Como eu era antes de Você - Jojo Moyes

COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ
JOJO MOYES
Intrínseca


Este é o segundo romance (Me Before You, 320p.) da autora que tive o prazer de ler e, mais uma vez, me tocou.

Aos 26 anos, Louisa Clark é inteligente e alegre. Leva uma vida comum trabalhando há seis anos como garçonete num café para sustentar a família
seus pais; Treena, sua irmã calma e competente, que tem um filho pequeno e é mãe solteira; e seu avô que vive em cuidados constantes devido a um derrame , porque estão passando por momentos difíceis devido ao desemprego e à crise financeira que assola o país. Por isso, não tem nenhuma perspectiva em relação ao seu futuro. Namora o empreendedor e triatleta Patrick, que é um narcisista maçante (adorei as indiretas brilhantes que Will dava nele).

Sem nenhuma ambição, Lou adorava se sociabilizar com as pessoas, até que se vê desempregada e, sem nenhuma qualificação, acaba sendo contratada para trabalhar provisoriamente por seis meses como cuidadora
e mais tarde torna-se amiga de um executivo bem-sucedido, dinâmico e implacável que levava uma vida ativa e atlética, porque adorava praticar esportes, mergulhar, viajar e namorar.

Fale com ele, pelo amor de Deus. Claro que ele se sente infeliz. Está preso a uma maldita cadeira de rodas. E você certamente está sendo inútil. Apenas fale com ele. Conheça-o. Qual a pior coisa que pode acontecer?
Pág. 40

Aos 36 anos, solteiro e de família abastada, Will Traynor é mal-humorado, inteligente, engraçado, mesquinho e sarcástico. Instável, agora desconta suas amarguras em todos que o rodeiam tornando suas vidas desagradáveis devido a uma vida dolorosa e sem sentido que
leva atualmente. Devido a uma resolução tomada, está determinado a não ver o lado bom das coisas.

Reparei que ele parecia determinado a não lembrar em nada com o homem que tinha sido; (...). Seus olhos cinzentos tinham marcas de cansaço, ou de desconforto que ele sentia o tempo todo (...). Eles levavam o olhar vazio de alguém que está sempre alguns passos afastado do mundo a seu redor. Às vezes, eu me perguntava se aquilo não era um mecanismo de defesa de Will, já que a única maneira que encontrou de lidar com sua vida foi fingir que não era com ele que aquelas coisas estavam acontecendo.
Pág. 45

Há dois anos, ele ficou tetraplégico
com lesão nas vértebras C4 e C5 em um acidente. Mas toda tetraplegia tem diversos graus e neste caso irreversível, Will perdeu completamente o uso das pernas, só podendo movimentar com grande limitação apenas um braço necessitando de cuidados contínuos e intensivos. Ao longo da leitura, percebemos o quanto seu sofrimento é excruciante.

 Deixe-me ver se entendi. Você acha que uma colher de chá de cenoura vai melhorar minha qualidade de vida?
Pág. 60

Mesmo tendo dificuldades em se adaptar à nova realidade, ele conseguirá reajustar sua nova vida de maneira radical a novas expectativas aceitando-a?



O que me chocou não foi ver o corpo de Will descoberto, magro e cheio de escaras. (...), o que me chocou foram as marcas vermelhas arroxeadas nos pulsos dele, as compridas e denteadas cicatrizes que não podiam ser disfarçadas, (...).
Pág. 69

Em alguns momentos, ele era inalcançável, mas a ambiciosa e destemida Lou – que usa roupas ridículas, faz piadas ruins e tem a incapacidade de disfarçar seus sentimentos
, parece ser a única pessoa capaz de alcançá-lo e mostrar que há uma vida incrível para se viver e aproveitá-la, mesmo que não seja a vida que planejou.

Não quero viver assim, mãe. Não é a vida que quis. Não há perspectiva de recuperação, então, é bastante razoável pedir para acabar com isso da maneira como eu ache adequada.
Pág. 100
Como poderia esse homem, cuja pele, hoje de manhã, eu tinha sentido sob meus dedos cálida e viva , querer simplesmente acabar consigo mesmo?
Pág. 103
Se você tivesse se preocupado em me perguntar, Clark. Se, por uma vez, tivesse me consultado sobre esse tal passeio ao ar livre, eu teria dito a você. Detesto cavalos e corrida de cavalos. Sempre detestei. Mas você não se preocupou em perguntar. Decidiu o que gostaria que eu fizesse e foi frente. Fez o que todo mundo faz. Decidiu por mim.
Pág. 139

Aos poucos, ela vai conhecendo sua intelectualidade e força de vontade, suas fraquezas e cicatrizes, até mesmo seu cheiro, como nunca conheceu em seu noivo.

