em meio à inveja e despeito. Como se não bastasse, alguém está atrás de vingança, o que acarretará amargura, rancor e ódio.

E se o noivo descobrisse que ela, desacompanhada, encontrava-se com outro, frequentemente? Seria um escândalo! Seu pai a renegaria, a sociedade a baniria, impossibilitando-a de pleitear matrimônio com qualquer outro que fosse, e pior: seu tio se decepcionaria e isso não poderia suportar.

Angelina encontrará o amor e a esperança nos braços do noivo Augusto ou do misterioso Leonel?
Descobrirá a verdade de seu passado oculta por tantos anos? Só posso adiantar que o leitor descobre desde o princípio a identidade do mascarado e torce por um desfecho feliz, como também fica chocado quando a verdade vem à tona.

Ele a beijou na mão demoradamente e Angelina arrepiou-se desde a espinha. O que lhe causou estranheza, já que isso acontecia apenas quando estava perto de Leonel, vai ver era isso, ele já devia a estar esperando.
— Perdoar do que, Leonel? Há muito eu te amo, e o amor tudo perdoa. Perdoa, ainda sem saber necessário.
— Angelina, tu me amas, então? Como podes me amar sem conhecer meu rosto? É isso que precisas me perdoar. Quando conheceres, irás me perdoar?
— (...), Angelina, o teu amor para mim não tem preço... Ele me é tão caro, que, em troca, só posso dar meu próprio amor, meu corpo, minha alma, minha vida, minha herança, minha eterna devoção...

Ao lê-lo, me veio à mente o romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, que me marcou muito na pré-adolescência por ser o primeiro romance brasileiro que li (a minha edição era a da editora Ática, como podem ver nesta postagem).

Foi uma grata surpresa quando descobri que esta história singela e clichê que serviu de inspiração para a autora criar uma trama distinta com personagens tão fascinantes quanto Carolina e Augusto — ainda mais pelo mascarado misterioso me relembrar do romance Um Beijo do Destino, de Mary Jo Putney, e do filme A Máscara do Zorro, estrelado por Antonio Banderas e Catherine Zeta-Jones —, cuja escrita poética comparável a da escritora Martha Medeiros sempre me encantou. Qual não foi a minha alegria ao deparar-me com um poema de Casimiro de Abreu, que adorava declamar na juventude, além da magia da história me embalar com a música Fascinação, interpretada pela eterna Elis Regina.

Apreciei muito a inocência e da candura da protagonista por me lembrar de Carolina e isso transpareceu a todo o momento. Os personagens são bem construídos, cujos protagonistas nos cativam e não têm como não nos identificarmos com seus anseios e dramas, além de torcermos por um desfecho feliz.

Assim como Judith McNaught, Kristin Hannah, Nicholas Sparks, Emily Giffin, Nora Roberts, Aline retrata como ninguém — fato comum em todos os seus romances que tive o prazer de ler como: Por Falar em Disputa... e De Amor e Destino — os anseios da alma feminina em um enredo repleto de aventura, romance, paixões, mistério, intrigas, revelações bombásticas e suspense, que nos transporta em suas páginas para um universo único.

Claro que houve deslizes em alguns momentos, principalmente em uma cena idílica que esperava muito mais romance e senti que não teve, como também gostaria que tivesse tido um perdão que esperava demais (não posso mencionar a que personagem me refiro, porque não quero estragar a leitura), mas os mistérios que permeiam o enredo se entrelaçaram de tal forma que culminou em um desfecho extraordinário, que me surpreendeu e ao mesmo tempo me chocou em uma cena dolorosa e terrível de uma mãe com uma criança, que deixou-me com o coração na mão.

No decorrer da leitura, teci mil teorias e suspeitei de todo mundo, menos do óbvio que estava diante do meu nariz o tempo todo. Adorei a forma como a autora conduziu todo o suspense, que conseguiu me despistar direitinho do verdadeiro algoz (olha que sempre acerto, hein?!).

Achei ótimo que além da história em si, o romance tem como pano de fundo histórico a noite do último baile do Império, retratando a queda da Monarquia e o surgimento da República no Brasil em cenários cotidianos da nobreza cafeeira, além de deixar algumas reflexões nas entrelinhas.

— O tempo é o senhor da razão. Confies no Pai do céu. Se te entregares de coração ao jugo divino, só o bem pode ser reservado para ti.

Se você curte todos os itens que mencionei e gosta de uma boa história de amor, recomendo!

Para saber mais sobre a romancista e poetisa paranaense Aline Negosseki Teixeira e suas obras:


 
 
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6 comentários:

  1. Carlinha, eu já tive a oportunidade de ler esse livro e gostei bastante!
    Não o achei perfeito não, também encontrei algumas coisinhas que me desagradaram, mas de maneira geral foi uma leitura muito agradável!


    Beijos,
    Nanie

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    1. Oi, Nanie.

      Este romance foi o primeiro que a Aline escreveu. Então, o primeiro serviu de experiência para os próximos.

      Desde então, ela evoluiu muito como escritora. Um exemplo disso foi nos outros romances que mencionei acima que são os meus preferidos até agora.

      Tenho certeza que você vai gostar muito. ^^

      Beijos.

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  2. Carla,
    como sempre sua resenha super detalhista e, o principal, emotiva.
    Obrigada pelo carinho sempre!
    Creio que escrever romances é principalmente intuição e sentimento. E esse, meu filhinho primogênito, escrito quando eu tinha 21 anos, é cheio de mim mesma.

    beijinhos!
    ;**

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    1. Oi, Aline.

      Não precisa agradecer, é sempre um prazer divulgar suas obras.
      Não vejo a hora de ler Graciosa com calma, porque aprecio romances históricos.
      Sempre me deixo levar pelas emoções que qualquer leitura me transporta.
      Só quem lê entende essa magia de sonhar e viajar.
      OUBI me trouxe ótimas recordações, onde visualizei cada momento.
      Sabe que pode contar sempre com o meu apoio.
      Beijos.

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  3. Adorei sua resenha Carlinha, fez jus a linda escrita da autora.
    Eu me encantei com a perspicácia em surpreender com um final inusitado e forte.
    Com certeza uma ótima leitura, para quem curti um romance de época com bases fortes e ótima inspiração.

    Beijos mil!

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  4. Parabéns pela resenha. Abs

    www.almeidaemprosa.com.br

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