Cinco Anos - Cristiane Broca

CINCO ANOS
CRISTIANE BROCA
Ases da Literatura


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Nunca imaginei que este livro, com 349 páginas, me faria refletir tanto acerca de uma pergunta:

“Onde você se imagina daqui a cinco anos?”

Forte, determinada e corajosa, Ângela é uma pessoa sensível e abençoada por viver num lar estável e cheio de amor. Esforçada e dinâmica enxerga muito além e que não tem medo de correr atrás dos seus sonhos e objetivos, pois é batalhadora e não tem medo de desafios. Apesar de desorganizada, era muito responsável e altruísta com o próximo, como também era teimosa e se metia em muitas confusões.

Sempre evitou relacionamentos amorosos, porque, infelizmente, tinha medo de amar alguém e perder
, e seu futuro era incerto.

Tenho que viver a realidade, e a minha realidade é que eu preciso de um emprego e não de um homem.

Trabalha muito para ter uma estabilidade financeira melhor. Por isso, sonha com um ótimo emprego para sanar suas dívidas e dar ao pai a velhice segura que ele merece, já que este possui a saúde muito frágil, e ela não imagina uma vida sem ele. 

Estava muito feliz por sua filha. Sentia muito orgulho dela e, para a sua felicidade ser completa, só faltava ela encontrar um homem decente e se casar. Quando aquilo acontecesse ele saberia que sua missão havia sido cumprida.

Com as pressões e cobranças do emprego não sabe como conciliará sua vida pessoal e profissional. Um dia recebe a incumbência de cobrir uma matéria jornalística de grande evento, e conhece um jornalista bem-sucedido e promissor, charmoso, irritante e seguro de si: Marcos.

Aos 30 anos e feliz com a vida de solteiro convicto, ele vira seu mundo do avesso, abalando as suas estruturas e marcando sua vida de tal maneira que a faz olhar para dentro de si. 

Como ele, que a conhecia tão pouco, sabia tanto sobre ela? E como conseguia fazê-la refletir sobre toda a sua vida com tão poucas palavras?

Infelizmente Marcos também é avesso a relacionamentos afetivos, pois repudia veementemente compromissos sérios. Ao longo da trama iremos entender o motivo por trás disso. Foi mais um momento que me trouxe lágrimas aos olhos. Apesar da grande perda que vem para atormentá-lo e ficar remoendo o passado, iremos perceber que é um homem de caráter, responsável e também digno de ser amado.

— Admita que, assim como eu, não foi feita para um relacionamento. Você sofreu uma grande perda ainda muito jovem, e desde então tem se virado sozinha. Esse tipo de coisa abala a cabeça de qualquer um.
— Está falando por mim ou por você? — ela o alfinetou, com os olhos apertados.
— Por nós dois — ele respondeu sem se alterar. — Eu também sofri uma perda, também me aborreci com a vida e de certa forma me fechei, mas assumi o controle, e hoje não é o medo que me domina, mas as minhas decisões. Decidi o que quero para a minha vida, me aceito como sou e estou em paz com a minha consciência. Quando decidir ser você mesma, será libertador. Para isso, no entanto, precisa parar de ser cabeça-dura.

Os dois se tornam grandes amigos e, inevitavelmente, a forte atração e a afinidade vai aflorando, deixando-os inebriados e ao mesmo tempo confusos por conta deste sentimento inesperado e irresistível que surge.

Também não iria admitir o quanto estava atraída por ele, apesar de irritada por ter seu canto obscuro invadido daquela forma. Marcos era assim. Ele não procurava um caminho, simplesmente arrombava a porta, entrava, tirava tudo do lugar e partia.
Já estava um pouco irritado por pensar tanto nela. Ângela era uma garota especial e havia mexido com ele de uma forma diferente, porém, precisava esquecê-la.

Até que num ato de rebeldia, Ângela se liberta das amarras que a prende e dá vazão aos verdadeiros sentimentos, mas mal sabia que algo viria para confrontar o casal apaixonado.