Estou fazendo tudo o que posso, Louisa, para impedir essa... coisa. Sabe o que estamos enfrentando. E estou apenas dizendo que eu preferiria, uma vez que Will gosta de você, que você tivesse esperado mais um pouco para esfregar sua... felicidade na cara dele.
Como ousa sugerir que eu poderia fazer alguma coisa para magoar Will? Fiz tudo de tudo. sibilei. Fiz tudo em que pude pensar. Dei ideias, levei-o para passear, conversei com ele, li para ele, cuidei dele. As últimas palavras explodiram do meu peito. Arrumei as coisas dele. Troquei o maldito cateter. Fiz ele rir. Fiz mais do que a sua maldita família tinha feito.
Pág. 212

Com otimismo e seu jeitinho vivaz, caloroso e expansivo, ela não se deixa intimidar e com sua incrível percepção tenta convencê-lo do contrário além de incutir esperança. Em seis meses conseguirá convencê-lo de que tem motivos para viver?


(...). Ninguém quer ouvir você falar que está com medo, ou com dor, ou apavorado com a possibilidade de morrer por causa de alguma infecção aleatória e estúpida. Ninguém quer ouvir sobre como é saber que você nunca mais fará sexo, nunca mais comerá algo que você mesmo preparou, nunca vai segurar seu próprio filho nos braços. Ninguém quer saber que às vezes me sinto tão claustrofóbico estando nesta cadeira que tenho vontade de gritar feito louco só de pensar em passar mais um dia assim. (...).
Pág. 220

Quando tudo parece perdido, cada um à sua maneira mudará a vida do outro com honestidade e sinceridade. Será que em meio a tantos sentimentos florescidos em situações improváveis como a amizade também pode surgir o amor?


Não posso ser o homem que quero ser com você. (...) isso apenas se transforma... em outro lembrete do que não sou.
Pág. 282

Uma história de amor incondicional, família e coragem, com personagens cativantes e dramas verossímeis e tão reais que não tem como você sentir na pele e se emocionar ao longo da leitura torcendo pelo destino de cada um deles.

Aproveite e não desperdice sua vida. Apesar do desfecho previsível, tive esperança que seria diferente, mas nos mostrou que diante das vicissitudes nós sempre temos uma escolha através do nosso livre-arbítrio.

Mais uma vez, Jojo Moyes me emocionou com uma história pungente tratando uma temática reflexiva, como também polêmica com rara sensibilidade. Claro que me emocionei em alguns momentos, mas talvez seja a única que não chorou diante do drama de Will, porque é a realidade que muitos portadores de deficiência enfrentam em seu dia a dia.

Há coisas que você não percebe até acompanhar uma pessoa numa cadeira de rodas. Uma delas é como a maioria dos calçamentos é mal conservada, com buracos mal remendados ou desnivelada. (...). A outra coisa era como a maioria dos motoristas é desatenta. Param em cima da calçada ou tão perto de outro carro que é impossível para alguém em uma cadeira de rodas atravessar a rua.
Pág. 67

A escritora descreveu minuciosamente todos os seus percalços com uma sutileza e realismo que acaba tocando profundamente no âmago do leitor.

Já li vários romances com personagens portadores de alguma deficiência (Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva; Minha Profissão é Andar, de João Carlos Pecci; Luz da minha Vida, de Glaucia Santos; De Amor e Destino, de Aline Negosseki Teixeira), mas até então nunca li um romance sobre a tetraplegia com esse desfecho. Este foi o primeiro, já que em Entrelace, da escritora Diana Scarpine (breve falarei dele aqui no blog), tanto a lesão quanto o desfecho foram distintos, mas tão emocionante quanto. Identifiquei-me em diversas situações, pois senti na pele o drama dos mocinhos dos romances em questão.

Um romance contemporâneo profundamente pungente e daqueles que ficarão eternizados em nossas memórias.

