Cidade da Penumbra :. Lolita Pille

CIDADE DA PENUMBRA
LOLITA PILLE
A primeira vez que li a sinopse desse livro, achei superinteressante, porque imaginei que, por tratar-se do gênero de ficção científica, seria igual ao livro "Feios", do Scott Westerfeld. Achei adorável a arte da capa pelo fato do título brilhar e que tem tudo a ver com a história.

Bem-vindo à Clair-Monde, a cidade da penumbra, onde todos têm direito à Beleza, à Juventude e ao Conforto, onde a felicidade não é mais uma utopia. Tudo que é prejudicial é proibido para o bem humanitário.

Colin Parker era um obeso que começou a perder o controle do seu corpo e, com isso, passou a perder a memória e sua percepção foi drasticamente alterada pelo uso de psicotrópicos. Ele nunca imaginou um fim para seus tormentos, porque era incapaz de presumir sua origem, já que suas lembranças ficaram confusas. As pessoas sempre o tratavam com indiferença e isso magoava-o demais e, depois que engordou, elas passaram a ter nojo dele. Colin sempre sentiu amor e orgulho pelo trabalho que realizava no Departamento de Comunicação dos cosméticos Clair Derm, até que um dia, desesperado por conta das inúmeras humilhações que sofria, parou de trabalhar e queria dar fim à própria vida. Solicitou ajuda financeira por inaptidão crônica para o trabalho devido a uma deformidade. O governo concedeu-lhe uma pensão mensal que cobria os gastos necessários para levar uma boa vida com regalias. Sozinho, viveu com dignidade, já que seus semelhantes não tinham mais nada a oferecer. Teve essa liberdade por mais de dez anos. Começou a ficar confuso e seu espírito enfraqueceu, mas mesmo assim continuou engordando, chegando ao ponto de dormir sentado. Sua solidão tornou-se insustentável e passou a se automedicar com altas doses de antidepressivos para poder suportar a si mesmo.

Enquanto isso, aos 36 anos, o tenente cabeça-dura, Syd Paradine, número 2 da Preventiva-Suicídios, desleixado e alcoólatra, que tem uma cicatriz na têmpora direita, devido a uma bala perdida no front da Guerra de Narcóticos, está divorciando-se de Myra Vence,
a filha de Igor Vence, ex-Executor, líder tácito dos Doze e CEO da Vence Energy. Ela não aceita o divórcio e quer renovar os votos de casamento, porque quer engravidar, já que ele recusa-se a seguir as regras da felicidade compulsória decretada pelo Serviço de Proteção contra Si Mesmo, uma instituição que previne crimes e acidentes. O Serviço de Proteção da Informação protegia a informação da hiperdemocracia e a Preventiva era uma das instituições mais populares.

Cinco delegacias com o objetivo de salvar vidas. Como funciona o Serviço de Proteção contra Si Mesmo? Qual é o papel da Grande Central? Quem são os salvadores que trabalham no anonimato?

Pág. 36

Syd continuava a fazer besteiras em sua vida privada, bebia e suas angústias o perseguiam e recusava-se a aceitar qualquer assistência psiquiátrica. Recomeçou a beber e acabou falhando em uma grande missão em nome de uma questão emocional e, por isso, estava em condicional. Um dia, ocorre um apocalipse modernizado através de um apagão e o caso do obeso Colin Parker vai parar em suas mãos. Ele precisa abafar isso a qualquer custo, mas tinha um obstáculo, o Serviço de Proteção contra Si Mesmo, cujo princípio era a transparência.

Durante a investigação, ele descobre que fraudes e traições também reina nessa cidade aparentemente perfeita. Um lugar onde o sol não aparece há muito tempo e a corrupção reina, mas, em meio a isso, surge um fio de esperança quando Blue Smith, uma garota linda e estigmatizada, aparece com segredos obscuros pedindo a proteção de Syd e que ele desvende quem assassinou seu irmão, Charles Smith, um antigo hacker convertido ao serviço do Executivo.

Em meio a esse universo caótico, surge uma remota possibilidade de amar e, com a ajuda dela, Syd começa a solucionar o mistério e tenta salvar a própria pele em meio ao caos apocalíptico.

Cidade da Penumbra é um retrato muito bem-acabado do consumismo e do endividamento bancário, do uso indiscriminado de remédios e drogas e da ditadura da felicidade a qualquer preço.

