Paixão e Liberdade :. Flavia Cristina Simonelli

PAIXÃO E LIBERDADE
FLAVIA CRISTINA SIMONELLI
Novos Talentos da Literatura Brasileira

Faz um mês que concluí a leitura desse livro que recebi autografado da autora
brasileira Flavia Cristina Simonelli, nossa mais nova parceria, e só agora tive tempo de resenhá-lo.

Para quem ainda não sabe, esse livro faz parte dos "Novos Talentos da Literatura Brasileira", que é um selo da Editora Novo Século. Li-o em um momento que decidi dar um tempo nos temas sobrenaturais, depois de ler "Agridoce", da Simone O. Marques; "Lázarus", da Georgette Silen; "A Passagem", de Justin Cronin., entre outros. Não citarei todos aqui, porque a lista é imensa. (risos). Por isso, optei por histórias mais leves, porque gosto de variar um pouco, porque se você ler o mesmo gênero seguido, acaba sendo cansativo. (risos). Para vocês terem uma ideia, li esse livro seguido por "Entre o Amor e a Amizade", da Bianca Briones; "Nove Minutos com Blanda", da Fernanda França. Em breve, falarei sobre esses três livros citados, mas por enquanto só posso dizer que apreciei cada momento da leitura. Mas, chega de divagações... (risos).

Apesar de "Paixão e Liberdade" ser um livro pequeno, gostei pelas inúmeras introspecções e lições que ele traz através da história de Isabel e Camila, duas amigas universitárias que tinham uma amizade que perdurou no tempo e no espaço. Nos anos de faculdade, os sentimentos de Isabel por Camila eram paradoxais e incoerentes, pois nutria cumplicidade e raiva, admiração e inveja. Após a formatura, como geralmente costuma acontecer, elas tomaram outros rumos em suas vidas, até que perderam o contato.

Após vinte anos, reencontram-se e isso acaba promovendo mudanças drásticas, porque já não são mais as mesmas pessoas. Só que os fantasmas do que já foram se misturam com a realidade, provocando desconforto, assombro, desconcerto.

E é nesse reencontro que as duas resolvem colocar o papo em dia e contar sobre as suas respectivas vidas, mas no decorrer da leitura, fui constatando que o livro é narrado sob o ponto de vista de Isabel.

Camila conta tudo o que transcorreu na sua vida que acaba por resgatar em Isabel os fragmentos deixados pelo tempo.

Quando jovem, Camila sempre foi intelectual, inteligente e admirada pelos professores, mas agora amadureceu e tornou-se passiva. Já Isabel tem uma grande mágoa da amiga por todo o sofrimento que esta lhe causara, porque tinha sentimentos dúbios entre a amizade e a competição, porque ela era bonita, extrovertida, alegre e que inspirava amores entre o sexo oposto, entre eles, João Rodrigo, por quem ela nutria sentimentos indeléveis, sonhos e frustrações na juventude.

Camila era uma jovem executiva, trabalhava em marketing no segmento de cosmética desenvolvendo produtos de beleza, onde sempre deu sua alma e sangue vivendo em função do trabalho. (Isso soa familiar?) Uma verdadeira workaholic, enquanto sua amiga Isabel trabalhava em uma multinacional e sempre tinha um livro em mãos. (Você identifica-se? Quem nunca levou um livro para ler no serviço, na faculdade ou em qualquer ocasião, hein?) Ela foi ganhando prestígio e reportava-se ao presidente da empresa, um belo homem, cordial e cavalheiro, que todos temiam pela sua formalidade e austeridade.

Camila tinha tudo para fazer uma carreira brilhante em marketing, até que um dia, ela testemunha algo que a faz sentir repugnância, indignação e isso passa a incomodá-la, porque seu chefe começa a usar de subterfúgios e meios ilícitos nos negócios como uma farsa. Devido a isso, Camila, que sempre foi crédula e ingênua, sente repulsa e se vê arremessada contra as suas próprias sombras, porque não enxerga mais os seus ideais e percebe que não sairá ilesa dessa situação, porque seu entusiasmo pela verdade e transparência pelo trabalho honesto tornaram-se duvidosos.

Aos 28 anos, ela coloca a carreira acima de tudo, pois tinha beleza, alta posição, dinheiro e, finalmente, alia-se ao seu chefe, sendo vendida ao poder, porque tornou-se refém de um labirinto do qual não consegue sair depois de vários acontecimentos inesperados, até que um dia, por motivo de força maior, Camila toma uma grande decisão que mudaria toda a sua vida tomando rumos completamente inusitados onde vai conhecer a origem das dores do amor e da incompreensão e isso só é o começo de uma longa jornada, que mais tarde, viria à tona para expiar o seu passado.

