NA ILHA
Tracey Garvis Graves
Intrínseca
Primeiro romance (On the Island, de 288p.) da autora que tive o prazer de ler e me apaixonei. Entrou para a minha lista dos Top deste ano, cujo enredo é centrado na história de T.J. Callahan e Anna Emerson.
Tracey Garvis Graves
Intrínseca
Primeiro romance (On the Island, de 288p.) da autora que tive o prazer de ler e me apaixonei. Entrou para a minha lista dos Top deste ano, cujo enredo é centrado na história de T.J. Callahan e Anna Emerson.
— Nunca amei John da forma como amei T.J.
T.J. é um jovem de 16 anos, maduro e reservado, que está há três meses em remissão de um câncer (linfoma de Hodgkin de estágio três), por isso quer levar uma vida normal como todo adolescente após um ano e meio doente.
Aos 30 anos, Anna leciona inglês no ensino médio e está em crise no seu relacionamento de oito anos, que não está evoluindo em nada, já que sempre desejou constituir uma família e realizar o sonho de ser mãe.
— Não consigo mais continuar assim, Sarah — prossegui. — Como ele poderia suportar um bebê se nem consegue se comprometer com o casamento? — Balancei a cabeça. — Outras mulheres fazem parecer tão fácil. Elas conhecem alguém, se apaixonam e se casam. Talvez em um ano ou dois comecem uma família. Simples, não é? Quando John e eu discutimos nosso futuro, é tão romântico quanto uma transação imobiliária, com quase a mesma quantidade de cálculos. — Agarrei meu guardanapo e enxuguei os olhos.
Até que um dia, cansada de tudo e ansiando por aventura, ela resolve dar um tempo para pensar e tomar uma decisão definitiva para a sua vida. Por isso aproveita a oportunidade de ser tutora e dar aulas particulares na casa de veraneio alugada pela família de T.J. durante suas férias nas Maldivas, com o intuito de ajudá-lo a repor as aulas que perdera na escola enquanto este lutava contra a doença.
Durante a viagem — sobrevoando as 1.200 ilhas nas Maldivas para ir ao encontro dos familiares do jovem —, o imprevisto acontece e o hidroavião acaba caindo no oceano Índico, cujas águas estão infestadas pelo terror dos mares, e ambos se veem numa situação inimaginável: ao alcançarem uma praia flutuando em seus coletes salva-vidas, acabam descobrindo que estão presos em uma ilha tropical paradisíaca e deserta, que apesar de ser o cenário dos sonhos, torna-se um pesadelo no decorrer da leitura, porque eles serão colocados à prova constantemente na luta pela sobrevivência.
O impacto me tirou do chão, como se alguém tivesse amarrado uma corda em volta dos meus tornozelos e puxado com força. O som de vidro estilhaçado encheu meus ouvidos, e tive a sensação de voar. Em seguida, senti uma dor ardente no momento em que a aeronave se partiu.
Quem assistiu ao seriado Lost, e aos filmes A Lagoa Azul e Náufrago, vai se identificar e se emocionar com os dramas que os protagonistas viverão trabalhando para conseguir água, comida e abrigo.
— Por que você acha que o avião não voltou, Anna?
— Não sei.
Mas eu achava que ela sabia.
— Eles acham que estamos mortos, não é?
— Espero que não — disse ela. — Porque senão vão parar de procurar.
Em contrapartida, eles irão se deparar com uma série de obstáculos, incluindo ossos humanos, golfinhos, cardumes de peixes, violentas tempestades tropicais, tsunamis. Enfrentarão diversos perigos do mar (tubarão, água-viva, caranguejos), morcegos, mosquitos, ratos e a possibilidade de o câncer de T.J. voltar.
Além de se alimentarem frugalmente de peixe, coco e fruta-pão além de outros alimentos, também ficarão suscetíveis a desnutrição, desidratação, doenças, fome, sede, tédio, desgastes físicos e emocionais.
Enquanto eu estava deitada na areia perto de T.J., só havia uma coisa da qual eu tinha certeza. Se outro avião não viesse ou não descobríssemos uma maneira de coletar água, T.J. e eu morreríamos.
O tempo passa e cada vez mais cansados em resolverem novos problemas, se preocupam constantemente um com outro por medo de adoecerem ou serem feridos.
Eu duvidava de que ainda estivessem nos procurando, e um sentimento vazio, oco, que não tinha nada a ver com fome, se juntava à dor nas minhas vísceras sempre que eu pensava na minha família e nos meus amigos.
Contudo, o maior desafio será a convivência através de uma forte ligação que vai surgindo em meio a dificuldades e se fortalecendo diariamente. Consequentemente, darão vazão aos seus verdadeiros sentimentos onde viverão uma história de amor ilícito.