(...), admirava sua transparência e franqueza. Ele não guardava nada, expunha seus pensamentos mordazes doesse a quem doesse sem medo de se impor. Ele a irritava, e muito, mas de uma forma que lhe fazia bem. Todas as vezes que tinha passado por sua vida havia virado tudo de pernas para o ar, mas ao mesmo tempo lhe dera sacudidas necessárias que a fizeram olhar para si mesma como ninguém mais conseguira fazer.

Por ironia do destino, mesmo irritando e confundindo um ao outro, inevitavelmente ambos se machucam, contudo têm somente um ao outro para se ajudar e superar suas dores, tão similares, mas ao mesmo tempo distintas. Por isso, eles se afastam e o caminho de Ângela se cruza com o do gentil, fiel e carinhoso Eduardo, o webmaster do jornal.

Aos 29 anos, ele era tímido, integro e cavalheiro. Mesmo sendo reservado e maduro, ela passa a admirá-lo e o sentimento entre os dois evolui. Edu — mesmo não deixando transparecer totalmente suas emoções — é o cara perfeito que toda mãe ou pai sonha pra sua filha, aquele que coloca as próprias necessidades de lado em prol do ser amado, com respeito, cumplicidade e carinho.

Monogâmico, o rapaz quer um relacionamento sério e isso a assusta e torna ainda mais difícil a sua decisão, porque vive sozinha desde adolescente, cuidando da casa, do pai doente e carregando grandes responsabilidades nos ombros, mas Eduardo a ama demais e está disposto a tudo para construir uma família ao seu lado.

Devido ao medo que a paralisa de seguir em frente, a jovem está indecisa e não sabe se está realmente pronta para dar esse passo tão importante e se seria capaz de amá-lo como ele realmente merece.

Ela ainda tinha muita coisa trancada em algum lugar obscuro que não sabia como encontrar, mas esperava que o caminho lhe fosse mostrado com o tempo.

Pois é, exatamente como acontece com todos nós, a vida lhe prega uma peça e Ângela fica numa encruzilhada porque ao lado de Marcos tudo aconteceu espontaneamente e ela se sentia à vontade emocionalmente; já com Eduardo, algo a impedia e agia com racionalidade.

Observando a cena, Ângela se sentia estimulada a abrir o coração. Porém, sabia que não era tão simples assim e não tinha certeza se conseguiria introduzir uma nova pessoa em sua vida. A prática sugeria que não. Mas o emocional, abalado desde maio, dizia-lhe para não desperdiçar as oportunidades, principalmente após ter dito a Marcos que não era como ele e que se o amor batesse à sua porta não fugiria.

Após uma reviravolta, ela é obrigada a confrontar Marcos, que mesmo indiferente continua atraente e intimidador, porém completamente o oposto do rapaz carinhoso que conhecera.

Quantas vezes um coração pode se partir e ainda assim continuar a bater?

Ela não imagina que sua revelação abrirá antigas feridas guardada a sete-chaves em seu coração, obrigando-o a reviver mágoas profundas do passado. Com sua história, ele a ajuda a se conformar com a sua dor, enquanto a dor desta o faz ajustar as contas com o passado.

Desejava ter dito a Marcos que sentia muito, que se importava com ele e que não queria perdê-lo, mas não disse e foi justamente o que conseguiu: perder mais uma pessoa que amava. Sentira tanto medo (...) que acabara afastando-o de sua vida, talvez para sempre.

Agora qual será o destino de Angela e quem será finalmente o dono do seu coração: Eduardo ou Marcos?

A primeira queria um amor maduro, palpável e duradouro, queria abrir o coração e dar espaço para que alguém cuidasse dela, mas tinha uma dificuldade imensa com relação a isso. A segunda era livre, reconhecia sua dificuldade em se relacionar e se sentia confortável a respeito, sem sentir necessidade de agradar ninguém nem de provar nada a si mesma. As duas faziam parte de uma só, e enquanto uma era ela naquele momento, a outra era quem gostaria de ser. Pela primeira vez em sua vida tinha clareza o suficiente para reconhecer essa divisão, e a partir desse ponto começava o seu real aprendizado.