Já a jovem Isabel, sempre teve ambições artísticas, envolvendo-se com seus ideais. Era intelectual, queria ser simplória, já que era uma rebelde comportada, porque via todos os erros e injustiças, mas não agia. Ela teve várias rupturas na vida, porque sempre viveu com intensidade as emoções proporcionadas pelo amor. Conheceu João Antônio, o pai de Sara, sua filha, de forma inusitada. Ele era um homem adorável, perfeito, romântico, despojado e feliz. Quando Isabel engravidou, sua família não aceitou-a, mas ela encontrou todo o apoio e consolo em sua sogra, D. Margarida.

Isabel levava uma vida simples e feliz ao lado do marido, até que um dia seu mundo desmorona.

A rotina pode matar o amor. Porque na rotina não se escrevem cartas, nem se mandam flores. (...)

Pág. 35
A perda do entusiasmo é desesperadora. A vida para aquele que perdeu entusiasmo não é nada mais do que nascer, crescer, amadurecer, envelhecer e morrer. A vida não é mais do que um ciclo. Um ciclo sem futuro.

Pág. 41

Depois de várias rupturas do destino e de passar pelas maiores atribulações (não vou citar quais, porque senão soltarei spoilers e quero deixar vocês na expectativa, mas só adianto que tem a ver com amor), a vida transcorre tranquilamente e, tentando aperfeiçoar o seu inglês, Isabel acaba conhecendo seu professor: Fabrizio.

Ah, os encontros humanos... sempre tão misteriosos em suas tramas, a revelação secreta de nosso futuro! Os encontros são rios que se cruzam, águas que se misturam e se vão, sendo sempre elas mesmas, a parte que lhes cabe na indistinção de seu curso.

Pág. 43

Ao frequentar as aulas e aprofundar em intensos debates filosóficos com seu professor, ela acaba interessando-se por ele, e percebe que ambos tem algo em comum: o senso de justiça.


(...). A paixão por Fabrizio era crescente e eu me prendia a um sofrimento insano (...). (...). Eu não podia querer um homem pouco posicionado na vida. Indeciso, de palavras incertas. (...). Onde estava o meu bom-senso? Onde estava a minha força para ir além da dor? (...).

Pág. 71

Adorei esse trecho do livro, porque identifiquei-me com a personagem nesse momento. Acho que esse sentimento já deve ter passado alguma vez pela cabeça de todo bookaholic:

(...) estava numa pequena livraria do bairro. (...). Gostava de olhar os livros nas prateleiras, os diversos nomes de autores que, como guardiões de pensamentos assumidos publicamente, permaneciam um ao lado do outro, numa companhia calda, num silêncio complacente, aguardando seu despertar. (...). É algo como transformar imagens vivas em símbolos, em palavras que morrem continuamente à espera da sua ressurreição. E (...), existe o tempo a ser superado, quando escritor e leitor se encontram e abrem um diálogo, muitas vezes, mais profundo e íntimo do que podemos ter em nossa vida cotidiana.

Pág. 45

Gostei de diversos personagens secundários, sendo que alguns deles trouxeram-me sentimentos conflitantes. (Adoro apontar as qualidades e alguns defeitos das personalidades de alguns que, de alguma forma, chamou-me a atenção, porque se mesclam com a atualidade, o que torna ainda mais real). São eles:

- D. Margarida: Sogra de Isabel. Uma viúva lutadora e generosa. Apesar de alegre e otimista, era uma mulher que inspirava respeito porque, quando necessário, era severa e sensata. Uma personagem adorável. As conversas entre ela e Isabel lembrou-me muito do aconchego familiar, especialmente do zelo da mãe!
- Maurício: Chefe de Isabel. A princípio adorei-o, mas devido a uma atitude sem o menor cabimento, ele conseguiu deixar-me estupefata. (A história de Maurício mostra uma parcela da realidade de muitos homens em relação aos enteados por causa de brigas e disputas familiares por herança).
-
Fabrizio: Professor de inglês de Isabel. Indeciso e de poucas palavras, é um escultor paulista, cortês, majestoso, com uma arrogância superior. Suas indecisões eram conflitantes! (risos).
- Anna Houston e Jill Houston: Casados. Ela, fazia trabalhos artesanais e comunitário ajudando as mulheres grávidas da região; ele é fabricante de gaitas de fole. Esse casal é fantástico e de uma generosidade para com os seus semelhantes, que chega a ser comovente.
- Nathan Dellion: Médico cardiologista francês. Complacente, ele luta por grandes causas humanitárias, não se limitando ao consultório. Adorei o Nathan, por ser um médico sem fronteiras (lembrei-me do Dr. Carter e do Dr. Kovac na África, no seriado ER. Quem não recorda-se dessa série? Eu adorava!), pelo seu altruísmo, mas achei que ele tomou uma decisão radical por conta do seu idealismo e não conseguir lidar com o perdão! No decorrer da leitura, nem por um momento, pensei que ele... mas isso deixo só na curiosidade. (risos).
- Julien: um garotinho muito fofo! Seu destino e sua história foi profundamente tocante. Uma das partes mais emocionantes do livro.

