Quando o Amor vence o Ódio - Marlene Saes

QUANDO O AMOR VENCE O ÓDIO
MARLENE SAES
Petit

Todos sabem como sou eclética em minhas leituras e um dos gêneros que aprecio muito são alguns romances espíritas — Elisa Masselli, Chico Xavier, Richard Matheson, Evanice Maria Pereira, alguns da Zibia Gasparetto, entre outros. Agora estou lendo “Crepúsculo do Outono”, de Antônio Demarchi, que também está sendo ótimo — mesmo não sendo adepta desta religião.

Com 320 páginas, este é o primeiro romance do Espírito Luizinho e psicografado pela médium Marlene Saes que leio, cujo enredo, como os dos autores mencionados acima, me lembrou daqueles enredos água com açúcar com todos os ingredientes que apreciamos num bom romance, mas sempre focados na espiritualidade.

É chegada a hora de desatarmos as amarras que nos prendem a sentimentos inferiores e alçarmos o voo da liberdade redentora, sem sentir vergonha de nos mostrarmos caridosos, pacíficos, misericordiosos, puros de coração. É momento de pedir e dar o perdão, de oferecer a outra face, como nos ensina Jesus.
Pág. 8

Ambientado na Rússia, no regime czarista, poucas pessoas acreditavam na espiritualidade.

Igor e Catarina — um casal de camponeses sofridos — acabam de ser pais de primeira viagem de uma linda menina, Karina. Ao longo do caminho, essa família será auxiliada em seus percalços pelo espírito do benevolente Valentim, na presença de Mikhail, o amigo prestativo que inspirava sabedoria e confiança.

Com um misto de alegria preocupação, sensação desconhecida para ele, e sem saber por que, Igor sentiu um arrepio repentino que o deixou um pouco assustado. Parecia que aquele ser pequenino o observava, embora com os olhinhos fechados. Teve a impressão de notar na filha uma presença marcante, e essa presença o fazia sentir-se em dívida, cobrado. Era algo que não saberia explicar.
Pág. 12

Mas a história é centralizada em Igor e Dimitri, dois turrões responsáveis pela administração de um imenso império agrícola pertencente a um conde, que têm muitos desentendimentos. Desde pequenos tinham rixas que se acentuou ao longo dos anos em disputas infundadas. A repulsa que sentiam um pelo outro aflorava diversos sentimentos mesquinhos.

Enquanto Dimitri usa meio excusos para conseguir seus intentos porque quer vingança; Igor não se submete aos seus subterfúgios, já que ele faz de tudo para desacreditá-lo em sua capacidade.

— Mikhail, você é um bom homem! Não enxerga a maldade nas pessoas. Quem pode nos garantir que Dimitri já não sabia da existência da lagarta-da-espiga e esperou o dia de hoje para retirar daqui os camponeses que seriam necessários à colheita do trigo! Pense um pouco!
Pág. 32
Igor sentiu o sangue gelar nas veias. Então, o farsante havia inventado aquela história (...)? O que deveria fazer? O que seria mais prudente? Falar a verdade ou simplesmente aguardar o momento oportuno para desmascarar aquele mau-caráter?
Pág. 39

Nesta parte da colheita, o Dimitri conseguiu me tirar realmente do sério (Ao longo da narrativa tudo foi se esclarecendo e fiquei com pena desse infeliz)! Fiquei torcendo até o final da cena, para que tudo desse certo. Foi tenso!

Ambos nem imaginam que por trás de tanto ódio e ressentimentos há um sentimento maior em suas vidas que tem o dom de transformá-los para sempre.

Enquanto isso, Anna, a cunhada de Igor, voltou porque está auxiliando sua esposa com a recém-nascida. Ele nem imagina que ela ainda guarda um ressentimento por ter sido preterida pela irmã caçula, já que Catarina sempre foi sincera, graciosa e perspicaz. 

Não sabia qual seria a reação da esposa se ele fosse sincero. Não poderia dizer que a presença de Anna não o deixava à vontade porque via em seu olhar uma chama que não conseguia entender. Seria de ódio ou de paixão?
Pág. 24

Devido ao forte laço que as une, elas se amavam. Contudo, se afastaram devido à moléstia da mãe, já que Catarina tinha sua própria família para cuidar.