Ou ela ficará sozinha e, mesmo assim, feliz como sempre almejou?

Por que eu vou querer ter um relacionamento? Para perder de novo? Sozinha eu não corro esse risco e não me machuco. Quem não tem nada, não perde nada!

E, como se não bastasse tudo isso, não podia faltar uma antagonista que vai abalar a vida de todos. Bom, né?

Mesmo destruídos, os personagens centrais desta história juntarão seus pedaços e encontrarão a tão almejada felicidade? Enfim, eles voltarão a acreditar no amor?

Isto só a leitura pode revelar... E garanto que os românticos incorrigíveis se apaixonarão por essa linda e comovente história que mostra o amor em todas as suas facetas.

Primeiramente quero dizer que este romance de narrativa agradável — ambientado em Guaratinguetá e em São Paulo —, me chamou a atenção pela sinopse e logo após pelas cores da capa, mas infelizmente o mocinho retratado não é como o imagino, já que o vejo mais másculo e isso está somente na minha imaginação.

Fui surpreendida de forma arrebatadora e envolvente, e só parei quando concluí a leitura. Sem dúvida, este acabou sendo o melhor romance nacional contemporâneo que tive o prazer de ler em 2013 e de reler este ano em e-book. Li-o tanto na versão impressa (que comprei na pré-venda autografado diretamente com a autora), quanto na versão digital (que comprei na Amazon).

Como todos sabem, sou uma leitora exigente e, infelizmente, encontrei alguns problemas graves de revisão e algumas falhas relevantes na diagramação da primeira edição deste livro, o que foi uma pena, mas fiquem tranquilos que a autora está ciente disso e ambos serão corrigidos na próxima edição. Mas, diante desta bela história e do que nos ensina, esse pormenor chega a ser ínfimo.

Os personagens são encantadores e bem construídos com anseios e dramas, qualidades e defeitos, e emoções inerentes a qualquer um de nós, e isso é que os torna tão humanos e identificáveis. Um deles entrou na lista dos dez personagens masculinos que me fascinaram na postagem TOP PIRIGUETAGEM 2013: NACIONAL.

Adorei o relacionamento de Angela com seu pai, que era um homem à moda antiga, cavalheiro e conservador. Isso é algo que falta em muitas famílias, o afeto, o carinho e o respeito. Teve um momento que desabei em lágrimas. Não tive como não me emocionar pela forma como a cena me impactou, porque me vi na pele da personagem. Algum dia, todos iremos passar por isso, mas o amor de nossos pais será eterno em nossa memória e em nossos corações.

Ao lê-lo pela segunda vez percebi novas nuances acerca dos personagens, principalmente de Marcos. Ele me fez pensar acerca do futuro de outra forma. Além disso, me cativou por sua complexidade devido ao fato de ser atormentado por um passado que lhe deixou marcas profundas em sua vida. Ao longo da trama, ele foi evoluindo e mexeu com as minhas emoções, já que sempre estive do lado da mocinha, é claro. Devido a uma determinada pergunta no início da história, ele teve um lugar cativo no meu coração.

— Mas não importa, porque nunca consegui abrir meu coração para ele. E por mais que tenha vontade, não sei se algum dia serei capaz de fazer isso. Qual é o meu problema? Como eu pude perder um homem desses?

Um romance que me trouxe um torvelinho de sentimentos, cujo final me lembrou de um romance contemporâneo que é o meu xodó: Em Busca do Paraíso, da Judith McNaught. Apesar das cenas distintas, o ápice do enredo ocorreu num evento na casa dos mocinhos e não posso dizer qual foi meu desfecho preferido, pois os dois livros se igualaram na intensidade dos sentimentos e do romantismo.

Outra cena que me deixou cativada foi enquanto o casal dançava (Cristiane, quero saber que música era essa ao fundo. Se puder me responder, agradeço) e o momento final da dança me lembrou de outro nacional que li: Casamento de Aparências, da Dill Ferreira.

