Para Sempre [2ª edição] - Glaucia Santos

PARA SEMPRE
GLAUCIA SANTOS
Independente


Este foi o primeiro romance publicado pela autora que li (li a primeira edição, da Baraúna, em 2012), mas agora é uma publicação independente que foi totalmente repaginada nesta segunda edição — capa nova, revisão e diagramação — que conta com 328 páginas na versão impressa, que já está à venda pelo Clube de Autores


Para quem não conhece a autora, Glaucia Santos é conhecida pela delicada sensibilidade com que retrata lindas histórias de amor, que também instiga o leitor até a última página, porque sua capacidade de emocionar, independente do gênero que for, continua imutável. 

Até hoje — a cada releitura dessa história contemporânea e profundamente tocante —, os dramas vividos pelos personagens ainda permeiam a minha mente, porque conseguiu me emocionar em todos os sentidos. Não tem como você não se identificar com os dramas familiares e as situações vividas pelos protagonistas que como nós lutar para crescer em meio às suas qualidades e imperfeições, tornando-se seres humanos evoluídos em meio ao autoconhecimento.

A história é ambientada na Carolina do Sul, em uma cidadezinha conservadora, intercalando o presente com flashbacks do passado onde os personagens Elizabeth e Justin trilharam um caminho árduo em nome do amor, mostrando a sua infância, adolescência até os dias atuais.

Quando Justin disse que era “para sempre”, havia verdade em suas palavras. Assim como o “eu te amo” tocou o meu coração, eu também acreditei que seria da mesma maneira. Mesmo depois de tudo o que nos aconteceu, suas palavras ainda continuavam ecoando em minha mente.
Pág. 19

Desde os seis anos, estavam predestinados um ao outro. À primeira vista, sentiram-se como se já se conhecessem. Os laços de amizade vão se estreitando e quando vão surgindo os novos sentimentos, eles descobrirão os mistérios e as descobertas do primeiro amor enveredando pelo caminho da paixão.

Aquele foi o nosso primeiro e glorioso beijo. Sentia meu corpo leve, flutuando em um estado completamente encantado com o toque, o gosto do sorvete, o prazer dos movimentos, o alvoroço das minhas borboletas.

Pág. 64

Lizzy era tímida e carente de carinho e afeição. Com seu jeitinho meigo e cativante, Justin tornou-se um anjo da guarda em sua vida desde o primeiro momento e tornaram-se amigos inseparáveis. Enquanto ele vinha de uma família abastada, ela vinha de uma desestruturada.

Apesar de pobre, Lizzy era 
tratada com indiferença pelos pais, que a culpavam pelos seus infortúnios, o que a magoava e sentia-se miserável pela sua existência, mas devido a isso se tornou uma pessoa forte. Sua mãe trabalhava para sustentá-la, porque seu pai era um inconsequente que as humilhava sem dó e nem piedade, e as duas sofriam maus-tratos por parte dele. Por isso, a garota via em Vanessa, a mãe de Justin, uma segunda mãe, já que a sua era uma pessoa amargurada que escolheu o homem errado e paga caro por seus erros, sendo infeliz. Mesmo assim, a filha tinha orgulho dela por ser uma guerreira e ao mesmo tempo tinha vergonha do pai, que sempre inferiorizou.

Como se não bastasse levar uma vida deprimida e infeliz, como também repleta de recriminações e vigilâncias, ainda sofria bullying na escola por levar uma vida simples e honesta, mas Justin nunca fez distinção de sua classe social por ser benevolente. Por isso, aprendeu muito com a família dele sobre o significado da religião e a ter fé, a perseverar no amor e acreditar no ser humano.


— Fé é algo que você não pode ver ou tocar. — Ele levou uma das mãos ao meu peito e a pousou ali. — É algo que você sente aqui. Você acredita e tem esperança. Sem fé as pessoas não conseguem persistir, porque não acreditam que vai dar certo. Só tenha fé em seu coração e acredite.

Pág. 31

Ao contrário dela, Justin teve uma educação primorosa e levava uma vida correta de acordo com os preceitos morais impostos pela sociedade.

Apesar das diferenças sociais, os dois sempre foram cúmplices nas traquinagens, companheiros e amigos que se completavam em todos os sentidos, além de serem impulsivos.

Ele era um garotinho valente, que a protegeu de tudo e de todos. Ambos são encantadores com sua meiguice e ingenuidade em meio a essa doce descoberta do amor, porque possuem uma mente fértil e fantasiosa acerca do futuro. Devido às circunstâncias do destino são separados por uma década, onde Lizzy acaba adoecendo de saudade porque sem Justin sua vida perde todo o sentido.


A ideia de perder Justin era por demais dolorosa. E se... se o para sempre não fosse como nos contos de fadas? E se meu príncipe virasse sapo ou se ele encontrasse outra princesa? E se ele fosse embora ou se não me amasse mais? Aquele “e se... e se...” começou a me doer muito. Meu coração se apertou em uma aflição angustiante. Não queria que acabasse nunca. Nunca!

Pág. 66

Um dia, uma grande reviravolta muda irremediavelmente o curso de suas vidas para sempre.

— Amo-a tanto que chega a doer. Achei que nunca mais a veria e a vida não tinha graça nem luz e nada fazia muito sentido. Eu apenas seguia, dia após dia, empurrando a vida como dava. .

Pág. 207

Eles amavam-se incondicionalmente, mas a imagem de outrora não condizia com a realidade. Apesar de serem racionais e sensatos, algumas decisões imaturas afetarão drasticamente suas vidas.