Será que depois de três anos e meio perdidos no mar, eles serão encontrados e resgatados? Eles desistirão de lutar e ter esperança de serem resgatados?
Será que T.J. e Anna encontrarão a verdadeira felicidade, mesmo estando em estágios muito diferentes de suas vidas? Será que este amor que sentem um pelo outro perduraria fora da ilha?
Se preparem para fortes emoções onde veremos lições de amor, obstinação, superação, amadurecimento e esperança, sem perder por nenhum momento a fé.
"A sua vida é melhor com ou sem ele, Anna?"
À primeira vista, fiquei intrigada pela sinopse por se tratar de um drama que aprecio muito e a capa também contribuiu ainda mais aumentando a minha curiosidade. Só que ele superou as minhas expectativas porque pensei que o final seria triste como em todos os livros que possuem algum personagem vitimado por alguma enfermidade, como é o caso de A Culpa é das Estrelas, de John Green, Como eu era antes de Você, da Jojo Moyes, entre outros. Porém tudo foi tratado de forma inusitada pela autora, cuja escrita é envolvente e fluída.
Narrado em primeira pessoa sob a perspectiva de T.J. e de Anna, a trama é intensa e repleta de adrenalina, entremeada de alguns flashbacks. As cenas são tão bem descritas que você acaba mergulhando na história desde o princípio e transportando-se para longe por algumas horas em seus curtos capítulos.
Em meio aos eventos que vão transcorrendo, você vai desvendando aos poucos o que acontecerá em cada capítulo, a cada página virada, que traz um torvelinho de emoções conflitantes: você chora, ri, suspira, grita, apavora-se, torce, etc. Contudo, sempre com aquela visão otimista do que está por vir, porque sentimos que talvez haja uma esperança no fim do túnel, mesmo temendo uma reviravolta inesperada, como é o que acontece em vários livros. Ao chegar ao final da leitura, soltei totalmente a respiração sem perceber o quanto fiquei tensa diante do que vivenciei com os personagens.
Claro que não podia faltar uma polêmica gerando controvérsias ao romance, mas tudo foi tratado com extrema sensibilidade pela autora, devido ao fato da personagem se envolver com alguém treze anos mais novo.
Frequentemente eu flagrava T.J. me olhando, mas ele nunca fora tão claro. Ele estava ficando mais ousado, jogando verde. Se ele havia tentado esconder seus sentimentos antes, já não estava mais tão preocupado com isso. Eu não sabia quais eram suas intenções, ou mesmo se tinha alguma, mas viver com ele estava prestes a se tornar complicado.
Isso eu sabia.
— Amo você, Anna.
O olhar surpreso no seu rosto me mostrou que ela não imaginou que eu fosse dizer aquilo.
— Você não deveria se apaixonar — sussurrou ela.
— Bem, eu me apaixonei — falei, olhando dentro dos olhos dela. — Estou apaixonado por você há meses. Só estou dizendo agora porque acho que você me ama também, Anna. Você apenas acha que não deve. Você vai me dizer quando estiver pronta. Posso esperar. — Puxei a boca dela até a minha e a beijei; quando o beijo acabou, eu sorri e disse: — Feliz aniversário.
As batidas do meu coração se aceleraram. Meu estômago se encheu de borboletas e uma sensação de calor se espalhou em mim. Pensar que nossa relação estava para se tornar complicada era um eufemismo.
Não tem como não gostar desses personagens fortes, determinados, cativantes, altruístas e extremamente pragmáticos com uma profunda conexão emocional. É impressionante ver que em apenas vinte anos de vida, T.J. suportou mais do que a maioria das pessoas suporta durante uma vida inteira.
Mesmo tendo aceitado o final e amado o livro, que entrou na minha lista de inesquecíveis, queria que a autora tivesse desenvolvido melhor a segunda parte da história, aprofundado mais os percalços que os personagens enfrentam. Senti muita falta disso. Acho que se tivesse esse acréscimo, seria perfeito!
— Mas eu não me encaixo no seu mundo.
— Nem eu — disse ele, com a expressão terna, mas decidida. — Então, vamos construir o nosso. Já fizemos isso antes.
A árdua batalha da autora pela autopublicação transformou-se em realidade quando seu primeiro romance tornou-se um best-seller e teve os direitos de publicação vendidos para vários países.
Ela também escreveu um spín-off intitulado Uncharted, que é leitura indispensável para quem leu este volume, que responderá algumas questões que ficaram pendentes sobre um evento ocorrido em Na Ilha. Torcendo para que a editora Intrínseca publique também não só esta como outras obras da autora.
A boa notícia é que o livro homônimo será adaptado para o cinema pela MGM, que adquiriu os direitos de filmagem.



