Teve uma parte no final quando ela descreve o sorriso do seu grande amor, que me lembrou da similaridade com algo que a personagem da Júlia Roberts diz ao mocinho do filme Um Lugar chamado Notting Hill. Fiquei ainda mais apaixonada.

Novamente, não tem como descrever tudo o que realmente senti ao decorrer da leitura (esta é apenas uma parte, já que não quero soltar nenhum SPOILER. Só peço que preparem seu coração!) neste enredo envolvente, singelo, atual e reflexivo porque, através da guerreira Ângela, nos faz questionar acerca da vida e dos nossos valores.

Com uma escrita fluida e quase poética, a autora me conquistou e fez com que me identificasse com alguns dramas vívidos pelos personagens, e acreditasse ainda mais no poder inabalável do amor.

Há cenas idílicas e românticas que vai enternecer o seu coração, seja as intensas ou com o simples toque de um olhar.

Sem que ela esperasse, ele segurou o seu rosto entre as mãos e a beijou.
A princípio, Ângela estava assustada demais para corresponder. Marcos tomava a sua boca com paixão, ou seria fúria, era difícil distinguir. Também era difícil resistir a ele, e cansada de tentar ela abriu os lábios. Nesse instante ele se afastou e olhou em seus olhos.

Sabe aquele casal que ri, chora, esbraveja, estimula e extrai o melhor um do outro com o intuito de crescerem juntos, mas continuam sendo amigos, amando com respeito e cumplicidade, em meio às adversidades?

Por isso, nunca desista de lutar, acreditar e ter fé de que dias melhores virão.

Além dessa há muitas lições deixadas neste livro acerca do amor, família, amizade, fé, esperança, perseverança. E a mais importante e essencial que muitos esquecemos diante da vida atribulada que vivemos.

Nunca fuja dos seus sentimentos. Lute com coragem enfrentando todos os seus medos, nunca se escondendo atrás deles, e corra atrás do que quer.

Valorize as coisas simples da vida e quem você ama, seja cuidando, protegendo e dividindo sua vida, antes que seja tarde demais e carregue arrependimentos profundos que permearão sua vida para sempre.

Cinco Anos, assim como A Missão de Anabel, de Shirlei Ramos, e os romances contemporâneos da Aline Negosseki Teixeira, são livros que vieram para trazer mais emoção e a pureza do romantismo, que a meu ver está faltando nas obras atuais. A escrita dessas autoras conquistou um lugar no meu coração por evocar um lirismo presente nas obras do grande José de Alencar, que amo de paixão.

E que venha muito mais emoção em CINCO ANOS 2. Mal posso esperar para saber o que a escritora está tramando para os personagens que me conquistaram. Pelo que ela me adiantou a respeito, sei que sofrerei demais em meios aos surtos de leitora. Maldade, né? Prevendo fortes emoções porque esses personagens entraram na minha lista de inesquecíveis e deixarão saudades, com certeza!


2 comentários:

  1. Estou escrevendo esse comentário ao som da música daquela dança, Carla. E para que não surte de curiosidade, é Holdin out for a Hero - Ella Mae Bowen (linda)
    Escrevi as cenas principais de amor com ela.
    Que resenha linda você fez. Valeu a pena esperar, pois eu sabia que seria especial, e você se superou com esse passeio maravilhoso pelos dramas românticos do livro! É por leitoras queridas como você que escrevo, para ler coisas assim e viver emoções assim. A mesma obra é diferente para dois leitores, pois cada um a sente de uma forma especial. Adorei todos os trechos que separou. Eu não teria feito melhor. Um grande beijo e prometo a você a mesma carga de emoções para o volume 2. Obrigada! Que seus próximos cinco anos sejam repletos de beleza e felicidade!!!

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  2. Oi Carla, mais uma bela resenha. Excelente escolha para o blog. Cinco Anos está na minha prateleira desde o ano passado e estou doida para lê-lo. Mas estou seguindo a fila, rsrsrs.
    Grande beijo

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