Em meio às decisões, escolhas, mágoas, descobertas, crescimento, autoconhecimento e amadurecimento, será que o amor, presente em cada página, sobreviverá a brigas, ciúmes, traições e rompimentos?

— Nunca mais dirija a palavra a mim! Entendeu?! Você não sabe nada da minha vida! Não sabe nada sobre quem sou e como eu sou. Se estou aqui é porque sou uma vencedora. Eu trabalho muito para conseguir sobreviver. Você não faz ideia do que é dormir sem ter o que comer, de não ter dinheiro para lavar as roupas e de não poder se dar ao luxo de comprar um doce de vez em quando. Você é mais um filhinho de papai de merda, que vive à custa de mesada e fica desfilando com carro de luxo, esbanjando o dinheiro dos seus pais. Então, não abra a sua boca para falar o que não sabe. Não fale mais comigo e não olhe para mim. Se me encontrar, peço que finja que nem me conhece. Entendeu?

Pág. 116

O livro foi inspirado na música “Por Enquanto”, interpretada pela Cássia Eller, e no romance “Diário de uma Paixão”, do Nicholas Sparks, no momento atual, cuja narrativa é em primeira pessoa sob a perspectiva de Lizzy.

Desde o início, a autora já nos deixa cientes de qual será o desfecho, porém, mesmo assim torci pelo final feliz do casal, que amadurecem juntos em meio aos percalços do destino enfrentando todas as adversidades.

Tanto a capa da primeira e da segunda edição ficou maravilhosa e refletiu exatamente o romance do livro. Se quiser ver como ficou a diagramação desta edição, clique aqui e assista ao vídeo onde a autora mostra detalhadamente.

Glaucia escreve de forma clara e singela, o que torna a narrativa agradável e envolvente desde o princípio. As cenas são bem descritas que você consegue visualizar cada momento dramático, tenso, terno, divertido e comovente de forma tão vívida o que torna tudo muito real e, ao mesmo tempo, pungente.

Em vários momentos, Lizzy era muito insegura e vivia perdendo o controle por causa de Justin. Isso me enervou, pois tive vontade de dar umas sacudidas nela porque mesmo revoltada, acabava se rendendo aos encantos e cedendo facilmente às atitudes levianas perdoando Justin como se nada tivesse acontecido (mesmo com seu charme, eu resistiria bravamente! Se vocês vissem minha reação quando a via chorando pelos cantos... Queria matar o Justin! Apesar de adorar o personagem, nessas horas ele conseguiu me tirar do sério!) Mesmo amando uma pessoa, nós temos que impor limites e respeito! Apesar de alguns momentos de infantilidade e imaturidade, felizmente, vemos o crescimento dos personagens.

Apesar de demonstrar insegurança, Lizzy sempre foi uma pessoa forte, corajosa e perseverante em busca dos seus sonhos. Passou por tantas dificuldades que por diversas vezes teve sua fé abalada, já que se machucou muito por se sentir frustrada, vazia, fragilizada e desprotegida, sem forças para lutar. Mesmo assim sente nostalgia dos momentos que viveu.

Além dos protagonistas, os personagens secundários também me conquistaram, entre eles:

Johnny, o irmão de Justin, que era uma criança precoce, inteligente, amável, extrovertida e esperta, negligenciada pelos pais que mimam e sufocam Justin, que sempre teve o que quis. Independente para a idade, ele é tão espontâneo que acaba sendo o humor do livro que desanuvia os momentos tensos, já que sempre chocou para chamar a atenção do pai intolerante e intransigente. No fundo, era alguém que ansiava por carinho e proteção.

Já a antagonista Melissa era irritante, persuasiva, dissimulada, superficial e persistente. Manipuladora e cruel. Teve momentos em que queria trucidá-la, porque infernizou a vida deles. Pobre, Lizzy! Nesses momentos, lembrei-me das novelas mexicanas onde as mocinhas sofriam horrores antes de serem felizes.

O livro aborda muitas questões familiares importantes, falta de diálogo, rupturas, escolha profissional, gravidez na adolescência, adoção, bullying, violência doméstica, alcoolismo, além da obstinação e os valores familiares em várias passagens da infância até a velhice, como também mostra lições de amor, perdão, perseverança e fé.

Você tem que amar, perdoar e ser perdoado quando ainda há vida. E o mais importante: não deixar o orgulho, o ressentimento e as crises familiares impedirem de fazer isso. Um dia, seus pais e seus irmãos não estarão mais lá e o arrependimento vai lhe acompanhar pelo resto da vida.

Pág. 251

Digo a vocês que a vida é curta! Viva intensamente cada instante como se fosse o último!

Como viram, tive um turbilhão de emoções ao longo da leitura, porque é um romance para se devorar aos poucos curtindo cada passagem da vida dos personagens. Se você é fã da Kristin Hannah e do Nicholas Sparks, já sabe o que esperar desse enredo nacional , que a cada releitura é uma nova descoberta para um mundo maravilhoso, que me arrancou muitas lágrimas de emoção. Recomendo!

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2 comentários:

  1. Ainda vou ter o prazer de ler Para Sempre, já conheço as obras da Gláucia Santos, me apaixonei por Luz da minha vida e Vento no litoral. Autora maravilhosa, talentosa e gente boa, merece todo sucesso do mundo!

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    Respostas
    1. Oi, Sandra.

      É um livro que você vai adorar ler, porque é daqueles que nos marcam pra sempre. :D

      Adoro os livros da Glaucia e torço para que um dia ela seja reconhecida como merece. É uma escritora muito talentosa.

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