A MGM comprou os direitos de adaptação para o cinema. Não vejo a hora de ver esse livro imortalizado nas telonas e me emocionar mais uma vez com os protagonistas dessa trama, que entraram para a minha lista de personagens inesquecíveis.

11 comentários:

  1. Resenha bem interessante. Confesso que nunca tive assim uma vontade grande de ler esse livro, apesar de só ter lido resenhas positivas dele. Mas me interessou a maneira sensível com que a autora tratou o tema, apesar de ter desanimado um pouco quando li que o desfecho é previsível.
    Vi que você mencionou o livro Feliz Ano Velho, e esse é um que eu gostaria bastante de ler, bem mais que o da Jojo Moyes.

    Bjs,
    Livro Lab

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    1. Oi, Aline.

      A Jojo sempre me emociona em seus livros, mas estou me tocou demais por ser tão atual e isso me conquistou.

      "Feliz Ano Velho" é ótimo! Foi o primeiro que li com essa temática. Há muitas passagens divertidas também.

      Espero que goste.

      Beijos.

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  2. Oi, Carlinha! *.*

    Conheço esse livro de algum lugar, mas confesso que não sabia do que se tratava a trama. Mais uma vez, porém, sua resenha me deixou louca para ler um livro. A temática é interessante e "Como eu era antes de você" parece aqueles livrinhos capazes de emocionar a gente sem muito esforço... Vai para a wishlist!

    Beijocas,
    Inara
    www.lerdormircomer.com.br

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    1. Oi, Inara!

      Este livro é muito tocante e mexe com o coração de qualquer leitor no final.
      Gosto de instigar os leitores sem revelar nada. [risos].
      Acho que você vai gostar.
      Beijos.

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  3. Carlinha, eu só não gostei mais do livro porque fiquei com muita raiva de Will!
    Ele só queria a perfeição, mas ninguém é perfeito. Algo na postura dele me fez imaginar que se ele tivesse perdido todo o dinheiro, teria se matado. Se ele tivesse perdido a beleza (com uma feia cicatriz no rosto, por exemplo), ele teria se matado. Ele é alguém que só aceita tudo... e eu detestei isso nele... mas a Lou é tão incrivelmente maravilhosa e a narração da autora é tão cativante que mesmo não gostando de Will, eu gostei bastante do livro!

    Beijos,
    Nanie

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    1. Oi, Nanie.

      Nesse aspecto em relação ao Will concordo com você.

      Todos somos imperfeitos, mas tem situações em nossas vidas que nos levam à resignação, mesmo que isso também me irrite. [risos].

      A Lou é uma personagem inspiradora, otimista e corajosa diante das adversidades. Gostei muito da sua força.

      Gosto muito da narrativa da escritora. Já li também "A Última Carta de Amor" e me apaixonei.

      Beijos,
      Carla.

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  4. Pelo que tenho lido sobre este livro, acho que acabaria gostando muito mais desse do que gostei de A Última Carta de Amor.
    Parece ser mesmo uma história linda. Preciso ler.
    Beijos.

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  5. O título já promete ser tudo isso mesmo. Não sabia que seria adaptado para o cinema. Quero ler antes então.
    Bjs, Rose.

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  6. Carla, saudações!
    Achei o livro emocionamente; mas, como você, também não chorei. Apesar de também saber do final previsível, torci até o último momento por um final feliz; pois, já que a vida nem sempre tem final feliz, prefiro os livros com finais felizes, embora reconheça que esse é muito bom.

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  7. Gostei bastante da resenha. Sempre tive vontade de ler esse livro mas confesso que tenho medo de lê-lo porque não gosto de sofrer com o personagem. Acho extremamente bonita a mensagem que ele quer passar aos leitores. Espero um dia tomar coragem e ler.

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  8. Adorei essa resenha =)
    Esse livro foi um daqueles que me pegou de jeito. Eu me identifiquei tanto com a personagem que até hoje, depois de quase um ano que li, ele tem um peso enorme na minha vida.
    Eu passei por situações bem parecidas com a da Lou e por muito tempo cuidei do meu irmão cadeirante, deixei de viver pela família. Sempre os colocando em primeiro e me negando no meio do caminho.
    Até o atleta eu tenho na minha vida,mas, não noivo é o pai. Cada página desse livro foi como um tapa que eu precisava levar.
    Como eu era antes de você trouxe esperança e anseio por algo melhor.

    Beijos ;)

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