(Trechinho da orelha do livro)

Concluindo, no decorrer da leitura, fui surpreendida várias vezes, chegando a ponto de apreciá-la, mas acabei com as minhas expectativas frustradas devido a alguns pontos negativos como a narração enrolada, algumas partes confusas que, muitas vezes, achei desnecessária porque ficava cansativa e monótona, o que acabou por não conquistar-me definitivamente.

Alguns pontos da história não foram muito bem explicados no decorrer da narrativa, colocando-nos a par das tecnologias mirabolantes e terminei a leitura sem entender muita coisa, porque o livro é ficção científica nua e crua, que aborda temas bem atuais que estamos acostumados e cansados de ver diariamente nos telejornais, o que é assustador por sabermos até que ponto nosso consumo exagerado pode chegar gerando irresponsabilidades. Nessa história, a autora fez com que todas as calamidades da sociedade fossem "normais" criando uma sociedade ignorante e hipócrita, desafiando convenções ao abordar o totalitarismo, o racismo, o preconceito, a desinformação e a vigilância.

Ressaltando que "Cidade da Penumbra" é um livro de conteúdo adulto, porque contém muita violência, drogas, sexo, além de descrições que desagradaram-me, porque sou muito impressionável, já que não gosto dessas coisas que vemos diariamente, mas é um livro superválido para extensos debates à algumas questões inerentes à condição humana e um prato cheio para quem curte ficção científica e pelo fato de ser distópico, com alguns mistérios e suspense e que fazem referências a grandes mestres da ficção como George Orwell, Aldous Huxley, William Gibson e Philip K. Dick.

Esse foi o primeiro livro da autora que li. Ainda não tive a chance de ler Hell Paris 75016 e Bubble Gum, ambos publicados pela
Intrínseca, e quem sabe, não seja arrebatada pelos próximos, não é mesmo? (risos).

9 comentários:

  1. Carlinha

    que pena!
    Não conhecia o livro, gosto de estorias reais..quem sabe um dia arrisco nesse?

    Parabens pela resenha.

    Bjos,

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  2. Ando tendo poucas oportunidades de ler livros de Ficção, a pilha anda aumentando de forma considerável aqui em casa! kkkk... Espero ter a oportunidade de ler esse tbm!!!!
    Valeu pela dica!
    xeru

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  3. Amei sua Resenha, mas esse genero não me atrai não, mas para quem gosta terá a oportunidade de tirar suas proprias conclusões sobre o livro rsrsrs
    bj

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  4. Quero ler, quero ler, quero ler!!!

    http://conversandocomdragoes.blogspot.com/

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  5. Gostei muito da sua resenha, é difícil a pessoa passar em palavras sua perspectiva do livro de forma tão clara, e você conseguiu!
    Para quem gosta de ficção e de conteúdo adulto vai adorar com certeza!
    Parabéns!

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  6. Gostei muito da resenha!

    Pelo que você falou, o livro aborda temas bastante reais como "totalitarismo, o racismo, o preconceito, a desinformação e a vigilância."
    E isso com certeza foi o mais me chamou a atenção, além da parte que você disse que no fundo é uma sociedade totalmente hipócrita, se é que entendi bem.

    Com certeza está na minha lista.
    Só espero ter paciência com a narração enrolada.

    Bjuss

    www.huntersculture.blogspot.com

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  7. Eu gostei muito da sua resenha =) Detesto livros monótonos, mas adoro livros com conteúdo que te faz pensar, refletir, querer mudar ou melhorar! Assim foi quando li 1984 e quando li Admirável Mundo Novo, portanto, apesar de tudo, eu fiquei com ainda mais vontade de ler o livro =)

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  8. Confesso: pulei a resenha toda, não li nada hauauah
    Esse tá na minha listinha de próximas leituras e por isso não quero nenhuma dica do que vou encontrar! \o/!
    Quando ler venho aqui e comento direito hihihi

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  9. Carla,

    Realmente parecer ser super forte.
    Livros que tenham um conteúdo assim, geralmente deixo por último na minha pilha, mas a forma como você colocou me deu contade de ler logo ele. E eu gosto muito de Ficção.
    Mais uma ótima dica!

    Bjus!

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