Será que Isabel e Camila irão encontrar a felicidade tão sonhada? Qual será o destino e a escolha de cada uma: a paixão ou a liberdade?

Só lendo mesmo para saber, mas quero alertá-los de que você vai emocionar-se com o desfecho de uma delas. (risos).

O livro está muito bem revisado e adorei o fato da história não focar-se só nas duas amigas. No decorrer da leitura, deparamos com vários personagens que, cada um à sua maneira, consegue conquistar-nos com sua história.

Na reta final, fiquei confusa em relação ao destino dos personagens Nathan e Julien. Até cheguei a me perguntar se teria uma continuação
, mas ao receber uma resposta da autora à essa questão, tudo ficou esclarecido e passei a enxergar com outros olhos. Uma pena que não poderei citar aqui na íntegra, porque tem vários spoilers e não quero estragar a história, mas só vou deixar um trechinho curto da resposta, para aguçar ainda mais a sua curiosidade. Não fiquem bravos comigo, ok? (risos):

"(...). Ela se perdeu no passado, conquistou coragem após conversar (...), mas recuou (...). Foi preciso se sentir mal com a notícia que viu no jornal (...), para falar (...) o que a atormentava. (...) ela, em desespero, buscou (...) uma força maior (...). Mas a narrativa deixou uma dúvida, se ela realmente fez as pazes consigo e ficou segura para aceitar (...) o destino, ou se ela se deixou (...), tomada pelo medo. (...) Muitas vezes é mais fácil olhar para os erros do mundo, lidar com eles e querer curá-los. Mas é tão difícil lidar no âmbito pessoal, afetivo... Aí, sim a vida testa a verdadeira capacidade de superar os enganos, os erros, as decepções. "

Só para concluir, esse livro conseguiu prender a minha atenção desde o início, a cada página, a cada capítulo com uma enorme expectativa do que viria a seguir. Identifiquei-me em alguns aspectos com as personagens com seus anseios, sonhos, frustrações e medos. Apesar de poucas páginas, a leitura fluiu tranquilamente, porque a narrativa é simples e cristalina, como também envolvente e pungente, porque acaba tocando-nos profundamente no âmago de nosso ser, com a história de Camila e do garotinho Julien, como também ensinando-nos inúmeras lições repletas de sentimentos e questionamentos, seja na sua simplicidade e complexidade.

Como diz um trecho da sinopse, liberada pela autora, que define esse romance em poucas palavras:

O romance tem o intuito de levar o leitor a refletir sobre a verdadeira liberdade. Como podemos ser livres quando ainda somos impulsionados por medos, desejos e paixões? Qual é o caminho interior que nos encoraja a nos desamarrar de tudo o que nos impede de expressar a própria essência? Além de ser uma narrativa forte e envolvente sobre duas histórias que se entrelaçam, "Paixão e Liberdade" é um romance que encaminha para o autoconhecimento e à busca de respostas para inquietantes questões humanas.

A AUTORA

FLAVIA CRISTINA SIMONELLI

Nascida em São Paulo. Formada em Letras e Administração pela USP.

Em 2001, iniciou seus estudos de Antroposofia, vindo a concluir, anos depois, a Formação de Pedagogia Curativa e Terapia Social e em 2008, cursou Formação Biográfica pela Escola Livre de Estudos Biográficos, com o intuito de aprofundar seus conhecimentos do desenvolvimento da vida humana.

Em 2007, publicou seu primeiro romance: "A Porta".

Para saber mais sobre a autora e suas obras, além de outras novidades:

No Site Oficial: http://www.flaviacristina.com.br/

7 comentários:

  1. Adorei a resenha!
    Você como sempre amiga, capricha!
    Adorei esse livro, acho ele de uma narrativa quase poética, e um final tocante.
    ótima dica de leitura!

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  2. Oie Carlinha!
    O livro parece ser ótimo mesmo!
    A Bruna tem e depois de ler vou ver se cato com ela! hehehehe
    Resenha supercompleta, como sempre! \o/!

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  3. Carla!

    Eu li e gostei muito do livro, o que me marcou muito foi o desfecho que é inesperado rsrsrs


    Beijos!

    Thaís

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  4. Oi Carla! Eu queria muito ler esse livro. Parece ter muito lirismo e verdadeiras lições de vida...
    Amei!

    Beijos
    Lili

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  5. Eu adoro a capa e a sinopse desse livro!!! Sou doida para lê-lo - está na minha listinha =) Só tenho lido ótimas resenhas a respeito dele e isso só instiga a minha curiosidade ^^

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  6. Carlinha,

    parabéns pela resenha tão caprichada.

    Esse livro tá na minha lista de desejos.

    Bjos,

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  7. Não conheço o livro, mas concordo com a Leni, você capricha nas resenhas!!

    Parabéns! Elas são ótimas!!

    Adorei a dica!

    Bjs

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