Na festa da colheita, Anna se depara com Dimitri, por quem se sente irremediavelmente atraída, mas desconhece seu caráter duvidoso e desonesto, já que este dissimula convenientemente suas intenções.

— Anna, o que você viu hoje entre Igor e Dimitri só vai piorar! Eu não quero uma vida de medo e incerteza para nossa família! Por esse motivo, peço que compreenda a situação e retorne à casa de nossos pais. Assim evitaremos mais problemas.
Pág. 67

Enquanto Anna quer ser correspondida aos seus sentimentos e construir sua própria família, Dimitri quer usá-la para desafiar Igor, o que a torna cada vez mais infeliz ao seu lado. Infelizmente, ela acaba dominada pelo ódio, instigado pelo marido hostil e rude, devido ao seu desafeto com Igor.

Até que um acidente muda suas vidas totalmente, mas renascerão para o perdão ou continuarão a cometer os mesmos erros se deixando abater cada vez mais pelo ódio, cujas raízes estão num passado remotamente doloroso?

— (...). Sinto apenas que preciso lutar muito para aceitar Dimitri ao nosso lado, embora isso me pareça doloroso demais. Alguma coisa me diz que entre nós existe muito ódio, e esse ódio é antigo.
Pág. 103

Seus caminhos e destinos estão entrelaçados por reajustes espirituais devido a um passado de desacertos. A história por trás das reencarnações me enterneceu e, ao mesmo tempo, me deixou estarrecida.

Em meio a tantas tragédias que abala algumas famílias, eles se abrirão para um momento de luz e amor nessa nova trajetória de vida em busca da felicidade? Igor e Dimitri finalmente se entenderão e aprenderão o valor da compreensão rumo ao perdão?

(...), o reencontro planejado para aproximar vocês corre o risco de naufragar nas águas violentas do ódio (...).
Pág. 149

Amei tanto o design da capa e contracapa quanto do miolo desta edição, cujos capítulos são separados por uma folha cinza com a imagem de trigos, que estão um zelo. Apesar de ter encontrado alguns erros de revisão, os mesmos não interferem na história, que é ótima!

O enredo me surpreendeu, principalmente no desfecho inesperado e emocionante em busca da verdade e do autoconhecimento, porque é uma impressionante lição de amor e fé, como também de aprendizado.

— (...) realmente somos eternos viajantes do tempo, e caminhamos juntos várias vezes, o que justifica as desavenças havidas com pessoas que encontramos pelo caminho.
Pág. 270

No decorrer da leitura, que fluiu de forma envolvente, singela, transparente e profundamente tocante, a autora me transportou para um período de servidão, porque eles viviam sob o regime feudal submetido à nobreza que os explorava.

É um romance denso repleto de mistérios, intrigas, amores, desafetos para ser contemplado a cada página e refletirmos sobre todos os questionamentos e sábios ensinamentos que traz transmitindo lições de força, coragem, amor e dedicação aos necessitados. 

Diante das adversidades devemos sempre nos apegar à oração, ao perdão e à força do amor, mesmo que a batalha seja árdua.

Como somos pequenos diante da magnitude de Deus, porque só o verdadeiro amor é capaz de transformar e vencer qualquer sentimento que inspire o ódio.

(...) Deus mostra, em cada circunstância, que todos os fatos que nos alcançam, mesmo sendo desagradáveis, trazem um fundo de aprendizado.
Pág. 31


3 comentários:

  1. Também gosto muito de um romance espírita, sempre nos trazem boas e belas lições. Este eu ainda não li.
    Bjs, Rose.

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  2. Gostei muito do título do livro. Seguindo aqui.

    Bjus

    José Agenor

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    Blog: http://www.blogdojoseagenor.com.br/

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  3. Carlinha, gosto de pensar que o Amor sempre vence o Ódio *-*
    Bem bacana a resenha!

    Beijos,
    Nanie

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